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Fotografia & História: união apaixonante

ESPECIAIS - 30/04/2019

Irineu Di Mario: fotógrafo e professor de Ciências HumanasIrineu Di Mario: fotógrafo e professor de Ciências Humanas Crédito: Arquivo Pessoal     Di Mario fotografou o modelo Fidel Helfer na parte superior da Casa Regina SimonisDi Mario fotografou o modelo Fidel Helfer na parte superior da Casa Regina Simonis Crédito: Irineu Di Mario

Nelson Treglia
nelson@riovalejornal.com.br

Irineu Mário dos Santos é mais conhecido como Irineu Di Mario. Atualmente ele desempenha o trabalho de professor estadual da área das Ciências Humanas, que reúne as disciplinas de História, Geografia, Sociologia e Filosofia.
A criação do nome “Irineu Di Mario” aconteceu nos anos 90. No início daquela década, ele começou o trabalho em estúdio e também passou a prestar serviços de fotografia ao ‘Riovale Jornal’. “Precisava de um nome mais simples, uma espécie de codinome. Consultando um amigo, surgiu este ‘Irineu Di Mario’ que deu muito certo. Algumas pessoas hoje me conhecem apenas pelo nome artístico, algo comum entre os fotógrafos”, explica Di Mario.
Para o Dia do Trabalhador, o ‘Riovale’ entrevistou o fotógrafo e professor, que fala sobre a união destas profissões, ambas ligadas à área cultural. Leia a entrevista:

Riovale - Como iniciou a paixão pela fotografia e pela história? Quem inspirou você a seguir essas áreas?
Di Mario -
Na adolescência, eu tive os primeiros contatos com fotografia através do meu irmão mais velho, ele comprava livros e revistas com este tema e eu me encantei; desde então passei a me interessar e fiz alguns cursos na época à distância. Aprendi a revelar e ampliar na condição autodidata, uma maneira árdua mas bastante eficaz de aprender (aprender fazendo).
Mais tarde conheci a fotografia do fotógrafo francês Cartier-Bresson, inclusive estou lendo a biografia dele (“O olhar do século” - autor: Pierre Assoline. L&PM pocket. 2012). A fotografia de Bresson me chamou por ser uma fotografia em movimento e esta característica permanece na maioria das minhas fotos até hoje, também tenho como grande inspiração os mestres Albert Watson (fantástico), Steven Meisel, Hulmut Lang, Mario Testino, Bruce Weber, e os brasileiros Bob Wolfenson e Sebastião Salgado.

Riovale - Fotografia e história são duas áreas de grande relevância cultural. Você é uma pessoa que se interessa por cultura e arte? Por quê?
Di Mario -
Sem dúvida sempre tive interesse pelas artes, leio livros de artes dos grandes mestres pois nelas encontramos inspiração para o uso da luz e poses. Sempre que viajo, costumo visitar museus e galerias. Nas obras de arte, o homem encontra a forma mais genuína e original de mostrar como ele vê o mundo. É assim desde a Antiguidade, a arte rupestre é um exemplo disso. Durante a graduação em História, o meu interesse pela disciplina de História da Arte e História do Patrimônio contribuíram bastante em termos de teoria implementado ainda mais esta paixão pelas imagens.
Infelizmente aqui no interior não existe muito campo para a fotografia artística, mas com a internet podemos estar conectados para o mundo. A fotografia de estúdio e retratos é o meu principal foco.

Riovale - Em relação aos teus alunos, qual o retorno que você recebe deles? Como é a satisfação de repassar conhecimento e ver que eles estão aprendendo? 
Di Mario -
Ser professor tem alguns retornos que só esta profissão nos proporciona: a oportunidade de interagir com os adolescentes e perceber que eles conseguem construir a partir daquilo que trabalhamos. A satisfação é grande, a sala de aula me permite ser aquele Irineu que fala bastante (risos) porque normalmente sou bastante calado. Mas precisamos estar atentos ao dinamismo do mundo atual e entender que a sala de aula hoje precisa estar conectada com as tecnologias, com o que está acontecendo em termos de ideias, e entendo que a liberdade de pensar e construir opinião é fundamental. Jean Paul Sartre disse: “O homem está condenado a ser livre... e é responsável pelo seu futuro...”.

Riovale - Você, como uma pessoa ligada a áreas culturais, entende que nosso país precisa investir mais na cultura para superarmos problemas históricos que infelizmente nos acompanham?
Di Mario -
Infelizmente, no Brasil a arte é tratada pelos nossos governos como gasto supérfluo e não como um investimento. O descaso também está presente na questão do patrimônio público. O incêndio do Museu Nacional, por exemplo, foram 200 anos de história perdidos. Procuro colocar em meus trabalhos o cenário, as fachadas dos prédios antigos. A memória patrimonial é uma maneira de preservar o passado e a cultura de um povo. Gosto muito de usar aqui na cidade as fachadas de prédios antigos como cenários para as sessões de fotos. Alguns, inclusive, já não existem mais como é o caso daquele pavilhão que tinha junto à Viação Férrea, hoje dá lugar à Praça Siegfried Heuser. Estou produzindo trabalhos para uma futura mostra fotográfica.

Riovale - Você já teve a possibilidade de juntar essas duas paixões, a história e a fotografia em algum projeto, em alguma ação? Como isso aconteceu?
Di Mario -
Nelson, recentemente, fiz isso na Semana da Consciência Negra em novembro passado, na minha escola juntamente com mais três colegas: as professoras Fabiane de Camargo, Ana Gens e Doraci da Silva. Organizamos uma semana inteira de atividades na biblioteca da escola e dentre estas fiz um ensaio fotográfico em que convidei algumas alunas e alunos afrodescendentes e brancos. Neste trabalho o foco foram os penteados e turbantes (a discussão sobre apropriação da cultura africana). Usamos tecidos trazidos de Angola pela colega Doraci, essa mostra fotográfica foi muito significativa pra mim e também para os educandos, eles encontraram uma valorização pessoal neste trabalho. Fotografar pessoas é uma satisfação. As “imagens conversam”.
Procuro trabalhar bastante as imagens nas minhas aulas. Hoje a fotografia faz parte da metodologia, sobretudo na área das Humanas.