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Coragem que contagia

A Leitura que Habito - Luana Ciecelski - 27/11/2018

Há livros que vem parar em nossas mãos nos momentos certos. Se eu acreditasse em acaso, diria que se trata disso. Mas acho que não. Acho que as coisas acontecem porque devem acontecer. E tive uma prova disso há alguns dias. Eu andava pelos corredores da Unisc, justamente me perguntando qual seria o tema da próxima coluna, quando, de repente, eu me deparo com uma espécie de feirinha em frente à Livraria Campus. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir ali o livro Aventura na Amazônia da Moina Fairon Rech. Eu não tive dúvidas então. Comprei ele e comecei a lê-lo imediatamente. E que bom que assim fiz. Por dois motivos.
Primeiro, porque essa é uma história maravilhosa de ser lida. Moina conta sobre a aventura de ter sido moradora, junto com seu marido e filhos, durante um ano, de um lugarejo chamado Clevelândia, pertencente ao município de Oiapoque no Estado do Amapá, no meio da selva Amazônica. Seu marido, como ela conta, era militar e precisou passar um tempo servindo na região de fronteira com a Guiana Francesa, e ela foi junto. 
A narrativa inicia ainda em Santa Cruz, mostrando a vida que o jovem casal tinha por aqui e a chegada dos primeiros filhos. Esse trecho da narrativa serve principalmente para nos ambientar na época que era vivida pelo país, mostrando o surgimento das primeiras tecnologias como geladeiras, televisões, chuveiro com água quente, etc, mas também para mostrar o grande contraste de realidades com as quais a família de Moina teria contato. Depois, ela passa a narrar a viagem de avião – que por si só renderia um livro, é preciso dizer, em função da verdadeira missão que era atravessar o país pelo céu na década de 1950, especialmente com duas crianças – e, é claro, sua nova e diferente vida. 
Muitas das situações pelas quais esses personagem reais passam, são quase que inimagináveis nos dias de hoje. Isso se dá tanto pela questão cultural, mas também pela questão tecnológica mesmo. Em alguns momentos a autora chega a comentar sobre como a vida é mais fácil hoje, principalmente em termos domésticos, e, depois dos relatos do livro, eu precisei concordar com ela. Mas também me parece que foram momentos muito especiais, uma experiência em família cheia de aprendizados. E ela narra isso, mais de 50 anos depois – o livro foi lançado em 2009 -, com um certo tom de nostalgia. Assim, uma vez que o livro está nas nossas mãos, não dá mais vontade de largá-lo. Quase se pode ouvir a voz da autora contando cada uma daquelas situações, e se a concentração for boa, quase é possível ouvir o barulho do rio próximo à casa em Clevelândia. 
O segundo motivo que me deixou feliz por ter lido esse livro é o fato de ele ser, sobretudo, um relato de muita coragem. Por todas essas situações que eu já comentei, e outras tantas que não caberiam aqui na coluna, eu terminei o livro admirando muito a coragem dessa família e, especialmente dessa jovem esposa e mãe. Achei incrível a viagem que ela fez e os desafios que ela enfrentou. E isso me contagiou. Justamente em um momento da minha vida particular em que eu precisava de um pouco mais de coragem. Por isso, não acredito em acasos. Há livros que vem parar em nossas mãos nos momentos certos. E eu desejo, sinceramente, que esse tipo de coisa aconteça com vocês também.