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A atuação do psicólogo

ESPECIAIS - 10/09/2019

Viviane Scherer Fetzer
jornalismo@riovalejornal.com.br

Um dos profissionais que pode prestar auxílio a casos de ideação, tentativas e também aos familiares é o psicólogo. A seguir, o psicólogo Norton Soares fala um pouco mais sobre esta área de atendimento do seu trabalho. Norton é psicólogo clínico formado na Unisc, atuante na clínica NACES de Santa do Sul e também na Atenção Integral a Saúde da empresa Unimed/VTRP na cidade de Lajeado/RS. Tem como principais áreas de atuação: Psicologia do desenvolvimento; Psicologia clínica com abordagem psicanalítica para crianças, adolescentes, adultos e terceira idade; Psicologia aplicada ao esporte na área de educação; Projetos sociais para crianças e adolescentes em situação de risco ou vulnerabilidade social.

RIOVALE JORNAL - Como é o trabalho do psicólogo com pessoas que tentaram ou que têm ideação suicida?
Norton Soares -
As diferentes abordagens da psicologia possibilitam várias formas de intervenção do psicólogo, tanto clínicas como psicossociais ou comunitárias. No caso da clínica, onde é centralizado meu trabalho, pacientes com ideações, planejamentos ou tentativas de suicídio são atendidos prevalecendo sempre uma atenção especial diante dos sintomas apresentados, observando aspectos biológicos, psicológicos ou sociais, todos intrínsecos aos fatores de risco ou potencializadores de uma nova ocorrência.
É importante destacar que, tanto ideações, planejamentos ou tentativas, geralmente estão associados a uma patologia de ordem psicológica em curso como, depressões, transtornos afetivos bipolares, delírios persecutórios inseridos nos casos da esquizofrenia do tipo paranoide e outros. Para um bom manejo clínico se torna essencial que o psicólogo esteja apto para captar aspectos sensíveis na escuta do paciente, possibilitar que o adoecimento do paciente, em sua fala, transpareça pistas para o enfrentamento deste sofrimento, e percepção do profissional para entendimento de cada caso em especial. Repetições de cenários, pensamentos e comportamentos adoecedores, condutas mal elaboradas frente a situações traumáticas no conjunto de desenvolvimento do paciente, enfim, existem muitos critérios técnicos que devem ser observados, mas sempre levando em conta e respeitando a forma mais sensível pela qual se apresenta o indivíduo adoecido.

RJ - Quais as características de personalidade e comportamentos observados?
N.S. -
Entre eles posso citar como número crescente de casos de suicídio, o uso abusivo de substâncias alcoólicas, e outras de origem psicoativas, a intolerância e a incapacidade de muitas pessoas aceitarem diferenças no tecido social existente nos dias atuais. Também o não entendimento de muitos frente à gravidade de doenças de origem psicológica, cito como exemplos maiores pelas repetições de casos, o transtorno afetivo bipolar, a comorbidade psiquiátrica, que é a ocorrência de mais de um transtorno mental ocorrendo ao mesmo tempo e a depressão grave, que ainda é vista por muitas pessoas desinformadas como algo plenamente irrelevante, vinculado a uma espécie de fraqueza de caráter voluntária.

RJ - Quais os comportamentos de risco que podem ser percebidos?
N.S. -
Sobre os comportamentos de risco é importante para os familiares ficarem atentos para algumas alterações que possam ocorrer no cotidiano, tanto de crianças e adolescentes, como nos casos de adultos. Podemos apontar para uma série de fatores, nas crianças e adolescentes podemos lembrar dos sentimentos de abandono ou problemas relacionados com a escola, irritações, agressividade, mudanças de conduta, retraimento, alterações de humor, introspecção, etc. Outro ponto de atenção extremamente relevante nos dias atuais se configura na internet, com o chamado cyberbullying, local onde os agressores podem atuar de forma anônima e oculta dos pais e responsáveis, possibilitando um espaço de sofrimento terrivelmente silencioso para as crianças e adolescentes, pois muitas vezes são intimidadas e ameaçadas caso contem para seus pais sobre o terror psicológico a que são submetidas.

RJ - Qual a importância da atenção dos familiares?
N.S. -
A atenção dos familiares se torna importante no sentido de fornecer a condição essencial de apoio afetivo, pois é neste núcleo familiar que o sujeito adoecido se estruturará novamente, frente aos momentos de fraqueza, frente às recaídas e oscilações emocionais que podem se apresentar, na maioria das vezes de forma espontânea, sem aviso prévio para consequências devastadoras contra a vida do próprio indivíduo. Geralmente, nos atendimentos psicológicos, a escuta de familiares se torna essencial, pois é pela construção integral do sujeito junto a sua família que se pode superar o sofrimento e identificar fatores de risco antecipadamente.

RJ - Explique os tipos de sofrimentos que podem levar a tentativas?
N.S. -
Falar em sofrimentos nos remete também a patologias, para tanto existem muitas doenças mentais que se direcionam para uma estrutura psicológica instável, e que em muitos casos se vinculam nas ideações, planejamentos e chegam às tentativas de suicídio. Cito como as mais comuns, observadas nos atendimentos psicológicos, a depressão grave e o transtorno afetivo bipolar (TAB). Neste último caso, existe um paradoxo, pois se trata de um transtorno em que ocorre uma oscilação de humor, muitas vezes ocorrendo o chamado estado misto, onde existem alternâncias repentinas entre o estado maníaco (euforia e agitação excessiva), hipomaníaco (menor euforia) e estado depressivo (pouca motivação e tristeza). Neste transtorno, as maiores ocorrências de tentativas se encontram no estado maníaco, pois é o momento onde a pessoa encontra condições motivacionais para tentar cometer o ato. Ao contrário, no estado depressivo, em muitos casos a pessoa não possui força motivacional para causar este efeito.

RJ - Fale um pouco sobre como acontecem os atendimentos preventivos e também os pós-planejamento, pós-ideação e aos familiares.
N.S. -
Os atendimentos preventivos são realizados em todos os casos que patologias condicionantes ao risco do suicídio possam estar presentes. Nestes casos, é de extrema importância trabalhar aspectos integrativos na vida do paciente, não se utilizando de frases e palavras motivacionais para elevar seu ego ou algo do tipo, mas entendendo sua complexidade psicológica de forma estruturada, fornecendo capacidades de entendimento e elaboração para que o paciente encontre as verdadeiras causas que estão potencializando o sofrimento. Lembrando que a intervenção medicamentosa se torna extremamente importante em muitos casos, possibilitando uma condição mais qualificada para o acompanhamento psicológico.