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Complexo vira-lata e a Operação Carne Fraca

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 24/03/2017

“Por ‘complexo de vira-lata’ entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima.” (Nelson Rodrigues)


O dramaturgo Nelson Rodrigues na década de 50 cunhou a expressão “complexo vira-lata”, acima definida, fruto da derrota futebolística da Copa de 1950. Transportando para os nossos dias, há claros indícios de que ainda exercitamos tal complexo de forma muito veemente, sendo o apego à inferioridade uma forma quase ingênua de ser aceito pelo mundo. Neste contexto a Operação Carne Fraca da Polícia Federal se encaixa muito bem, pois as instituições públicas nela envolvidas não tiveram a sensibilidade de compreender que as irregularidades descobertas, se divulgadas de forma sensacionalista, teriam um efeito devastador sobre o setor da carne.   

Em outra oportunidade já escrevi sobre o tema neste espaço, onde havia mencionado o sentimento de inferioridade com alguns fatos ocorridos. A exemplo, durante a Copa do Mundo 2014 foram inúmeras as matérias jornalísticas nacionais que davam conta de que o evento seria um desastre, e que não estávamos preparados e assim por diante. Sem entrar no mérito de tal evento deveria ter sido sediado no Brasil ou não, mas o evento fora do campo de futebol foi um sucesso. Em relação à Olimpíada, o noticiário nacional teve um prazer inexplicável de mostrar de forma quase sádica que não poderia dar certo, seja com a queda da ciclovia, a poluição da Baía de Guanabara, a criminalidade do Rio Janeiro e assim por diante.

Na política e nos escândalos que agora, como nunca antes na história se teve notícia, tem-se também este viés autodestrutivo, pois mostramos para o mundo nossas mazelas, e pior, não é incomum que agentes públicos do País sejam convidados por instituições americanas para palestrar sobre nossa inferioridade, onde investidores do mundo concluem que não somos confiáveis, e por tal razão deixam de investir no Brasil. 

Se olharmos para outras nações, observa-se que elas adotam a política da “roupa suja se lava em casa”, expressão que usamos em nosso dia a dia, e que tem como mensagem de que o País precisa ser capaz de resolver seus problemas, sem que para tanto faça a destruição das coisas boas que a nação possui, e acima de tudo consiga apreender com seus erros.

Cito dois exemplos internacionais emblemáticos, o primeiro diz respeito ao escândalo denunciado por Edward Snowden, que através do Wikileaks, fez uma denúncia muito grave sobre espionagem patrocinada pelo Governo Americano. O que fizeram os americanos? Resolveram não falar sobre o tema e fim de papo. Outro episódio interessante envolveu a empresa alemã Volkswagen, que fraudou os equipamentos de controle de emissão de poluentes. Alguém ainda fala sobre o assunto?

Não estou pregando que devemos colocar a sujeira debaixo do tapete, mas pondero que não podemos continuar o processo de autodestruição que está em curso, sob pena do País continuar historicamente ser avaliado por seus defeitos e não por suas virtudes.