Luta pela atenção psicossocial

Movimento busca reduzir número de internações e incluir pacientes novamente na sociedade

SAÚDE - 19/05/2017

Viviane Scherer Fetzer
viviane@riovalejornal.com.br

Dia 18 de maio é uma data marcada nacionalmente pela Luta Antimanicomial, também conhecida como Reforma Psiquiátrica. Para marcar a data, o Riovale Jornal vai publicar uma série de matérias sobre saúde mental e as formas de atenção disponibilizadas pelo Sistema único de Saúde (SUS). O movimento iniciou no final da década de 80 e se caracteriza pela luta pelos direitos das pessoas com sofrimento mental. A Reforma Psiquiátrica foi definida pela Lei 10216 de 2001, como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, transferindo o foco do tratamento que se concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos. A ideia principal é de que as pessoas não sejam isoladas porque têm o direito fundamental à liberdade, o direito de viver em sociedade e o direito de receber cuidado e tratamento sem que tenham que abrir mão de seu lugar como cidadãos. Para isso foi criada a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que são pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Crédito: Reprodução/RJ

A RAPS tem como objetivos específicos a promoção dos cuidados em saúde particularmente aos grupos mais vulneráveis (criança, adolescente, jovens, pessoas em situação de rua e populações indígenas); a prevenção do consumo e a dependência de crack, álcool e outras drogas; a redução de danos provocados pelo consumo de crack, álcool e outras drogas; a reabilitação e a reinserção das pessoas com transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas na sociedade, por meio do acesso ao trabalho, renda e moradia solidária; mas ainda inclui a melhoria dos processos de gestão dos serviços, parcerias intersetoriais, entre outros. É formada pelo CAPS II, CAPS AD III (álcool e outras drogas), CAPSIA (Infância e adolescência), residenciais terapêuticos, consultório na rua, programa de redução de danos, Unidade de Acolhimento Infanto-Juvenil (UAI), Unidade de Acolhimento Adulto (UA), Leitos de saúde mental em hospitais gerais.

O Movimento tem como meta substituir progressivamente os hospitais psiquiátricos tradicionais por internação em Hospitais Gerais e serviços abertos de cuidado e tratamento, como os oferecidos pela RAPS. No geral o SAMU, UPA, Hospitalzinho, PA Unidades Básicas, compõem  essa rede, que atende a população de todas as faixas etárias e dá apoio às famílias, promovendo autonomia e desinstitucionalização. E vai muito além dos serviços de saúde, porque envolve ações sociais, de cidadania, de educação, trabalho e renda, além de incluir esses cidadãos na sociedade. Conforme o Relatório "Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil" (MS, 2005), o número de leitos reduziu de 75.514 em 1996 para 42.076 em 2005. Ao passo que o número de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) aumentou de 92 em 1996 para 689 em 2005.

Segundo Marliza Schwingel, psicóloga, o CAPS II é um dos dispositivos da proposta da reforma psiquiátrica que serve para atender pessoas doentes mentais ou com transtorno psíquico. “A proposta da reforma psiquiátrica é justamente mudar o foco de que o paciente psiquiátrico teria que ser atendido dentro de um hospital só pela psiquiatria, tirando ele do convívio social e familiar, o doente mental era escondido”, explica Marliza. A reforma, segundo Marliza, defende que esses pacientes não devem ser mantidos em asilos e excluídos da sociedade. “Nisso entra o CAPS II, que não somente realiza o tratamento, mas também busca reinserir essas pessoas no mercado de trabalho, no convívio familiar e em demais situações do cotidiano”, salienta Marliza.

Muito se ouviu em outras épocas histórias de pessoas sendo levadas para a Clínica Vida Nova, em Santa Cruz do Sul, o Hospital Psiquiátrico de Juqueri, em São Paulo e no Hospital Psiquiátrico São Pedro, de Porto Alegre. Elas eram levadas e as famílias, na maioria das vezes abandonavam. A reforma discute se esses lugares são os únicos para tratar os doentes e pacientes com sofrimento psíquico. “Aqui em Santa Cruz temos egressos da Clínica Vida Nova que agora moram na Casa Irmãos Koch e recebem atenção do CAPS II”, explica Marliza. Hoje os hospitais psiquiátricos contam com o programa do Ministério da Saúde, ‘De volta pra casa’, que dá uma aposentadoria aos pacientes que saem para que sirva de recurso para ajudar a família.

A Reforma Psiquiátrica, em Santa Cruz do Sul, iniciou em 1997, com a implantação do CAPS II e desde então, diminuíram, sensivelmente, os números de internações, melhorou a qualidade de vida da família e paciente, e possibilitou o resgate da cidadania e protagonismo deste usuário.

Em Santa Cruz do Sul, a RAPS – Rede de Atenção Psicossocial, preconizada pelo Ministério da Saúde, existe quase em sua integralidade, pois possui: CAPS AD III, CAPSIA, CAPS II, Residenciais Terapêuticos, consultório na rua, programa de redução de danos, está com a Unidade de Acolhimento Infanto-Juvenil (UAI) aguardando implantação e posterior habilitação no Ministério da Saúde. Foi solicitada, também, a Unidade de Acolhimento Adulto (UA), no Ministério da Saúde, e está dependendo do investimento para implantação. Possui convênio com a Comunidade Terapêutica Recomeçar, em que os pacientes que necessitam deste tipo de tratamento, são encaminhados pelo CAPS AD III.

O município, através da secretária de Saúde, Renice Coimbra, destaca que “esta atenção que a RAPS possibilita, junto com o trabalho em rede com a atenção básica, demais Secretarias e sociedade civil, garante que o usuário da Saúde Mental tenha um tratamento humanizado, restabeleça alguns vínculos familiares e evita, em muitos casos, a necessidade de internação psiquiátrica. Como reforça a coordenadora de saúde mental do município, Juliana Schenkel, “até porque faz parte da recuperação do paciente toda essa ressocialização com o resgate da cidadania, não adianta tratar ele e deixar enclausurado”, Juliana.

 


 

GASTOS MENSAIS MÉDIOS

 

CAPS II

CAPSIA

CAPS AD

RECOMEÇAR

RESIDENCIAIS

MUNICÍPIO

R$ 132.936,02

R$ 67.442,32

R$ 54.075,82

R$ 49.215,00

R$ 15.000,00

ESTADO

R$ 0,00

R$ 0,00

R$ 35.600,00

R$ 0,00

R$ 20.000,00

UNIÃO

R$ 33.086,25

R$ 32.130,00

R$ 105.998,34

R$ 0,00

R$ 0,00

 

R$ 166.022,27

R$ 99.572,32

R$ 195.674,15

R$ 49.215,00

R$ 35.000,00

 

 


 

Transtorno de ansiedade: a ansiedade é uma reação normal do ser humano a situações que provocam medo, dúvida ou expectativa. Porém, quando a ansiedade persiste por longos períodos de tempo e interfere muito nas atividades diárias, é encarada como um transtorno que demanda tratamento. São sintomas do transtorno de ansiedade generalizada:

  • Preocupação excessiva que interfere no trabalho, escola, vida familiar ou social;
  • Dificuldade de controlar o sentimento de preocupação;
  • Inquietação;
  • Fadiga;
  • Dificuldade de concentração;
  • Insônia;
  • Sintomas físicos não causados por outra doença (dor de cabeça, palpitações, desconforto abdominal, tonturas, tremores, boca seca).

 

Transtorno do pânico: caracteriza-se por crises inesperadas de ansiedade e medo intenso de que algo ruim aconteça, mesmo sem nenhum motivo ou sinal de perigo imediato, e que acontecem repetidas vezes. Geralmente as crises duram apenas alguns minutos, mas podem ser assustadoras e incapacitantes, pois a pessoa tem a sensação de que vai morrer, perder o controle ou enlouquecer. Por serem as crises imprevisíveis, as pessoas com o transtorno vivem em constante tensão, podendo desenvolver medo de ficar sozinhos, sair de casa ou de frequentar locais onde o socorro poderia ser difícil (ônibus, multidões). Isso limita suas atividades, podendo inclusive levar à depressão. Os sintomas de uma crise de pânico começam de repente e podem ser:

  • Medo de morrer, perder o controle e enlouquecer;
  • Despersonalização (impressão de desligamento do mundo exterior, como se a pessoa estivesse vivendo um sonho);
  • Dor e/ou desconforto no peito que podem ser confundidos com os sinais do infarto;
  • Palpitações e taquicardia;
  • Sensação de falta de ar e de sufocamento;
  • Sudorese;
  • Náusea ou desconforto abdominal;
  • Tontura;
  • Ondas de calor e calafrios;
  • Adormecimento e formigamentos;
  • Tremores.



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