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Entidades temem por estabelecimentos com portas fechadas

Setor sempre seguiu protocolos de segurança e se sente o mais afetado durante a pandemia devido às restrições impostas

Foto: Rolf Steinhaus

Luciana Mandler
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Setor sempre seguiu protocolos de segurança e se sente o mais afetado durante a pandemia devido as restrições impostas.

A saúde vive um momento delicado. São centenas de novos casos de Covid-19 a cada semana. Os hospitais estão superlotados, não há mais vagas nos leitos de UTIs. Para tentar reduzir estes índices, tanto governantes quanto prefeitos têm tomado medidas mais drásticas, e no fim, todos estão sentindo as consequências das restrições impostas, principalmente desde que iniciou a bandeira preta. Em Santa Cruz do Sul, a apreensão assola principalmente o setor do comércio, que sequer pode receber seus clientes individualmente, pois está na classificação de serviços não essenciais.

A equipe do Riovale Jornal entrou em contato com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul (Sindilojas), Mauro Spode, e o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Cruz do Sul (CDL), Ricardo Bartz, entidades que representam a categoria, para fazer uma reflexão sobre o atual momento.

CDL

O presidente da CDL, Ricardo Bartz, destaca que jamais pensou ter que passar pelo lockdown. “Não passou pela cabeça que depois de todo o 2020 teríamos de novo que chegar nesse ponto, frisa. “Havia toda expectativa em relação à retomada econômica num todo, principalmente nas atividades comerciais do varejo”, acrescenta. “É complicado tudo isso”, completa.

Para Bartz, o setor entende a situação e sabe que o momento requer cuidados e atitudes duras no enfrentamento à pandemia, mas não há comprovação de que o avanço e aumento dos casos de contágio se deu nas atividades do comércio de varejo. “Sendo assim, não há lógica em penalizar esse segmento”, reflete.

Bartz reforça que os estabelecimentos comerciais sempre tiveram todos os cuidados e mantiveram todas as precauções no que diz respeito aos protocolos no combate à Covid-19. “Os estabelecimentos comerciais, na nossa opinião, oferecem um local seguro para os consumidores”, avalia.

Ainda de acordo com o presidente da CDL Santa Cruz, existe uma apreensão em relação à próxima semana. “Esperamos que não tenha um novo lockdown, e que na semana que vem os estabelecimentos possam reabrir suas portas ao público, mesmo que, com restrições”, finaliza.

SINDILOJAS

Para o presidente do Sindilojas, Mauro Spode, o momento é bastante delicado, mas desde o fim de ano salienta que era possível perceber uma espécie de negligência nos cuidados de combate à Covid-19, exemplifica ao mencionar o período eleitoral, festas de fim de ano (Natal e Ano Novo), além do Carnaval, recentemente. “Entendemos que estes cuidados que estamos tendo são importantes, pois a situação é grave. No entanto, desde o início da pandemia o comércio foi afetado com as exigências”, lamenta.

Ainda segundo Spode, desde o começo, o comércio tem seguido todas as medidas e causa revolta por não poder manter o funcionamento. “Nós gostaríamos, se possível, que o comércio pudesse abrir, mesmo que com restrições mais severas”, diz. “Pois com uma fiscalização mais intensa, como a que ocorreu no fim de semana de lockdown, é possível, e os órgãos públicos estão conseguindo fazer com que as pessoas não saiam, a não ser que precisem”, avalia.

Spode adianta que a Fecomércio está pleiteando para os serviços ditos não essenciais, que tenham a possibilidade de abrir de alguma forma, mesmo com mais restrições. Além disso, a entidade busca a possibilidade de conseguir para pequenos e médios empresários, o financiamento capital de giro, através do Governo Federal. “Se no ano passado os micros empresários tinham um dinheiro guardado, com a pandemia se arrastando por um ano, não deu para recuperar esses prejuízos e já iniciam restrições de novo. O financiamento dará uma ajuda”, sublinha.

Empresários pedem por flexibilização

Representantes de diversos setores que estão com seus estabelecimentos fechados realizaram uma carreata, denominada de “Somos todos essenciais”, na manhã dessa quinta-feira, 4. Foram entre 250 a 300 veículos, que contou com a participação de pessoas do comércio, academias, barbearias, salões de beleza, restaurantes, vans escolares, escolinhas, ou seja, de praticamente todos os setores considerados não essenciais.

Segundo Rafael José Hackenhaar, empresário do setor de vestuário, que foi um dos organizadores da ação, a mobilização foi boa e importante por terem sido ouvidos. Após percorrer algumas ruas da cidade, a prefeita Helena Hermany recebeu a comitiva.

“Não está fácil. Não sabemos quanto tempo vamos aguentar”, lamenta. “Já aumentaram o fechamento para mais uma semana e a Prefeita deixou claro que não poderá flexibilizar, pois o governador Eduardo Leite é quem define as ações. Assim, segue o que é decidido”, sublinha.

Rafael adianta que se continuarem por mais tempo essas regras, novas manifestações vão ocorrer.