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A violência vulgarizada

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 06/01/2017

Historicamente a humanidade teve na violência como uma arma de manutenção do poder, e preferência de aniquilação do adversário de ocasião. Tal tema foi cotejado pela filósofa Hannah Arendt, que tratou sobre a vulgarização da violência. Aqui em nossas paragens o histórico de colonização foi marcado por sangue de índios e escravos.

Não diferente foram as revoltas internas, como a Mineira, a Pernambucana, e sem esquecer as do Rio Grande, como a Farroupilha e Federalista, esta última teve como principal método de execução do inimigo a degola. 

Faço este preâmbulo para dizer que a violência escancarada que aconteceu no Presídio Anísio Jobim em Manaus retrata de forma emblemática como estamos acostumados e sedados pela indiferença, e isto não é peculiaridade de nossos tempos, o passado acredito que tenha forjado tal insensibilidade. O paradoxal nisto tudo, é de que suspeito se tal massacre tivesse ocorrido em um canil, as manifestações das redes sociais não seguiriam a linha que observei no decorrer da semana. 

Todos os brasileiros sabem as condições deploráveis que encontram-se os presídios. A Digna Ministra Presidente do Supremo Tribunal Federal, operadora do direito há mais de três décadas, não necessita visitar os presídios para saber do caos da nosso sistema prisional. Tal atitude também demonstra de forma muito clara o jogo de cena das autoridades, e aqui no Estado temos um presídio concluído na cidade de Canoas, e outro que foi construído pela comunidade de Lajeado, e entregue ao Estado, e mesmo assim até agora não houve a ocupação de tais estabelecimentos. 

Acredito que seria mais produtivo a Presidente do Conselho Nacional de Justiça, que também é Presidente do STJ, chamar às falas as autoridades responsáveis pela gestão do sistema prisional, pois os exemplos acima referidos são emblemáticos aqui em nosso Estado. Imagino que no País afora tais situações se repitam.

A guerra entre gangues do tráfico também não é algo novo, mas que vem se agravando sobremaneira em razão do Brasil ser hoje o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, bem com um corredor para exportação desta droga para EUA e Europa. Não há solução fácil, pois a regra de mercado também prevalece no mundo da ilegalidade, o consumo regula a demanda. Quanto ao consumidores? Bom, isto é tema para outra coluna.