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"Município ideal para empreender e viver"

Secretário César Cechinato faz uma análise da realidade econômica de Santa Cruz, estado e país

ESPECIAIS - 24/05/2019

Nelson Treglia
nelson@riovalejornal.com.br

O Dia da Indústria é comemorado no dia 25 de maio em todo o Brasil. Para fazer uma análise sobre a realidade industrial e econômica de Santa Cruz do Sul, do estado e do país, o ‘Riovale Jornal’ entrevistou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, César Cechinato, integrante da administração do prefeito Telmo Kirst.
Segundo Cechinato, Santa Cruz se mantém forte na área econômica, mesmo com a crise que assolou o Brasil nos últimos anos. Mesmo no período de recessão do país, o município seguiu firme, em grande parte devido à sua capacidade industrial, caracterizada pela pujança do setor do tabaco. 
“A indústria, mas também toda a cadeia produtiva do tabaco, tem uma grande importância histórica e também no atual momento econômico de Santa Cruz do Sul, e do Vale do Rio Pardo”, afirma Cechinato, na entrevista que você confere a seguir:

Riovale - Cechinato, como pode ser avaliado o atual momento econômico de Santa Cruz do Sul? É uma fase positiva? Por quê?
Cechinato -
O Brasil sofreu uma profunda recessão entre 2014 a 2016, e um crescimento pífio em 2017 e 2018. Neste período, 2014 a 2018, o PIB nacional encolheu 4,14%. Entretanto pela características de seu perfil econômico, principalmente de sua indústria, Santa Cruz do Sul sofreu muito pouco em termos de renda e empregabilidade. Diferente até das principais cidades do RS, atraímos neste período, empresas de fora do Estado, e do próprio Estado, que aqui geraram mais postos de trabalho, compensando outros setores da nossa economia, que sofreram alguma oscilação frente à forte recessão nacional. Tudo isso, de certa forma, traduz-se na posição destacada que Santa Cruz vem ocupando nos diversos rankings nacionais. Em outubro de 2018, a Revista Exame (principal revista de economia e negócios da América Latina) classificou Santa Cruz do Sul, a 20ª melhor cidade do Brasil para se investir e fazer negócios. A segunda do RS, somente atrás de Porto Alegre, que possui 1,5 milhão de habitantes. Hoje, qualquer investimento que tenha como direção o RS, terá que olhar obrigatoriamente para Santa Cruz do Sul por seus diferenciais competitivos e qualidade de vida.

Secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, César CechinatoSecretário municipal de Desenvolvimento Econômico, César Cechinato Crédito: Viviane Scherer Fetzer

Riovale - No que se refere à geração de empregos, Santa Cruz possui uma situação privilegiada, na sua opinião? Por quê?
Cechinato -
Neste período (2014 a 2018) de forte recessão e/ou pífio crescimento, o Brasil extinguiu 2,5 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, onde o Rio Grande do Sul contribuiu também com a extinção de 130 mil empregos. Municípios com forte e tradicional base industrial como Caxias do Sul, Canoas e Gravataí, por exemplo, extinguiram 20 mil, 11 mil e 6 mil postos de trabalho, respectivamente. Em Santa Cruz do Sul, neste mesmo período, o número de trabalhadores com carteira assinada manteve-se estável, praticamente inalterado. Os segmentos que reduziram investimentos, extinguiram postos de trabalho, foram compensados pela chegada de novas empresas, e pelos investimentos de empresas locais. Em o Brasil e o Rio Grande do Sul voltando a crescer, Santa Cruz larga em condições vantajosas, pois consolidou sua imagem junto a investidores como município ideal para empreender e viver.

Riovale - A presença da indústria do tabaco no município está diretamente ligada à boa qualidade de vida da população santa-cruzense? Qual sua avaliação nesse sentido?
Cechinato -
A indústria, mas também toda a cadeia produtiva do tabaco, tem uma grande importância histórica e também no atual momento econômico de Santa Cruz do Sul, e do Vale do Rio Pardo. Ainda é, e vai continuar sendo, o principal segmento da nossa economia, mesmo com todos os esforços e direcionamento para a diversificação da economia. Apesar do processo acelerado de desindustrialização da economia brasileira, ainda é a indústria de transformação que emprega grandes contingentes e paga bons salários. Em Santa Cruz do Sul, a indústria de transformação representa 28% do total de 38.752 trabalhadores (em 01/01/2019), com carteira assinada. Do total de trabalhadores da indústria de transformação do município, as indústrias de processamento de tabaco e cigarreiras representam um terço do contingente, isto sem contar os 6,2 mil trabalhadores safristas, cujos contratos, têm prazos de 5 a 7 meses. Este contingente de trabalhadores, juntamente com os demais elos da cadeia produtiva do tabaco (agricultores, transportadores, fornecedores de insumos,…) que compõem o sistema integrado de produção, e com a contribuição de outros setores industriais, foram o principal vetor que conduziram à destacada posição de Santa Cruz no PIB gaúcho ao longo de décadas, e na boa qualidade de vida que apresenta.

Riovale - Tentativa de reformas e contingenciamento de gastos têm caracterizado o governo Bolsonaro. O senhor entende que essas políticas vão beneficiar a economia brasileira, e também a indústria nacional?
Cechinato -
Uma reforma previdenciária ampla é fundamental para a volta de investimentos e consequente geração de empregos. O Estado obeso e ineficiente é hoje o maior empecilho do crescimento relevante e sustentável. Além da reforma previdenciária, é fundamental que ela venha acompanhada de uma reforma tributária para melhorar a produtividade e a competitividade da indústria nacional.
As medidas contracionistas, a maioria delas necessárias, do Governo Bolsonaro, deveriam vir acompanhadas de medidas pontuais de incentivos a setores intensivos de mão de obra, desburocratização, ampliação de parcerias público-privadas e concessões, sob pena de intensificarem, mais ainda, o quadro dramático do emprego no país. O Brasil, e o nosso Estado, vivem um processo de violenta e rápida desindustrialização, que precisa ser contido mediante políticas de incentivos à produtividade, com fortes investimentos em educação e infraestrutura.

Riovale - No âmbito estadual, como o senhor analisa o trabalho do governador Eduardo Leite, na área econômica?
Cechinato -
O governo está implementando a agenda apresentada na campanha. Encontrou o Estado em colapso financeiro, situação construída ao longo de vários governos. Num primeiro momento está ampliando a oferta de ativos através da venda de estatais para possibilitar a adesão ao regime de recuperação fiscal, equacionando a negociação da gigantesca dívida com a União Federal. Para o Estado voltar a receber investimentos é necessário melhorar e ampliar a infraestrutura, o que vai ser feito através de concessões (RSC-287 entre elas) e parcerias. Melhorando o ambiente de negócios e de atração de novos investimentos, o Governo vai lentamente regularizar o fluxo de pagamentos para a saúde (por exemplo) e em seguida restabelecer o fluxo normal de pagamento dos servidores. É fundamental que estas medidas sejam implementadas nos primeiros 18 meses de gestão, e está colocando toda sua energia e articulação nestes projetos para tirar o RS desta situação falimentar.

Riovale - Quais os principais desafios de Santa Cruz na área econômica, e particularmente na indústria? A defesa da cultura do tabaco é essencial para a manutenção do nosso crescimento?
Cechinato -
É fundamental protegermos e incentivarmos o que nos manteve em situação relativamente confortável neste período de recessão e baixo crescimento no Brasil. O poder público municipal em parceria com as entidades empresariais e demais instituições vão continuar a implementar ações buscando a diversificação e o crescimento da nossa economia. Nos últimos anos nos tornamos também um centro regional de compras e serviços, um polo de saúde, de ensino, de tecnologia. O turismo nos proporcionará grandes investimentos e empregos. O setor de logística já responde por quase 10% da geração de impostos do município. A indústria nos trouxe até aqui, e é fundamental que nos transporte para o futuro, garantindo emprego e renda de alto valor agregado e qualidade de vida.