Edição do dia 19/07/2019

EDIÇÕES ANTERIORES FOTOS VIDEOS FALE CONOSCO HISTÓRICO - Primeira Edição SANTA CRUZ EM NÚMEROS TELEFONE ÚTEIS

Últimas Notícias

Domingo tem Brique da Praça
GERAL
Unisc forma 16ª turma de Medicina
GERAL
Stock: Nelsinho Piquet corre pela primeira vez em Santa Cruz do Sul
ESPORTES - Piloto da equipe Texaco Full Time Sports terá experiência inédita neste fim de semana na pista gaúcha
Edição de inverno do curso Escola de formação de professores tem início na Unisc
EDUCAÇÃO
Audiência pública debate alterações no Plano Diretor
GERAL
Quatro cidades gaúchas
VARIEDADES - Quarta temporada de 'O professor pelado' tem reestreia repaginada
Domingo tem etapa da 5ª Olimpíada Rural
GERAL - Esse será o primeiro compromisso oficial das 14 candidatas a soberanas da 35ª Oktoberfest
Copa Seu Verardi
ESPORTES - Uma semana de treinos no Avenida
Rodada desta sexta vai apontar os semifinalistas
ESPORTES
Em jogo duas vagas no mata-mata da Copa CFC Celso
ESPORTES
Assaf joga nesta sexta-feira em Santa Maria
ESPORTES - Jogo foi alterado em virtude do Grenal neste sábado
Stock Car: Quinta etapa é neste final de semana
ESPORTES - Serão dois dias de atividades sem a companhia da Stock Light
Renomada professora do Serviço Social estará em Santa Cruz
GERAL
Novo Cabrais: Escola lança livro de receitas saudáveis
EDUCAÇÃO
Novo Cabrais: Pimenta visita obras e reafirma apoio ao município
GERAL - Deputado federal participou de almoço e conferiu de perto a pavimentação da Avenida Rodolfo Buss
Ascor e Prefeitura planejam nova exposição
GERAL
Colégio Mauá assume gestão da Escola Criança & Cia
EDUCAÇÃO
Prefeitura anuncia restauração do prédio
GERAL - Marcando a decisão, muda de árvore também foi plantada por alunos da rede de ensino municipal

O terrorismo e o aparente conflito de civilizações

Um Passo a Mais - João Pedro Schmidt - 31/01/2015

Uma das formas de analisar o recente atentado contra chargistas e humoristas do jornal francês Charlie Hebdo por terroristas muçulmanos é considerá-lo como um episódio a mais dentro do conflito de civilizações entre a civilização ocidental e a civilização islâmica. Sob esse prisma, terroristas muçulmanos fanáticos cometeram o atentado contra um órgão da imprensa ocidental motivados apenas por razões religiosas e culturais.
A tese do “choque de civilizações” vem sendo proposta, entre outros, pelo cientista político norte-americano Samuel Huntington. Para ele, após o término da guerra fria, os grandes confrontos mundiais não se assentam mais em razões ideológicas ou econômicas e sim em razões culturais e religiosas. As civilizações ocidental e islâmica são no atual período histórico as únicas civilizações com pretensões de universalidade e estão em choque entre si.
Esse enfoque serve para justificar investimentos militaristas e atitudes preconceituosas contra os muçulmanos, atiçadas a partir do atentado terrorista contra as torres gêmeas em Nova Iorque, naquele fatídico 11 de setembro de 2001. A partir de então, muçulmanos e árabes em geral, especialmente os imigrantes na Europa e Estados Unidos, são vistos como um perigo potencial. Na mídia, no cinema, na internet vemos reproduzida essa ideia de que estamos diante de uma opção dual: o estilo de vida moderno e as instituições democráticas ocidentais versus o estilo de vida pré-moderno e as instituições autoritárias islâmicas.
Sem desconsiderar a influência de fatores religiosos e culturais, é preciso enxergar o terrorismo atual sob outras lentes. O terrorismo não é uma questão religiosa ou cultural. É um fenômeno associado às relações políticas e econômicas que as grandes potências mantêm com a periferia capitalista, que se reflete na atual forma de globalização, geradora de desigualdades e pobreza mundo afora.
O livro “Jihad x McMundo: como o globalismo e o tribalismo estão transformando o mundo”, de Benjamin Barber (Record, 2003), apresenta uma boa abordagem a respeito do terrorismo. Barber mostra que ao invés da polarização entre civilização ocidental e islâmica, há outra polarização: as forças da modernização e da globalização econômica e cultural representadas pelas potências capitalistas ocidentais (McMundo) versus as forças do tribalismo desagregador e do fundamentalismo reacionário (Jihad). Não é uma luta entre mocinho e bandido. São duas forças anti-democráticas.
O terrorismo é uma reação de setores radicais da Jihad contra o McMundo. É uma reação perigosa e anti-democrática, a ser enfrentada com meios adequados. Esses meios adequados, mais do que militares, são políticos. Isso porque o fermento do terrorismo está no plano político e econômico: a ausência de verdadeiras relações democráticas favorece o desenvolvimento das ações terroristas.
Parte da população do terceiro mundo aplaude o terrorismo, porque o vê como um ataque contra as forças da injustiça. O clima de desespero e de revolta das populações da periferia capitalista alimenta o terrorismo, conferindo-lhe uma espécie de legitimidade que ele não merece, diz Barber.
A luta contra o terrorismo só pode ser vencida no terreno da política democrática, com a globalização da democracia.