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Caminhoneiros sinalizam para uma nova greve

Com o aumento no preço do diesel uma paralisação poderá ocorrer no dia 29 de abril

ECONOMIA - 23/04/2019

Além do aumento do diesel, o preço mínimo do frete é desrespeitadoAlém do aumento do diesel, o preço mínimo do frete é desrespeitado Crédito: Rolf Steinhaus

Rosibel Fagundes
rosibel@riovalejornal.com.br

A semana deverá ser decisiva para uma possível nova greve dos caminhoneiros. A manifestação que ocorreria no dia 21 de maio, foi previamente agendada para a próxima segunda-feira, 29 de abril, em virtude do novo aumento de R$ 0,10 do litro do diesel anunciado pela Petrobras na última quarta-feira, 17.  O anúncio ocorreu dias após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ter suspendido o aumento. O reajuste de 4,84% do diesel, e o não cumprimento de regras do piso mínimo para o frete desde o ano passado podem ser os motivos que levam à paralisação. 
Para o representante do Sindicato de Transportes de Cargas e Logística do Vale do Rio Pardo, Alaor Canêz, ainda é cedo para se falar em uma paralisação. “A gente ainda não sabe o teor de verdade sobre esta mobilização e se o que estão falando de fato vai ocorrer. No presente momento estamos aguardando, mas acredito que até lá o governo já tenha tomado providências a pedido dos motoristas autônomos”. Segundo Canêz, atualmente o maior problema dos motoristas autônomos é a variável do preço do diesel. “A gente nunca sabe quando vai subir o preço do diesel, nem da gasolina. Ao contratarmos um caminhão para fazer um frete é combinado um valor e ao chegar ao final do trajeto é outro valor. Estamos com dificuldades junto às indústrias para prevalecer os valores acertados com os motoristas por que nós que somos do ramo de transporte de cargas somos um mero repassador do frete. A gente consegue um aumento junto à indústria e repassa para o motorista, e este é um empecilho que nós temos. Pois o governo ainda não decidiu se vale ou não essa tabela”, afirmou Canêz.  
Sobre os impactos da greve na economia ele adianta que seriam grandes. “Estamos em plena safra de grãos, e isto iria prejudicar bastante. Não só de grãos, mas o efeito da paralisação na economia de todo o país deverá se estender até os meses de junho e julho, e isto com certeza traria problemas muito sérios. Volto a dizer, as regiões que dependem da safra de grãos são as mais comprometidas, pois onde vamos estocar este produto? E como vamos fazer para retirar este produto da lavoura?  Com certeza faria um estrago muito grande na economia brasileira de grãos principalmente”. 
Na tentativa de evitar uma paralisação nacional, na mesma dimensão da que ocorreu em maio de 2018, que consequentemente prejudicou o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do país nesta semana a ministra da Agricultura, Tereza Cristina e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, devem se reunir com líderes de caminhoneiros para dar encaminhamento às medidas apresentadas pelo governo na semana passada. 

Pacote do Governo

O Pacote apresentado pelo Governo Federal na última terça-feira 16, inclui as seguintes medidas a favor da categoria.
- Os caminhoneiros autônomos terão uma linha de crédito no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de R$ 500 milhões disponíveis. Serão R$ 30 mil por caminhoneiro autônomo, com no máximo dois caminhões em seu CPF.  Os recursos são para a compra de pneus e manutenção do veículo (as condições de pagamento, prazos e juros não foram informadas pelo Governo).
- Serão liberados R$ 2 bilhões para investimentos em rodovias. Deste montante, R$ 900 milhões serão aplicados em manutenção e conclusão de obras importantes que estão em andamento. Entre as obras previstas, está a pavimentação até Mirituba (PA) da BR-163, que liga o Pará ao Rio Grande do Sul.