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O teste da Democracia Brasileira

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 21/09/2018

O ano de 2018 será talvez o mais emblemático da vida democrática do País, eis que estamos frente a uma crise com precedentes já vividos, mas que guarda peculiaridades muito singulares, em razão do momento histórico vivenciado, que por óbvio, é singular, tendo no fracionamento social, político, religioso e cultural a atmosfera para a tempestade perfeita, como gostam de falar os sociólogos.
Senão vejamos, no campo religioso, há uma guerra silenciosa entre crenças cristãs de várias vertentes, que além de serem fontes importantes de geração de receitas aos seus proprietários, é inegável sua expansão na política partidária e ocupação de legislativos e executivos, onde pautas neopentecostais estão muito presentes, e temas importantes como aborto, liberdade sexual, e pesquisas científicas muitas vezes são tratadas como dogmas que muito pouco tem contribuído para a sociedade. 
Já no cenário político, o avanço do caricato Bolsonaro, demonstra por si só a fragilidade do valor da democracia, pois não é segredo para ninguém minimamente lúcido de que não se constrói uma Pátria com ódio por seus compatriotas, por mais que não se concorde com suas posições. A forma raivosa e violenta muito característica dos afetos a ditaduras ganha espaço em uma sociedade fragmentada, onde o discurso de autoridade dos que se auto intitulam “homens de bem”, atinge seu objetivo ao dar a falsa impressão na promessa de porto seguro, onde a truculência é o método para atingir seus fins.
Os meios de comunicação de massa, internet, redes sociais dão vazão a uma miríade de informações desencontradas, onde um viés anti-estatal é regra, sendo o processo de venda do patrimônio público visto de forma tão “ingênua e pueril”, como se não houvesse qualquer interesse econômico multinacional envolvido.  A venda do sistema elétrico nacional, de ativos da Petrobras, os aeroportos lucrativos entregues para multinacionais, a destruição de empresas nacionais importantes sob o argumento de passar o País a limpo, são exemplos do novo colonialismo que estamos enfrentando, e que não é objeto de maior debate nacional. 
A fragilidade das figuras políticas importantes, deram lugar a judicialização da política e da gestão pública, são também efeitos colaterais de nossos tempos, onde os controles institucionais necessários na democracia são aparelhados como organizações justiceiras, sem qualquer compromisso com o Estado/Nação, onde operações policiais/judiciais são deflagradas de forma voluntariosa, que causam enormes prejuízos aos setores produtivos.
E nesta complexidade social, estamos caminhando para uma eleição nacional, que foi, e está sendo gestada sob todos os tormentos acima elencados, o que irá colocar a prova o regime democrático conquistado a duras penas pela geração que nos antecedeu. Temos compromisso moral com esta geração de homens e mulheres que lutaram pela democracia na década de 80.