Edição do dia 20/10/2017

EDIÇÕES ANTERIORES FOTOS VIDEOS FALE CONOSCO HISTÓRICO - Primeira Edição SANTA CRUZ EM NÚMEROS TELEFONE ÚTEIS

Últimas Notícias

Empregar RS acontece no próximo dia 27
GERAL
Unisc TV passa a exibir programação pela internet
GERAL
Educar-se realiza Noite Cultural
VARIEDADES
Abre edital para cadastramento de peritos médicos
GERAL
Serviço de odontologia no município completa 30 anos
GERAL - Em comemoração, programação especial será realizada na próxima quarta-feira
Souza Cruz abre processos de seleção para 30 vagas de estágio
GERAL - Candidatos devem ter previsão de formatura entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021
Agentes da vigilância visitarão residências para avaliar focos de Aedes Aegypti
GERAL - As larvas coletadas no Levantamento de Índice Rápido (Lira) serão analisadas no laboratório da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde
Heitor Petry assume a vice-presidência do Fórum dos Coredes RS
GERAL
Unisc figura entre as 150 melhores empresas para se trabalhar
GERAL - Essa é a 10ª vez consecutiva que a universidade aparece na lista divulgada pela revista Você S/A e pela Fundação Instituto de Administração (FIA)
Agentes visitarão residências para avaliar focos de Aedes Aegypti
SAÚDE - Todos os 38 bairros da cidade serão avaliados simultaneamente
FC SANTA CRUZ: Jantar em apoio à base é neste sábado
ESPORTES - Festa ocorre no mesmo dia em que equipe Juvenil decide vaga nas quartas do Gauchão
SRFis Unisc e Acadef fazem entrega de órteses e próteses
GERAL - Encontro ocorreu nas dependências da Unisc a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), vindos de vários municípios
Hospital Santa Cruz participa de encontro da Rede Cegonha
GERAL
Unimed VTRP é uma das melhores empresas para trabalhar
GERAL - Levantamento do ranking da Revista Você S/A foi divulgado na noite dessa terça-feira
Lifasc: Copa MD Pneus tem oito partidas pelas quartas-de-final
ESPORTES - Bola rola em uma fase decisiva da Copa Valdino Brutscher
Dois jogos abrem as quartas do Regional neste sábado
ESPORTES - Campeonato dá início a sua fase quente e decisiva
Evento mundial sobre tabaco acontece na próxima semana
GERAL - Delegações de 22 países participam em Santa Cruz do Sul do evento que não é aberto à comunidade
Daniel Zimpel é campeão estadual do Circuito Sesc
ESPORTES - Atleta da AMO/Unimed VTRP conquistou título da temporada

Iconografia: uma escrita com muitos significados

Mosteiro da Santíssima Trindade mantém viva a tradição dos ícones

VARIEDADES - 07/04/2012

Alyne Motta - alyne@riovalejornal.com.br

Alguém que mergulha no mundo ultraterreno, vivendo em companhia dos santos, para melhor exprimir o rosto e o mistério. Assim é o iconográfico, uma pessoa que “escreve ícones”, ou seja, a representação de uma personagem em pintura sobre madeira, sendo considerada sagrada e objeto de culto.

Alyne Motta

A irmã Andrea escrevendo um ícone

A palavra “ícone” deriva do grego eikóna, que quer dizer “imagem, representação, gravura ou figura”. Trata-se de uma pintura de gênero sagrado, executada sobre madeira com uma técnica particular, segundo uma tradição transmitida pelos séculos.
E essa tradição é mantida viva no Mosteiro da Santíssima Trindade, localizado em Linha Travessa, no interior de Santa Cruz do Sul. Pelas mãos da Irmã Andrea, as imagens unem a teologia, a arte, a liturgia e uma tradição canônica em sua confecção que remonta os primeiros séculos do cristianismo nascente.
Segundo a irmã, o trabalho com ícones não se preocupa com a beleza, e sim com o que os detalhes representam. Para tanto, o trabalho é todo realizado com materiais minerais, natural e vegetal. “Cada etapa mostra a relação próxima com a natureza”, explica a irmã Andrea.
O iconógrafo é um missionário da beleza incriada. Sua missão é tornar visível com traços e cores o espiritual, ou seja, o Divino. O homem que cria imagem de culto não é um artista no nosso sentido. Não cria, mas serve à presença. As imagens são reproduzidas a partir de cânones.
A confecção de um ícone é feito por pessoas familiarizadas com a vida espiritual. O costume da oração e da disciplina monástica torna importantes componentes da ação do artista. De acordo com a irmã, para que cada detalhe e expressões sejam captados, ela precisa dedicar-se exclusivamente ao trabalho.
O trabalho é feito a partir de materiais nobres e, devido a minuciosidade do mesmo, leva bastante tempo até ficar pronto, da mesma forma que torna a peça bastante cara. “Procuramos usar produtos 100% naturais, seguindo o trabalho dos primeiros iconógrafos”, explica a irmã Andrea.
A técnica foi aprendida pela monja por volta de 2005, com Dom José Velasco. “Ele fez um curso na Itália e divulgou a técnica no Brasil”, comenta Andrea. Mais tarde, como forma de aprimoramento, fez um curso com Rosana Nicoletti, uma italiana, mas que divide o tempo entre sua terra natal e a Argentina.
Atualmente não há uma exigência de que o iconógrafo seja um monge, mas que esteja intimamente ligado à Igreja, pois diz respeito somente o aspecto técnico da obra, mas toda a sua organização. Sem oração, o artista encontra-se morto para o mundo espiritual e a sua obra sempre seria sem alma.
“Para mim, é um ressurgimento a cada detalhe que escrevo em um ícone. E é isso que a técnica significa reviver sua história, se tornando uma pessoa nova”, comenta irmã Andrea. “E mais do que ressurgir, é preciso seguir um código de ética, destinado aos iconógrafos, onde se comprometem com o puro”, acrescenta.
Como os ícones são confeccionados com materiais naturais, é preciso ter muito cuidado com o local onde é confeccionado. Cerca de 6 meses após o trabalho pronto, é passado um óleo de olinfa, um produto que é absorvido pela madeira, fazendo com que os animais não destruam o ícone. Após pronta, a obra é abençoada, para que se torne sagrada.