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Temer, o bem intencionado?

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 21/04/2017

A cena política nacional não deixa dúvida de que é impossível qualquer prognóstico, eis que cada dia novas informações são divulgadas e qualquer previsão é mero exercício de especulação. Mas neste turbilhão de acontecimentos que todos acompanhamos, cabe questionar quais são as reais intenções do Governo Temer, com o volume de reformas (trabalhista e previdenciária) que pretende aprovar ao afogadilho?

Não é necessário ser cientista político para compreender que não há condições políticas, morais ou éticas para este governo propor qualquer reforma. O Governo Temer acabou antes de começar, e qualquer reforma em temas importantes como os acima citados, deve ser fruto de amplo debate com a sociedade, e não por vontade da equipe econômica de um governo.

E neste aspecto cabe questionar sobre as intenções do Governo Temer, pois sabemos que a equipe econômica é formada por dois ícones dos sistema financeiro, no caso Henrique Meirelles como ministro da Fazenda e Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central, sendo que todos os debates estão sempre ancorados nos números para lá de questionáveis da equipe econômica.

Se de um lado há um déficit orçamentário que deve ser resolvido, por outro há demandas sociais muito mais importantes, em especial no que tange à distribuição de renda, indicador que infelizmente todos os planos econômicos até então vistos na história, quando nascidos pelas mãos de banqueiros, aumentaram as desigualdades. A centralização do debate econômico no Brasil de certa forma sempre serviu como uma espécie de cortina de fumaça, onde as reais intenções nunca ficam claras, sendo que somente a história nos revela, e muitas vezes de forma deformada.

A situação vivida no País exige medidas políticas muito antes de medidas econômicas, não é possível acreditar que os fatos revelados não venham ocorrendo há muitos anos, e se formos avaliar sob o prisma histórico, na Ditadura Militar, uma das grandes bandeiras era a liberdade de expressão e uma imprensa livre. Nem se cogitava a possibilidade de autonomia para investigar atos administrativos ou autoridades de então. Neste sentido a democracia permitiu descortinar nossa real face, gostemos ou não.

Assim, não acredito que o presidente Temer seja um ingênuo, como da mesma forma, não creio que ele tenha a esperança que as reformas que está propondo levem seu nome para a história como um grande estadista. Por isso, como pergunta Juremir Machado: “Para quem estão vendendo as reformas Previdenciária e Trabalhista?”. Respondo: Só a história dirá.