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Educação Rural (I)

Valério Garcia - 07/04/2017

Parece que, finalmente, o homem está se dando conta que o meio ambiente e suas relações com os seres vivos são uma questão de sobrevivência para a espécie humana. Esta acordada já está tardia, mas ainda é tempo de repensarmos tudo aquilo que estamos fazendo com a nossa casa, chamada de Planeta Terra. A palavra Ecologia vem do prefixo grego “oikos” que significa casa e do sufixo “logia” que significa estudo. Estudar Ecologia significa estudar a nossa casa, que nada mais nada menos é, que o nosso planeta. O homem deve saber que é parte e não proprietário.

Somos totalmente dependentes do nosso meio rural, do nosso interior. Estamos acostumados a ouvir que, quando o campo vai bem, a cidade vai bem também. O alimento nosso de cada dia vem diretamente do interior. A agricultura e a pecuária, através de suas mais variadas lavouras e criações, abastecem os mercados e açougues frequentados diariamente por nós. Será que estamos valorizando todo este contexto, ou não estamos nos dando conta disso? 

Para valorizar nosso meio rural se deve conhecer, sentir e ter convivido de alguma forma com seus hábitos e costumes. Outra forma é buscar informações com aqueles que tiveram ou vivem essa realidade. Morei “para fora” como se diz, e tive o prazer e o privilégio de conviver com o homem do campo. Era na divisa de Cachoeira com Caçapava do Sul, local denominado de Lagoão. A BR 290 ficava 7,5km distante de nossa casa. E quando íamos até Cachoeira, percorríamos o caminho no nosso cavalo zaino, ou caminhando! Minha mãe era professora municipal e ia a pé até a Escola para ministrar aulas em turmas multisseriadas. Os alunos também iam caminhando e aqueles que moravam mais distante, o meio de locomoção era uma bicicleta ou cavalo, que também servia para a lide campeira do dia. Outros pegavam carona, mas de carreta ou carroças que percorriam o local naquele horário e itinerário. Ela alfabetizou jovens que são pessoas de sucesso hoje e ninguém ficou traumatizado, ou com alguma sequela daqueles tempos difíceis. Muito pelo contrário: falam com muito orgulho “dos tempos de antigamente”! As pessoas davam mais valor ao suor derramado para suas conquistas. 

A merenda era trazida pelos próprios alunos com o auxílio de toda comunidade. Todo mundo colaborava de alguma forma para ajudar a Escola. Há pouco tempo encontrei um ex-aluno de minha mãe que, com os olhos marejados pelas lágrimas, falou com orgulho e alegria da querida “Escolinha” e da professora Dona Gessi. Agradeço sempre por ter tido a oportunidade de viver essa realidade que só me trouxe mais conhecimento e sabedoria.

A pergunta que deixo aos amigos leitores é a seguinte: ... E hoje como estão as coisas? Falaremos mais sobre isso.

Bom final de semana.