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Um 'Cristal Polonês' de história

Cristal Polonês - Letícia Wierzchowski

A Leitura que Habito - Luana Ciecelski - 10/07/2018

Recentemente li “Cristal Polonês" da Letícia Wierzchowski e fiquei com vontade de sugerir essa leitura aqui, porque achei linda a sua história. Ela é curtinha, sabem? São 174 páginas e eu levei algo em torno de dois dias para conclui-lo. E não é um enredo muito complexo, pra dizer a verdade. Mas é na simplicidade e em suas lições que o "cristal polonês" desse livro, - ou seja, sua riqueza - mora. A história é contada pela jovem Tedda, uma menina ainda. Ela nos apresenta sua máma e seu táta e também seus dois irmãos mais novos, Paula e Miti.

Não é possível distinguir exatamente em que época se passa essa narrativa. Sabemos apenas que a badka (avó, em polonês) veio para o Brasil durante a segunda guerra mundial e que ela já faleceu. Mas uma coisa fica bastante clara: a família de Tedda é extremamente pobre. Eles contam com cada centavo do trabalho do pai e das costuras da mãe e ainda assim, tudo o que têm – roupas, brinquedos, e até os móveis -, vêm de doações de familiares mais ricos. Não é uma vida fácil. E tudo isso visto pelos olhos de uma criança é ainda mais duro. As mínimas coisas podem ser tão felizes, mas a dor, a tristeza e a mágoa também são intensas. 

Crédito: Divulgação

Certo dia o pai de Tedda chega com uma boa notícia em casa. Ele venceu uma aposta feita com um colega de trabalho e como prêmio conseguiu hospedagem em uma casa na Serra. Ele também consegue alguns dias de dispensa do trabalho e por isso, todos eles irão para uma viagem de férias. Tudo, desde os preparativos até o deslocamento em si, são situações novas e emocionantes. É assim com qualquer criança, mas especialmente com aquelas que nunca tiveram essa oportunidade. Mas se a partida foi imensamente feliz, o retorno é inversamente ao contrário. Não apenas pela despedida das férias, como seria natural, mas porque um acontecimento muda tudo. Aquilo que era pra ser apenas um merecido e raro descanso se transforma em algo trágico. A família nunca mais seria a mesma.

Não posso contar mais, porque como eu disse, a história é curtinha. Mas posso garantir que o desfecho, apesar das dicas que Tedda dá ao longo da narrativa, é bastante surpreendente. E é ainda mais especial porque é visto com os olhos de uma criança. Aliás, uma das coisas mais incríveis desse livro, foi a forma como Letícia conseguiu colocar no papel o mundo infantil. Me lembrei da minha própria forma de vê-lo quando pequena. 

Há também uma série de lições, especialmente sobre o contentar-se com o que temos. São lições óbvias até, mas elas cumprem bem seu papel de nos fazer refletir sobre nossos próprios hábitos. Então esse livro mexe bastante com o leitor. E por isso, eu indico mesmo a leitura. Especialmente àqueles que, como eu, querem conhecer mais das obras dessa autora, que vão muito além de "A Casa das Sete Mulheres". 

Quer saber mais sobre essa e outras histórias? Acessa também o meu blog: leituraquehabito.blogspot.com.br.