Edição do dia 13/09/2019

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Tempo de ouvir

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 01/02/2019

A metáfora que talvez se adeque aos nossos tempos seria a passagem mencionada no Livro do Gênesis a “Torre Babel”, que segundo diz o texto bíblico, todos falavam mas ninguém entendia o outro, o que em tese teria dado origem aos vários idiomas, e também gerado uma enorme confusão. Observo que nós também estamos com muita dificuldade de ouvir o outro, pois em boa parte das nossas interlocuções ao invés de estarmos ouvindo o outro, já estamos matutando o que responder ou ao menos como tentar impor nossa visão sobre determinado tema, há uma certa surdez que afeta o homem pós-moderno.
Com o avanço tecnológico do mundo virtual, observa-se que tal característica tem se agravado, pois somos instados, a cada momento a opinar sobre tudo, mesmo não tendo noção nenhuma sobre o tema, nos mais variados espaços de informação, e especialmente nos meios de comunicação de massa que são apresentados ao vivo, especialmente programas de rádio e TV, onde não poucas vezes a notícia menos importa, mas a polêmica criada sim, o número de acessos, curtidas e a participação dos ouvintes e telespectadores determina quando mais ou menos besteira se divulga ao vivo.  
Quanto as redes sociais, tem-se um verdadeiro festival de intolerância, e onde o indivíduo protegido por seu suposto anonimato acaba destilando um ódio bestial que em nada serve para si e muito menos ao seu interlocutor, pois ambos perdem a racionalidade humana que a duras penas foi forjada por milhares de anos, entre idas e vindas de mais ou menos intolerância.
Cabe a setores da sociedade, em especial a academia, e aos meios de comunicação de massa, estimularem o cidadão na prática de um diálogo em que os interlocutores cultivem a arte de ouvir o outro, na lógica de que a resposta para a eventual divergência, não seja um ataque violento para tentar vencer ou destruir o outro,  mas sim, tentar dizer que  não há uma verdade suprema, mas várias meias verdades que levaram nossa espécie ao estágio que estamos hoje, e que tolerância, ou melhor o acolhimento, como prefere o Filósofo Mario Sérgio Cortella,  é respeitar a diferença de visão de mundo do outro, mesmo que discordemos dela, e tentar sempre construir consensos possíveis.
Tenho para mim, que o melhor antídoto que tenho encontrado para minha surdez, é a leitura, pois durante a leitura sou obrigado a ouvir calado o que o autor está dizendo, sem poder dar nenhuma opinião, o que me obriga a refletir sobre o que estou lendo. Além desta vantagem, a outra, que acho bem mais interessante, é que com leitura, tenho o privilégio do Érico Verissimo, do Machado de Assis, do Balzac, do Norberto Bobbio e outros que falaram comigo com exclusividade, o que somente a leitura pode me proporcionar, apesar de muitas vezes ser acossado pela vontade de tê-los como interlocutores, e dar ao menos um pitaco, o que felizmente não é possível.