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Junho Violeta: Pelo fim da violência contra os idosos

Campanha alerta que em Santa Cruz até maio já foram registrados 209 casos

GERAL - 07/06/2019

Abertura da campanha que segue até o final do mês aconteceu nesta quarta-feiraAbertura da campanha que segue até o final do mês aconteceu nesta quarta-feira Crédito: Viviane Fetzer

Viviane Scherer Fetzer
jornalismo@riovalejornal.com.br

Na abertura da campanha Junho Violeta, na tarde desta quarta-feira, 5 de junho, no auditório do Centro Integrado de Segurança Pública e Cidadania, dados do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) órgão vinculado à Secretaria Municipal de Políticas Públicas (Sepop), foram apresentados e mostraram que são alarmantes. De janeiro a maio deste ano, 209 idosos sofreram algum tipo de violência em Santa Cruz do Sul. 
A campanha Junho Violeta que tem como tema Violetas contra a Violência teve início para sensibilizar a população contra qualquer tipo de violência à pessoa idosa. A Organização das Nações Unidas (ONU), em 2006 instituiu a data de 15 de junho como Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa. 
O evento contou com a participação do advogado e coordenador do Creas, Juliano Garcêz, que passou informações jurídicas sobre o tema. Segundo os dados, o número de casos de violência contra a pessoa idosa em 2018 foi de 237, já em 2019 somente em cinco meses já foram registrados 209 casos, confira o número de casos desde 2015 abaixo. “Estamos percebendo um aumento significativo na demanda de situações que têm chegado até nós pela própria rede de atendimento”, explicou Garcêz. Os principais motivos desse aumento na demanda, segundo ele, “têm sido a população mais longeva e o êxito nas campanhas e facilidades para denunciar”. E as demandas que mais são atendidas têm sido por negligência e exploração financeira. 
Garcêz ainda esclareceu que os principais violadores são os próprios familiares, chegando a 90% dos casos. “Acreditamos ter muito mais, mas o vínculo afetivo faz com que os idosos acabem ocultando seu sofrimento para não prejudicar ninguém, mesmo que acabem se prejudicando”. 
Os representantes do Conselho Municipal do Idoso, atual presidente Wilsom David, e a futura presidente, Juliana Lopes Nunes também participaram do evento. Wilsom David reforçou que o Conselho tem uma atuação plena em relação aos casos de violência contra os idosos. “O Conselho trabalha buscando sempre estar junto ao poder público para melhorar as políticas municipais voltadas ao público idoso e principalmente buscar esse atendimento a quem sofreu algum tipo de violência, fizemos isso com o suporte do Ministério Público para que eles nos auxiliem na tomada de medidas”, explicou David.  
A secretária da pasta, Guiomar Rossini Machado, destacou que no Creas já se passaram mais de 500 atendimentos e dentro destes, mais de 200 foram de violência contra o idoso. “Não podemos mais admitir isso, precisamos fazer cumprir o Estatuto do Idoso, porque envelhecer é um fenômeno natural da vida e infelizmente as pessoas e muitas vezes a própria família não sabem lidar com isso e acabam maltratando o idoso que a vida inteira cuidou delas, eu estou junto com vocês nessa luta contra essa violência”. 

Secretária Guiomar Machado: 'não podemos mais admitir isso'Secretária Guiomar Machado: 'não podemos mais admitir isso' Crédito: Viviane Fetzer

FORMAS DE VIOLÊNCIA 
- Abuso, violência ou maltrato psicológico: são agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar os idosos, humilhá-los, restringir sua liberdade ou isolá-los do convívio social;
- Abuso, violência ou maltrato físico: se refere ao uso da força física para levar os idosos a fazerem o que não desejarem, para feri-los provocar-lhes dor, incapacidade ou morte;
- Abuso ou violência sexual: se refere ao ato ou jogo sexual de caráter homo ou hetero-relacional (excitação, relação sexual ou práticas eróticas), sem a concordância da pessoa idosa;
- Abandono: se manifesta pela ausência ou desistência dos responsáveis governamentais, institucionais ou familiares de prestarem socorro a uma pessoa idosa que precise de proteção;
- Negligência: recusa ou omissão de cuidados devidos e necessários às pessoas idosas por parte dos responsáveis familiares ou institucionais;
- Abuso financeiro e econômico: apropriação indébita de bens e de renda e/ou exploração imprópria ou uso não consentido;
- Auto-negligência: é a conduta da pessoa idosa que ameaça sua própria saúde ou segurança pela recusa de prover cuidados necessários a si mesma.

AUMENTO DO NÚMERO DE IDOSOS
Com o aumento do número de idosos no país, a ONU vê necessidade de protegê-los contra violações de direitos e de valorizar suas contribuições para a sociedade. O número de brasileiros e brasileiras com mais de 60 anos superou os 30 milhões em 2017. As mulheres são maioria nesse grupo, 16,9 milhões (56%), enquanto os homens idosos representam 44% — 13,3 milhões. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2031, a quantidade de idosos vai superar a de crianças e adolescentes de até 14 anos.
A expectativa de vida da população brasileira tem mudado consideravelmente. Segundo o IBGE, a expectativa de vida aumentou 30,3 anos de 1940 a 2016, passando de 45,5 anos para 75,8 anos.

Juliano Garcêz, advogado e coordenado do Creas apresentou dados e informações jurídicas sobre o temaJuliano Garcêz, advogado e coordenado do Creas apresentou dados e informações jurídicas sobre o tema Crédito: Luiz Fernando Bertuol/Secom

FORMAS DE DENÚNCIA
Disque Direitos Humanos: Disque 100
Violência contra idosas: Ligue 180
Conselho Municipal do Idoso (CMI): 3715-6230
Aplicativo "Proteja Brasil" (Android e IOS)

ANO CASOS
2015      75
2016      87
2017      156
2018      237
2019      209*
*Dados até maio/2019

Programação da campanha
12/06 – 9 h – Caminhada - Praça Getúlio Vargas até Praça da Bandeira
15/06 – 9h – Atividades na Praça Getúlio Vargas
15/06 a 22/06 – Mostra fotográfica no Shopping Santa Cruz
19/06 – 14h30min – Roda de conversa e palestra no Memorial da Unisc
27/06 – 15h – Chá beneficente na Comunidade Evangélica Centro