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Colcha de retalhos

Osvino Toillier - 10/11/2017

Temos a pretensão de fazer da nossa vida obra única, que não deve nada a ninguém, porque nos achamos protagonistas de nós mesmos, com a convicção de que não tiramos nada de ninguém, corremos atrás de nossas utopias e, no final, deixamos a obra pronta para ser apreciada por todos. 

A verdade, porém, é outra: porque estamos interligados com outras pessoas que caminham ao nosso lado, vamos trocando gentilezas ou rusgas, enfim, vamos nos fazendo em conjunto. 

Ca e lá recolhemos algo que vai se incorporando na gente e, sem perceber, vai sendo nosso e caminhando com a gente. Daqui a pouco, as pessoas dirão: “Como você é parecido com seu pai ou com sua mãe”. Isto nos deixa orgulhosos e felizes, não? 

Cora Coralina escreveu sobre este tema. Vou pedir-lhe emprestadas as palavras poéticas: “Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou. Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior... Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade... que me tornam mais pessoa, mais humano, mais completo. E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados... haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma. Portanto, obrigado a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias. E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de 'nós'”.