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O teste da Democracia Brasileira

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 13/07/2018

O ano de 2018 será talvez o mais emblemático da vida democrática do País, eis que estamos frente a uma crise com precedentes já vividos, mas que guarda peculiaridades muito singulares, em razão do momento histórico vivenciado, que por óbvio é singular, tendo no fracionamento social, político, religioso e cultural a atmosfera para a tempestade perfeita, como gostam de falar os sociólogos.
Senão vejamos, no campo religioso, há uma guerra silenciosa entre crenças cristãs de várias vertentes, que além de serem fontes importantes de geração de receitas aos seus proprietários, é inegável sua expansão na política partidária e ocupação de legislativos e executivos, onde pautas neopentecostais estão muito presentes, enquanto temas importantes como aborto, liberdades sexual e pesquisas científicas muitas vezes são tratados como dogmas que muito pouco tem contribuído para a sociedade. 
Já no cenário político, o avanço do caricato Bolsonaro, demonstra por si só a fragilidade do valor da democracia para muitos, pois não é segredo para ninguém minimamente lúcido de que não se constrói uma Pátria com ódio por seus compatriotas, por mais que não se concorde com os opositores. A forma raivosa e violenta muito característica dos afetos a ditaduras ganha espaço em uma sociedade fragmentada, onde o discurso de autoridades dos que se auto intitulam “homens de bem”, atinge seus objetivos ao vender a falsa promessa de porto seguro, onde a truculência é o método para atingir seus fins.
Os meios de comunicação de massa, internet, redes sociais dão vazão a uma miríada de informações desencontradas, onde um viés antiestatal é regra, sendo o processo de venda do patrimônio público visto de forma tão “ingênua e pueril”, como se não houvesse qualquer interesse econômico multinacional envolvido.  A venda do sistema elétrico nacional, de ativos da Petrobrás, os aeroportos lucrativos entregues para multinacionais, a destruição de empresas nacionais importantes sob o argumento de passar o País a limpo, são exemplos de um novo colonialismo que estamos enfrentado, mas não é o objeto de maior debate nacional. 
A fragilidade das figuras políticas importantes, e que deram lugar a judicialização da política e da gestão pública são também efeitos colaterais de nossos tempos, onde os controles institucionais necessários na democracia são aparelhados como organizações justiceiras, sem qualquer compromisso com o Estado/Nação, onde operações policiais/judiciais são deflagradas de forma voluntariosa, que causam enormes prejuízos a setores produtivos, como por exemplo a “operação carne fraca”, que atingiu de forma violenta o setor da carne bovina no exterior.
E nesta complexidade social, estamos caminhando para uma eleição nacional, que foi, e esta sendo gestada sob todos os tormentos acima elencados. Por isto avalio que este é maior teste que a democracia brasileira vai passar, e espero que seja aprovada, pois truculência e ditadura nunca mais.