Edição do dia 16/11/2018

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Ídolos

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 24/08/2018

Confesso que tenho certa dificuldade de idolatrar pessoas como se estivessem acima do bem ou do mal, sem nenhum reparo à sua conduta de vida. Mas devo ponderar que a veneração de personalidades é um traço presente em todas as fases da civilização humana, sendo que tal apreço tem em boa parte origem de como é, ou foi contada a história da vida deste indivíduo para os seus admiradores. 
Faço esta breve introdução, eis que não raras vezes me questiono, quem afinal poderia eu indicar meu ídolo. E de fato tenho, como muitos, algumas pessoas que considero muito especiais no campo da ciência, da política e da literatura. Que foram fundamentais para a compreensão que temos hoje do mundo ocidental. Vou escrever apenas sobre três pessoas que considero muito importantes, em três áreas distantes,  mas que de certa forma se complementam neste grande laboratório que é o planeta Terra.
O primeiro chama-se Charles Darwin (1809-1882), autor de “A origem da espécies”, 1859. Seu legado ainda hoje é fruto de estudos e descobertas, que foi sem dúvida um confronto visceral com tudo que se pensava sobre o homem e sua existência na face da Terra. Darwin foi uma figura muito importante para a humanidade. Suas descobertas deram uma nova dimensão na compreensão do mundo, tendo em seu espectro de pesquisa científica uma visão holística da vida sobre a terra, em um momento histórico em que a afronta ao criacionismo era um dogma inabalável.
A segunda personalidade é Nelson Mandela (1918-2013), prêmio Nobel de 1993, figura humana que sofreu as agruras de uma prisão injusta por mais de 27 anos. E mesmo assim, demonstrou uma capacidade sobrenatural de resiliência, tendo doado sua vida à causa, e acima de tudo, quando chegou ao poder liderou um movimento pacifista no sentido de não vingar-se de seus algozes. Algo muito raro na história, em quase todas as revoluções com armas ou não, independentemente da matriz ideológica que tenha dado estofo à alternância de poder. O enfrentamento pacifista que o Mandela fez ao Apartheid, sua generosa humanidade, no fim de sua vida tornou-o unanimidade, ou ao menos silenciou os seus opositores, apesar de ainda ser distante a igualdade étnica que tanto foi buscada por este líder sul-africano. Exemplo disto, que aqui em nossas paragens temos críticas muito fortes às políticas de cotas adotadas em algumas universidades.
O terceiro, Erico Veríssimo (1905- 1975), gaúcho de Cruz Alta, escritor universal. Que por vezes tenho a impressão que seu valor no mundo dos grandes escritores do País é relegado a segundo plano, por atribuírem a ele um caráter meramente regional, ou por então ele ter romanceado de forma muito parcial a formação histórica, cultural e social do seu Estado de origem. Ledo engano, Érico Verissimo  foi um escritor com traços muito peculiares, em especial pela sua grande capacidade de sintetizar de forma precisa as características sociológicas dos personagens humanos, que ocupavam os cenários de seus textos. Com uma descrição detalhada do perfil psicológico de ditadores, guerreiros, mulheres, crianças, padres, prostitutas, mães e outros que compuseram suas várias obras, que por muitas vezes encontravam seus paradigmas na vida real. No livro “Incidente em Antares”, 1972, em plena Ditadura Militar, o autor compõe um cenário fictício para denunciar de forma muito contundente o mal que o regime estava fazendo ao País. Somente para exemplificar que a literatura de Érico em muito ultrapassou os limites de ficção, sendo figura singular da nossa literatura. 
É evidente, que os três personagens da história da humanidade acima nominados, merecem uma abordagem mais profunda, e para tanto, muito já foi escrito sobre eles. Mas a intenção neste singelo texto, é dizer que, apesar de ter a confessa dificuldade da idolatria, precisamos pensar afinal quem pode ser um candidato a ídolo, e o que fez para merecer tal condição. Especialmente em um momento histórico onde tem-se a impressão que não mais é possível forjarem-se personalidades que vivam por uma causa, por um legado ou por uma utopia.