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O indivíduo e o mercado

Olhar Parcial - Edison Rabuske - 26/04/2019

A presente reflexão não pretende sob hipótese alguma ser conclusiva, dada a complexidade do tema, tendo por escopo abordar uma questão que deverá certamente indicar os rumos da sociedade ocidental no XXI. 
A discussão sobre a temática da sociedade pós-moderna já rendeu debates importantes no campo da sociologia, sobretudo porque afeta a todos nós, cidadãos do século XXI, já que, de uma forma ou de outra, somos peões num jogo de xadrez entre forças que estão muito além do nosso poder. 
Essas forças alimentam um movimento universal no interior do qual nos encontramos, correndo permanentemente o risco de ver nossas vidas comandadas por dinâmicas sociais que não podemos controlar.
Essa afirmação, ainda que se refira às sociedades do nosso tempo, é especialmente válida para as sociedades ocidentais.  
As relações sociais são fruto de um amálgama histórico, no qual o conjunto traduz a cultura dos povos, nas suas mais variadas organizações coletivas. Temos assim, a sociedade civil organizada, no caso igrejas, sindicatos, partidos políticos, associações culturais, beneficentes, esportivas de todas as matizes, organizações empresariais, entidades de ensino, dentre tantos outras. 
O Estado deve refletir o dinamismo social dessas organizações, sem prejuízo do seu papel de ente articulador das relações socialmente organizadas com o poder político. 
Nessa condição, como expressão dos interesses e valores sociais e como articulador desses mesmos interesses com a esfera do poder político, não se pode esquecer que o aparato estatal, neste seu papel de mediador, forçosamente sofrerá a influência dos interesses sociais organizados na formulação e execução de suas políticas públicas.
Nem poderia ser diferente, eis que os que ocupam os órgãos estatais nos regimes democráticos, são indivíduos com suas características sociais, econômicas, culturais e políticas que integram aqueles grupos acima citados.
Por que então “somos peões num jogo de xadrez entre forças que estão muito além do nosso poder”? 
Acredito que essa situação se consolidou em razão da revolução na comunicação social, realizada no terço final do século XX. A massa de atos de comunicação que envolve nossas vidas está muito além das nossas capacidades físicas e intelectuais para acompanhá-las, processá-las e para armazená-las na memória.
Além disso, a comunicação moderna é extremamente volátil. O fato relevante de hoje é passado remoto no dia seguinte. Também reduziu-se em muito a importância e eficiência das instituições antes citadas e, em consequência, a sua legitimidade no processamento e interpretação das informações.
Pensamos, agimos e reagimos, frente aos diversos temas que vida nos impõe, na vã ilusão de que somos donos de nosso destino, quando na realidade, muitas vezes estamos sendo vítimas de um mercado de consumo, que tem a capacidade de moldar nossos gostos, desejos, prazeres. 
Sem uma reação adequada seremos presas fáceis de um mercado que não mais se limitará a nos impor futilidades como se necessidades fossem, como não cessará de criar novas necessidades para o nosso exacerbado consumo.
Tal forma de construção do senso coletivo na cultura ocidental, como ensina Zygmunt Bauman (sociólogo polonês) encontra suas bases em sociedade consumista, caracterizada de forma muito evidente na tentativa alucinada da busca da felicidade no consumo frenético de tudo o que mercado oferece. É a “mão invisível” do mercado que não cessa de a cada dia estender uma nova pílula inebriante para um indivíduo cada vez mais dependente da ânsia frenética do novo. 
Somos vítimas de um método premeditado por uma indústria muito criativa que consegue criar novas necessidades a cada dia, que já nascem com prazo de validade estabelecido, pois o negócio do qual o indivíduo é mero coadjuvante não tem qualquer escrúpulo, pois o que vale mesmo, é que seja um consumidor atualizado, inteligente, ligado no seu tempo, e sensível aos recursos publicitários.