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O voto para legitimar um novo governo

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 21/07/2017

A história nacional já teve muitos momentos de crise institucional, sendo prova disto as várias Constituições Federais que já foram promulgadas em nosso País, mas o momento atual tem elementos inovadores que até então a sociedade brasileira ainda não tinha vivenciado. Pois, senão vejamos, a presidente da República é retirada do poder por um Congresso Nacional liderado por um deputado que agora encontra-se afastado e preso pelo Poder Judiciário. Assume o vice, e este por sua vez nomeia o senador que articulou no Senado a aceitação da denúncia contra a presidenta Dilma, por ampla maioria de votos. Romero Jucá, ‘o breve’, conseguiu ficar no Ministério do Planejamento por pouco mais de uma semana, pois ao tentar explicar o inexplicável,  teve que voltar para o Senado, sem falar em tantos outros afastados. 

Os elementos acima pinçados do cenário político nacional, de fato, levam à conclusão de que o mundo político anda longe da pacificação, e a cada dia novas informações são trazidas a público, através de gravações como as delator Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, feitas no passado, envolvendo quase todos os grandes partidos e políticos do País, com revelações nem tão novas, mas que, por virem à tona, confirmam aquilo que uma grande maioria das pessoas que observam a mundo político já suspeitava. Agora as gravações veiculadas pelo JoesleyBastita, somente repetem a mesma toada. 

A questão que parece estar passando ao largo do debate nacional é fato de que mesmo com as denúncias divulgadas, de certa forma, há um pacto no sentido de isentar o presidente Michel Temer, pois o resultado que foi visto na votação da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados indicam tal proceder. Em agosto, ao que tudo indica, irá se confirmar que os aliados do presidente vão impedir o seguimento do processo no Supremo, apesar do vasto cabedal de provas.

Desta forma, pelo andar dos fatos, resta evidente de que não haverá um pacto nacional que consigne dar condições de governabilidade, pois o governo de Michel Temer tem em sua companhia parceiros muito perigosos, e que irão cobrar um preço muito alto para sua fidelidade, ou melhor, colaboração, pois fidelidade é palavra que não existe no mundo que habitam.

Assim, considero que a alternativa que o Estado Democrático de Direto nos oferece é uma renovação de mandato que deverá ser ungido pelo voto do povo. É evidente que os prazos são exíguos, mas acredito que mais 18 meses de governo Temer irão fazer muito mal para a Democracia Brasileira. Por isto, não deveria ser descartada a possibilidade de antecipação das eleições do ano que vem.