Edição do dia 19/11/2019

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Saudades deste Tempo

Valério Garcia - 25/10/2019

Todos nós, em algum momento, já ficamos parados num canto, sozinhos, lembrando de histórias e de pessoas que fizeram parte do nosso passado. Quando menos esperamos estamos rindo ou chorando sozinhos. O passado é um livro de histórias, escritas por nós mesmos, de acordo com o nosso livre arbítrio. Se ele é bom ou ruim, nossa consciência o julgará; não outras pessoas, pois ninguém sabe melhor a nossa história do que nós mesmos. Por isso que é complicado sair julgando fatos e pessoas, cada um tem motivos para seus atos e suas consequências.
Me dá saudade de muitas coisas que talvez alguns amigos possam compartilhar comigo.
Sou do tempo de brincadeiras de criança, com as próprias crianças; construir nossos brinquedos. Fazíamos carrinhos com lata de azeite, pandorgas ou pipas. As meninas também construíam seus passatempos preferidos. Competíamos no par ou ímpar, sapata, biboquê, pedra papel tesoura, pular corda...
Íamos para a escola conversando, chutando pedras e combinando o final de semana. Isto tudo a pé, não existia transporte na porta da casa. Quando chovia, bota de borracha e guarda-chuva eram nossos acessórios. Ninguém nos buscava na Escola.
A merenda levávamos de casa e a da escola era para quem realmente precisava ou queria, de livre e espontânea vontade. Éramos orientados para ajudar, levando doações da nossa casa.
Jogávamos bolita, batíamos figurinhas e na educação física, no jogo de caçador, procurávamos “matar” aquela coleguinha que infantilmente paquerávamos, para ficar mais perto de nós.
O Ricardão era o maior da turma e a Rosinha, a menor. Por merecimento tomamos alguns puxões de orelha, tapas e castigos. Sobrevivemos sem traumas. 
Final de semana o almoço era com toda família: pais, irmãos e, principalmente os avós. A comida da vó era diferenciada aos domingos! Todos tínhamos lugar certo na mesa e até alguns pedaços de carne preferidos que eram respeitados (principalmente quando se tratava de frangos). Meu avô gostava do peito do frango! 
Conversávamos entre nós! Rádio e televisão eram os instrumentos midiáticos mais sofisticados. Ganhei meu primeiro rádio como presente de Natal dos meus pais, por ter logrado aprovação por média, com boas notas. Se não fosse assim, nem rádio, nem paz de espírito nas férias. 
Participávamos do coral da Igreja e tínhamos nosso grupo de jovens. Claro que não era somente a reza que nos remetia às reuniões...
Nossos primeiros bailes ou boates, eram na garagem de algum amigo. A música era para se dançar de verdade. Até hoje elas fazem sucesso e eram tocadas em rádios gravadores com fita cassete ou nos famosos toca discos de vinil. E a gente conversava entre nós, frente a frente, olho no olho... Sabíamos o nome completo dos nossos amigos e colegas. As roupas de passeio e as roupas do dia a dia...
Citei apenas algumas coisas, mas poderia escrever muito mais. Certamente você(s) tiveram essas e outras histórias presente em suas vidas e devem falar para seus filhos, sobrinhos, afilhados; isto também é Educação. 
Concordo que os tempos são outros e as condições materiais melhoraram no mundo. Mas pergunto: e as pessoas? Bom fim de semana!