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Rio 2016: Três mulheres, três campeãs

Natália e Sabine carregarão a tocha olímpica. E saiba por que Bruna Molz cancelou sua participação

GERAL - 25/06/2016

Nelson Treglia
nelson@riovalejornal.com.br

Os Jogos Olímpicos são repletos de grandes histórias e acontecimentos. E, para carregar a tocha olímpica, não pode ser de outra forma: é preciso ter uma história de vida que faça a diferença. Dia 5 de julho, entre os condutores da tocha em Santa Cruz do Sul, duas campeãs farão parte da festa: Natália Eidt e Sabine Heitling.

Por outro lado, há quem tenha desistido de carregar o símbolo máximo do esporte. E por uma causa muito nobre: a dos animais. É o caso de Bruna Molz. Confira o que estas três jovens mulheres têm a nos contar.

Sabine terá uma companhia especial

 

Gestante de 7 meses, Sabine Heitling conduzirá a tocha à espera do filho LeonardoGestante de 7 meses, Sabine Heitling conduzirá a tocha à espera do filho Leonardo Crédito: Divulgação/RJ

 

Uma das maiores esportistas formadas em Santa Cruz do Sul, a corredora Sabine Heitling vai carregar a tocha olímpica na cidade dia 5 de julho. Ela foi indicada pela Prefeitura, através do Departamento de Esportes. “A indicação foi levada para o Comitê Olímpico Brasileiro, que concordou plenamente com a escolha, pela minha relação de títulos ao longo desses 17 anos de atletismo, 15 anos deles representando a Seleção Brasileira”, explica Sabine, medalha de ouro nos 3 mil metros com obstáculos no Pan-Americano de 2007, realizado no Rio de Janeiro, cidade sede dos Jogos Olímpicos 2016.

Além dessa grande façanha no Pan, Sabine conquistou diversos títulos no atletismo: pentacampeã brasileira, campeã sul-americana e iberoamericana, entre outros. A santa-cruzense continua sua carreira como atleta profissional na equipe Pé de Vento (RJ) e segue como sargento do Exército Brasileiro. “Estou de licença gestante”, revela Sabine Heitling, que será mãe em breve. Mas como é viver este momento próximo de carregar a tocha olímpica? A atleta responde: “Alegria em dobro, pois estou gestante de 7 meses do meu primeiro filho Leonardo. Sem dúvida, será uma emoção muito grande e um fato histórico para meu filho, que já estará em um momento tão mágico antes mesmo de nascer”.

Para ela, carregar a tocha olímpica “é uma honra, todos sabemos dos valores morais que ela traz consigo e a sua representação para os Jogos Olímpicos, um sonho”.


Natália: o reencontro com os Jogos Olímpicos

 

Natália Eidt e o diretor do Colégio Mauá, Nestor RaschenNatália Eidt e o diretor do Colégio Mauá, Nestor Raschen Crédito: Junio Nunes

 

Atleta olímpica. Orgulho de Santa Cruz. Esta é Natália Eidt. No ano 2000, a jovem que tantas vezes defendeu as cores do Colégio Mauá, disputou os Jogos Olímpicos de Sydney na ginástica rítmica. Natália vai conduzir a tocha olímpica em Santa Cruz. Esta possibilidade partiu da professora Doutora Katia Rubio, da Universidade de São Paulo (USP). Katia lançou este ano um livro intitulado “Atletas Olímpicos Brasileiros”, e estuda o espírito olímpico entre outras linhas de pesquisa. “Ela iniciou uma campanha para que todos os atletas e ex-atletas olímpicos fossem convidados a conduzir a tocha. O COB, como resposta, pediu para que os atletas interessados entrassem em contato. Foi desta maneira que fui convidada. Não foi por nenhum patrocinador, e sim pelo Comitê Olímpico Brasileiro”, relata Natália. 

“Todas as conquistas na minha carreira foram especiais”, garante. Ela foi campeã estadual, brasileira, sul-americana, pan-americana, dos Jogos Pan-Americanos e finalista olímpica em Sydney, além de garantir medalhas em Grand Prix e torneios internacionais. “Com certeza, a final olímpica foi a conquista mais importante! E até hoje, sou a atleta mais nova da delegação brasileira a ter participado de uma edição de Jogos Olímpicos”, ressalta Natália. Atualmente ela estuda na USP, onde pretende seguir a área acadêmica (mestrado e doutorado). Ela trabalha em São Paulo como personal trainer, especializada em dor.

“Conduzir a tocha significa muito para mim. A ginástica sempre teve um lugar muito especial na minha vida. Será emocionante poder estar próxima da chama olímpica novamente, já que estive próxima dela em Sydney”, diz Natália Eidt.


Indignação de Bruna

 

Dedicada à causa animal, Bruna Molz desistiu de participar do revezamento da tocha olímpica Dedicada à causa animal, Bruna Molz desistiu de participar do revezamento da tocha olímpica Crédito: Divulgação/RJ

 

“Não irei mais participar do revezamento da tocha olímpica em Santa Cruz do Sul, e muito menos o Cabeção”, escreveu nesta semana Bruna Molz, em sua página no Facebook. Para entender melhor a situação, é preciso voltar um pouco no tempo. Bruna havia sido indicada pela Coca-Cola para conduzir a tocha em Santa Cruz. A multinacional levou em consideração a história de vida da ex-princesa da Oktoberfest, de grande dedicação à causa dos animais. Entre outras belas histórias, ela resgatou o cachorro Cabeção, que sobreviveu a tiros de espingarda e a larvas no crânio. “Para mim, as minhas principais realizações são as mais de 800 vidas que salvei, atuante na causa de proteção animal na cidade e na região”,  destaca Bruna.

Na última terça-feira, ela resolveu cancelar sua participação na condução da tocha olímpica em Santa Cruz. O motivo? A morte de Juma, a onça que participou de uma cerimônia com a tocha em Manaus. Juma foi abatida com um tiro de pistola no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). Junto com outra onça, apelidada de Simba, ela havia sido acorrentada e exibida ao público durante o evento olímpico. No Facebook, Bruna Molz usou palavras contundentes: “É com muita tristeza e dor no coração que escrevo esse texto. Mas não é tristeza por não correr os 200 metros carregando a tocha olímpica, e sim pela morte da onça Juma, que foi cruelmente exposta e morta pela ignorância desse circo que está sendo montado em torno das Olímpiadas no Brasil!”

Bruna questionou: “Como participar do revezamento da tocha levantando a bandeira da causa animal, sendo que permitiram levar um animal selvagem para o evento, expondo-o como se fosse brinquedo para depois matar?” Ela também argumentou com as seguintes palavras: “Gente, a Força Nacional estava barrando a participação do Cabeção pois ele representava uma ‘ameaça’ às pessoas (um cachorro extremamente dócil, adestrado, acostumado com pessoas e eventos, pois do contrário JAMAIS permitiria a presença dele ou qualquer coisa que fosse-o fazer mal). Como permitiram levar um animal selvagem que era ÓBVIO que se assustaria?”