Edição do dia 15/10/2019

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Conde D

OPINIÃO - 27/08/2019

Aproveitando que se avizinha no mês que vem o Dia do Gaúcho, 20 de setembro, vou aqui continuado a viagem com o Conde d'Eu, vulgo Luís Felipe Maria Fernando Gastão d'Orléans e seu sarcasmo dândi. Pois num outro trecho do seu diário "Viagem militar ao Rio Grande do Sul" (Itatiaia/USP, 1981), no front de Uruguaiana, Guerra do Paraguai em curso, ele anota assim:
"Recebemos a bordo do Onze de Junho [lindo vapor que o Governo acaba de comprar para o transporte de tropas] a visita dos generais Paiva e Madariaga, comandantes do contingente argentino que ficou na margem direita [do rio Uruguai, à altura de Passos de Los Libres]. O primeiro [Paiva] é um velho gaúcho obeso, que vem de chapéu de feltro e fardeta azul certamente feita para o seu corpo há uns quarenta anos, de modo que é agora absolutamente impossível abotoá-lo."
Do outro comandante portenho, ela já fala com mais empatia:
"Madariaga, ao contrário, é um elegante de cabelos brancos, conversador. É senador pela Província de Corrientes. Tinha começado a fazer-me uma dissertação sobre as modificações que sucessivamente tem sofrido a Constituição Argentina, quando o Imperador [D. Pedro II] e [o presidente argentino] Mitre se aproximaram, impedindo-me de aprofundar o assunto."
Bem mais adiante, em 15 de outubro de 1865, o conde vai fustigar outro gaúcho - mas das bandas daqui, mesmo - que está com um "sobrepeso", advindo, possivelmente, da idade, muito churrasco gordo e ambrosia:
"De tarde tinha-se juntado a nós o comandante de Bagé, que viera ao encontro do Imperador. É o Barão de Serro Alegre, que se tornou célebre na guerra civil [a Guerra dos Farrapos] como chefe imperialista com o nome de Silva Tavares. O seu encontro excita em todos nós considerável interesse. É um homem baixo, de 75 anos; tem o cabelo abundante, todo branco e anelado; a sua nutrição não lhe permite abotoar senão três botões da farda. [...] Porém o que completa o aspecto especial do venerável barão é uma ruidosa e continuada jovialidade, algum tanto fora dos hábitos brasileiros."
Conde D’Eu era um observador sincero, que registrava em detalhes. Não se pode dizer que isso não seja uma qualidade do príncipe conserte brasileiro.

Iuri J. Azeredo - Professor