TEMER: Deputados da região têm opiniões divergentes

Enquanto Sérgio Moraes (PTB) diz preferir uma eleição direta através de uma PEC, Heitor Schuch (PSB) espera que Temer renuncie e evite novo processo de impeachment

POLÍTICA - 19/05/2017

Guilherme Athayde
guilherme@riovalejornal.com.br

Os deputados federais que representam Santa Cruz e região na Câmara, Heitor Schuch (PSB), e Sérgio Moraes (PTB), discordam de como a situação do país deve ser resolvida no momento, após o presidente Michel Temer ser alvo de graves denúncias de corrupção.  

Ambos concordam apenas que não é possível a continuidade do atual governo, que assumiu de forma indireta após o impeachment de Dilma Roussef (PT).

Para Moraes, os deputados precisam aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), para que eleições diretas fossem disputadas. O ex-prefeito de Santa Cruz acredita que é possível que a proposta seja viável, caso o Congresso demonstre interesse, para que o povo possa escolher os rumos do país a partir de uma nova disputa eleitoral.

Sérgio e Heitor concordam que Temer deve sair
Sérgio e Heitor concordam que Temer deve sair
Crédito: Arquivo/RJ

"É a única saída que existe. Que legitimidade nós (os deputados) temos hoje pra fazer o novo presidente? Teríamos que fazer uma eleição direta. Mudar a Constituição, abrir prazo para os candidatos se apresentarem, fazer um programa de TV de 20 dias e daqui a 60 dias pode já ter o novo presidente eleito". Moraes relata também ser contra um mandato-tampão até as novas eleições em 2018.

"Porque aí o sujeito vai chegar lá eleito e em um ano e cinco meses não vai conseguir fazer nada. Já vai trabalhar pra reeleição dele", argumenta o petebista.

Já o deputado do PSB, Heitor Schuch, revela que seu partido se posicionará nesta sexta-feira, 19, após reunião extraordinária. De acordo com suas impressões, o partido irá se decidir por uma renúncia de Michel Temer, aguardando a eleição indireta de um novo presidente pela Câmara e pelo Senado.

"Para não colocar o país de novo em todo esse processo de impeachment, de luta judicial, de discussão, a economia apanha, o desemprego não diminui". 

Caso o atual presidente deixe o cargo através de renúncia, quem assume o cargo é Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente do Congresso Nacional. O parlamentar também está envolvido nos processos da Operação Lava Jato, alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) em virtude das delações envolvendo a empreiteira Odebrecht.

Heitor Schuch diz que sua preferência seria que o Supremo Tribunal Federal (STF) tomasse uma decisão sobre o novo presidente da República, da mesma forma que fez nas situações do senador Aécio Neves (PSDB-MG), e do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), após as denúncias terem vazado ao público na quarta-feira no site do jornal “O Globo”.

Apesar da preferência, Schuch acha a possibilidade remota. "A Constituição é bem clara. Se o presidente renunciar, assume o presidente da Câmara. Mas ele está sendo investigado pela Lava Jato. Se ele tivesse a grandeza política que eu acho que ele não tem, ele diria 'olha, não vou assumir a Presidência, assume a presidente do STF', que é a Carmem Lúcia, mas eu acho que ele não vai fazer isso", prevê o deputado gaúcho.

 


 

Líder do PMDB em Santa Cruz pede punição aos culpados

Luana Ciecelski
luana@riovalejornal.com.br

Vereador do PMDB espera que o momento sirva de aprendizagem
Vereador do PMDB espera que o momento sirva de aprendizagem
Crédito: Julio Mello

Um dos principais nomes do PMDB em Santa Cruz do Sul, o vereador Alex Knak se manifestou sobre todas as informações e denúncias que vêm sendo divulgadas nos últimos dias. Se posicionando não em nome do partido, mas como um cidadão, como ele mesmo fez questão de ressaltar, Knak disse que independentemente de partidos, ele espera punição para a corrupção. “Eu fico na espera para que sejam feitas maiores investigações e espero, sinceramente, que os corruptos sejam condenados. Independente de partido”, exprimiu. 

Ele apontou que essa, aparentemente, é a vontade do próprio Temer. “Em seu pronunciamento hoje de tarde (tarde de quinta, 18) ele pediu agilidade no esclarecimento de todas essas questões”, lembrou. Mas Alex não sabe dizer ao certo o que, de fato, deve acontecer daqui pra frente, se Temer deve completar o mandato ou não. Lembra, no entanto, que quando houve a queda da presidente Dilma Rousseff, ele foi um dos que defendeu novas eleições. “Esse já era o meu posicionamento lá atrás”, comenta ele. 

Alex ainda se disse triste com a situação da política do país, porém, vê um lado positivo nessa situação toda. “Tudo isso deve servir de exemplo para que os brasileiros aprendam a confiar nos políticos que merecem sua confiança. Fica um legado para as próximas eleições. Um legado de que são necessários mais princípios, mais transparência, mais honestidade”, diz.



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