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Chateaubriand no DNA da imprensa nacional

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 03/03/2017

Em um momento histórico conturbado que estamos vivendo em nosso País, considerei interessante trazer à luz alguns elementos históricos da vida de Assis Chateaubriand, que foram densamente descritos pelo escritor e jornalista Fernando Morais no livro “Chatô – O rei do Brasil”. Segundo o autor, Chatô como ficou conhecido, foi um dos homens mais poderosos do século XX, tendo participado de forma ativa na cultura, nas artes e especialmente na política, onde usava de forma muito cruel os elementos ainda presentes nos meios de comunicação de massa do País, a manipulação da informação ao interesse que lhe fosse mais vantajoso.

É evidente que impossível numa resenha descrever a figura humana complexa, contraditória, visionária que foi Assis Chateaubriand. Mas a intenção no presente texto é expor alguns elementos que contribuíram para construção do império dos Diários Associados, que na década de 60 chegou a quase cem jornais, revistas, estações de rádio e televisão.

Chatô esteve no Rio Grande de Sul na revolução de 30, onde colocou-se à disposição dos revoltosos, que como sabemos culminou na chegada ao poder de Getúlio Vargas, sendo talvez este o momento mais importante que lançou o futuro do império que foi construído durante a era Vargas, onde, de acordo com os interesses do grupo Diários, ora apoiava o governo de Getúlio e num momento subsequente agredia ferozmente Vargas. Fenando Morais, diz que “limpo ou sujo, todo jogo em que Chateubriand se metia tinha um único objeto: investir nos jornais e revistas, fazer crescer cada vez mais a cadeia.” Na década de 30, o grupo de Chatô já havia se espalhado por vários estados brasileiros, em especial no Sudeste e Nordeste. 

O interessante é que o império do Rei do Brasil tomou a dimensão que tinha, em razão dos grandes benefícios que os Diários Associados tiveram durante o período de Getúlio, mas tal condição não impediu que Chatô no ano de 1954, fizesse aliança com Carlos Lacerda e Roberto Marinho, então proprietário da rádio Globo e jornal O Globo, para patrocinar uma campanha violenta e agressiva que culminou com o suicídio de Getúlio. Lacerda virou “artista” da Tevê Tupi de propriedade dos Diários Associados.

Não diferente foi a postura de Chatô em relação ao presidente Juscelino Kubitschek, que o havia nomeado embaixador do Brasil em Londres. Quando ocorreu o golpe de 64, escreveu que “o ex-presidente havia se atirado ‘desabotinadamente nos braços do castrismo’, e que depois de chegar ao paroxismo de adulação às correntes extremadas do esquerdismo, Juscelino hoje deveria enfrentar era um pelotão de fuzilamento, em vez desse macio decreto de cassação”.

Chatô teve papel fundamental na campanha que derrubou João Goulart, pois tinha a convicção de “salvar a ordem capitalista ameaçada pela corja vermelha que ocupa o Palácio do Planalto”. No dia 14 de março de 64, publicou nos jornais Associados texto que dizia o que segue: 

“Só temos um mensagem para mandar aos inimigos da paz pública. Será irmos para as ruas, como já fizeram os homens e mulheres do Minas Gerais, chuçar as hordas de marxistas que o governo arregimenta e comanda, de acordo com os planos do comuno-nacionalismo...”

Após o golpe, o namoro dos militares foi breve, e com saúde muito debilitada viu seu império ruir, seja por má gestão, seja pela aliança que Roberto Marinho soldou com os militares, história que não precisamos contar pois ainda vivemos os efeitos do império da Globo.

Desta forma, o homem que forjou o DNA da imprensa nacional, foi engolido por outro, que aprendeu muito bem a lição, e a semelhança com os dias atuais não é mera coincidência, é vida real.