Edição do dia 13/09/2019

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Campanha alerta para busca de ajuda

É preciso que a sociedade civil também se envolva para que os números possam ser reduzidos

ESPECIAIS - 10/09/2019

Esq. para Dir. Anelise Aprato, Veridiana Limberger, Marliza Schwingel, Hedi Jacobs, Tais Giordani PereiraEsq. para Dir. Anelise Aprato, Veridiana Limberger, Marliza Schwingel, Hedi Jacobs, Tais Giordani Pereira Crédito: Viviane Fetzer

Viviane Scherer Fetzer
jornalismo@riovalejornal.com.br

No mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano. O suicídio é a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, 11 mil pessoas, em média, por ano, tiram a própria vida, conforme dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade de 2017. Sendo o suicídio a terceira maior causa de morte de homens entre 15 e 29 anos, a quarta maior causa de jovens de 15 a 29 anos (sendo 65,6% dos óbitos nessa faixa etária por causas externas como violência e acidentes) e, a oitava maior causa de morte de mulheres também entre 15 e 29 anos. Os números do Ministério da Saúde também mostram que homens morreram mais por suicídio entre 2011 e 2016, chegando a 79% dos suicídios registrados. Já as mulheres são reincidentes na tentativa de suicídio atingindo 31,3% em relação aos 26,4% de homens. 
De acordo com a Agenda Estratégica de Prevenção ao Suicídio do Ministério da Saúde a existência de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nos municípios reduz em 14% o risco de suicídios. Atualmente o Brasil conta com funcionamento de 2.463 CAPS com um investimento anual de R$69,5 milhões para o custeio dos serviços. Através dessa Agenda o Ministério pretende até 2020 ampliar e fortalecer as ações de promoção da saúde, vigilância, prevenção e atenção integral relacionados ao suicídio, para a redução de tentativas e mortes por suicídio por meio da construção do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio. Para isso, uma das iniciativas propôs ampliar o acordo com o Centro de Valorização da Vida (CVV) para oito estados, no Rio Grande do Sul as chamadas são gratuitas para o 188. Em setembro de 2015 eram registradas 4,5 mil ligações para o CVV, já em agosto de 2017 esse número chegou a 58,8 mil no Rio Grande do Sul. 
Santa Cruz do Sul conta com a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) de que fazem parte o CAPS II, o CAPS AD (Álcool e Drogas) e o CAPSIA (Infância e Juventude), além do Serviço Residencial Terapêutico (SRT); Unidade de Acolhimento (adulto e infanto-juvenil; Hospital Psiquiátrico (Hospital dos Passos em Rio Pardo e Hospital de Candelária); Atenção Básica; Urgência e Emergência; Comunidades Terapêuticas; Ambulatório Multiprofissional de Saúde Mental que fica dentro do CAPS II. “Neste Setembro Amarelo a Raps está mobilizada para reforçar o que deve ser feito durante o ano todo para que as pessoas saibam onde podem buscar ajuda”, explicou Anelise Aprato, coordenadora municipal da Saúde Mental. 
O Riovale Jornal conversou com as coordenadoras dos CAPS de Santa Cruz Do Sul e todas reforçaram que o Setembro Amarelo tem foco na promoção da vida e no alerta para as pessoas pedirem ajuda e não tentarem resolver seus problemas sozinhas. Para realizar suas ações os CAPS contam com a ajuda da Atenção Básica municipal que faz os encaminhamentos necessários e também das entidades e instituições que integram o Comitê Municipal de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio. Através de capacitações, esses profissionais que não fazem parte dos serviços da saúde mental podem auxiliar no reconhecimento de casos que podem ser encaminhados aos serviços de atenção especializada. Em 2019 uma atenção maior está sendo dada ao público idoso que está sendo tratado como prioritário para algumas ações. O Comitê e a Rede de Atenção criaram uma parceria com o Conselho Municipal do Idoso para fortalecer a relação com os idosos do município. 
Por ser multicausal, as atividades de prevenção ao suicídio não trabalham com um só motivo e sim com os inúmeros que são apresentados. E por serem inúmeros os motivos tanto o Comitê quanto os CAPS entram na busca pelo entendimento e pelo enfrentamento junto à sociedade civil. “Precisamos ter a sociedade civil envolvida para conseguir reduzir os números. Percebemos através dos dados que a maioria dos casos nem chegou a Atenção Básica e se isso não aconteceu pode ter sido por inúmeros motivos também, não só relacionados a rede de saúde”, advertiu Anelise. A coordenadora do CAPS II, Marliza Schwingel, afirmou que “existe uma sociedade que está adoecida e não sabemos o quanto isso vai melhorar. Nós como Comitê e Rede estamos preocupados porque esses casos de suicídio não têm chegado a algum lugar da saúde especializada. Por mais que se fale que a vida vale a pena, que tem que cuidar quem está do lado, também precisamos que as pessoas saibam onde podem buscar ajuda”.
Uma das ações são palestras realizadas nas escolas, “muitas vezes os próprios alunos acabam indo em busca de ajuda no CAPSIA e o que percebemos é que eles na verdade buscam que a gente auxilie eles para que seus pais entendam e tomem conhecimento do que eles estão passando”, garantiu Veridiana Limberger, coordenadora do CAPSIA. A coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPS AD III), Tais Giordani Pereira, salientou que “temos aqui o micro que são as famílias e se formos analisar temos o macro também que se torna uma questão bem complicada por envolver as questões de trabalho precarizadas, a previdência que não sabemos como vai ser, o congelamento dos repasses, e como nós enquanto CAPS vamos conseguir auxiliar essas múltiplas causas, sabemos que algumas vamos conseguir, mas não podemos ter a saúde vista como a resolução para todos os problemas, precisamos que a sociedade civil também se envolva nesse processo”. 

O COMITÊ

Santa Cruz do Sul conta com um Comitê Municipal de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio, desde 2015, formado por algumas entidades da cidade. A iniciativa surgiu a partir dos elevados índices de suicídio, bem como de comportamentos suicidas no município. O Comitê desenvolve estratégias com entidades municipais para a prevenção desse problema de saúde pública, com o objetivo de contextualizar as problemáticas envolvidas e apresentar medidas preventivas que possam ser implementadas nas mais diversas esferas de atenção multi setorial. Participam do Comitê, o Hospital Santa Cruz, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Smec), a 6ª Coordenadoria Regional de Educação (6ª CRE), a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), Hospital Ana Nery, CAPS II, CAPS AD III e CAPSIA, Emater/Ascar-RS, Vigilância da Saúde, Centro de Valorização da Vida (CVV), Programa de Saúde na Escola. 

O CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL 

CAPSIA – recebe crianças e jovens até os 18 anos, inclusive com transtorno mental e uso de álcool e drogas. Aceitam por encaminhamento, mas também tem o acolhimento em que a família vai lá conversar e eles definem se é um paciente que fica no serviço ou não. Recebem por livre demanda casos de ideação e/ou tentativa de suicídio e uso de substâncias psicoativas. Além do atendimento de grupo, oferecem psicoterapia, oficinas terapêuticas e consultas psiquiátricas.
CAPS II – precisa de um encaminhamento da rede pública ou da rede privada. É para adulto, transtorno mental sem uso de álcool e drogas. Oferece acolhimento diurno para os intensivos, oficinas, grupos terapêuticos, atendimentos individuais, grupos de pacientes graves, consultas psiquiátricas, atendimento de enfermagem.
CAPS AD III – livre demanda, não precisa de encaminhamento. É 24 horas, tem a possibilidade de até 10 leitos para acolhimento no próprio espaço, se precisar desintoxicar e/ou necessidade de observação, entre outros critérios psicossociais. Oferecem grupos, atendimento psiquiátrico, atendimento clínico, oficinas e um cuidado mais intenso para aqueles que estão lá para proporcionar atenção integral. 

SERVIÇOS DE APOIO 

Em Santa Cruz, diversos serviços de apoio são oferecidos a pessoas com depressão ou tendência suicida.
* Postos de Saúde
* Centro de Atenção Psicossocial Infância e Adolescência (CAPS IA) - (51) 3715 2079
*CAPS II - (51) 3713 3077
* CAPS AD III - (51) 3713 3103
* Centro de Valorização da Vida (CVV) - Ligue 188