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Depressão deve ser tratada no início, afirma especialista

Mulheres sofrem de depressão duas vezes mais do que os homens

ESPECIAIS - 13/09/2019

Dr. Fernando Neves: A depressão pode ser tratada e o suicídio pode ser prevenidoDr. Fernando Neves: A depressão pode ser tratada e o suicídio pode ser prevenido Crédito: Arquivo Pessoal

Rosibel Fagundes
[email protected]

O médico psiquiatra, Fernando Godoy Neves, professor da Faculdade de Medicina da Univates, pesquisador do Centro de Pesquisa Translacional em Transtornos de Humor e Suicídio na Univates e Membro do Comitê de Prevenção ao Suicídio da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul falou sobre as expectativas da campanha Setembro Amarelo em termos de redução dos índices de suicídio e de prevenção. Segundo ele, a depressão tratada logo no início pode evitar o suicídio. “A depressão é uma doença, o suicídio é um sintoma dela, e que está muito frequente entre jovens. Não significa dizer que todos que tiverem depressão vão ter este pensamento, mas quanto mais precoce ocorrer o tratamento melhor a evolução da doença, ou seja, ela não se prolonga mais”, afirmou.

‘Riovale Jornal’ - A partir de qual idade a pessoa pode desenvolver a depressão? Existe um padrão social, faixa etária? E quem está mais propenso a desenvolver a doença?
Fernando Neves -
A depressão não tem diferença de cor, classe social, nível de escolaridade a única diferença que observamos é o sexo. As mulheres têm duas vezes mais a doença do que os homens. A idade média é em torno dos 40 anos, mas estudos revelam que 50% de todos os pacientes estão em idades entre 20 e 50 anos. A depressão tem aumentado entre jovens e pode estar relacionada a diversos fatores como o aumento de substâncias como uso de álcool e de drogas nesta faixa etária, que favorecem a manifestação de doenças psiquiátricas principalmente a depressão. Outro fator que pode estar relacionado é o caso de pessoas estarem passando por uma situação de vida mais delicada.

R.J. - Qual o papel da depressão no caminho ao suicídio? E se tratada logo no início pode-se evitar o suicídio? 
FN -
A depressão é uma doença, o suicídio é um sintoma. O risco de suicídio também, a ideação ou pensamento suicida pode ocorrer na depressão em estágio maior, no transtorno bipolar, na esquizofrenia ou transtorno por uso de substâncias. Então, a depressão é uma doença que se não tratada pode levar ao suicídio. Mas, nem todas as pessoas que possuem depressão vão ter este pensamento.

R.J. – A população rural é um grupo de risco? 
F.N. -
Sim. Se pegarmos um exemplo das taxas de suicídio na população rural aqui de Santa Cruz e compararmos com a área urbana, os números são muito altos. Teve um ano, acredito que foi em 2016, onde a taxa de suicídios no interior chegou a 70 para cada 100 mil habitantes, quando na área urbana era de 20. Então, se observamos a característica da população aqui da nossa região, onde a maioria vive da agricultura familiar e basicamente do fumo, a questão do endividamento de muitas destas pessoas, além da questão da expectativa da safra dar um bom resultado para todo o sustento da família e a característica da maioria ser de cultura alemã, onde é muito forte a maneira deles de lidar com a situação de honra teremos aí diversos fatores que podem ser responsáveis.  Outro aspecto é a questão do acesso e deslocamento destas pessoas para locais que possam buscar o tratamento adequado.

R.J. - Quais os sintomas da depressão que podem levar ao suicídio? 
F.N. -
Os sintomas estão relacionados com o humor deprimido, o desinteresse de realizar atividades de vida social ou de cunho familiar, acadêmico e profissional, além de insônia e irritabilidade. O que pode levar ao suicídio é justamente o agravamento disso, quanto mais grave for o quadro da depressão, maiores são as chances do indivíduo começar a ter ideias de pensamento distorcidas de que tem uma vida de sofrimento, de que a vida não vale a pena entre outras situações, e tenta cometer o suicídio. 

R.J. - Por que o índice de suicídio ou tentativa é tão alto entre pré-adolescentes (10 a 14 anos) e jovens (15 a 29 anos)? 
F.N. -
Em relação aos jovens, observamos diversos fatores que podem estar relacionados como o aumento do consumo de álcool, cigarro e drogas, substâncias estas que favorecem a doença psiquiátrica e o cérebro do jovem não está completamente amadurecido.  Mas outro favor que temos observado em nossa sociedade, é uma dificuldade destes jovens de lidarem com os sentimentos de angústia, frustação e tantos outros. Eles estão menos capacitados para lidarem com os sentimentos deles e da vida. E, aí que entra a questão da família, que deve estar preparada para dar este suporte, assim como de estabelecer limites e disciplina. A gente tem visto muitos casos de suicídio entre jovens de 10 a 14 anos, sendo a maioria meninas. Já na faixa dos 15 aos 29 anos, o quadro se inverte e temos mais casos de meninos e de homens. Eles tentam menos e morrem mais. Esta faixa etária entre os homens é também considerada a segunda causa de morte. Já as mulheres fazem mais tentativas de suicídio, e o número de mortes é menor.

R.J. - Como procurar ajuda? Qual o caminho?
F.N. -
A forma de procurar ajuda pode ser da mais simples até a mais especializada, seja através de uma conversa com alguém, tentar abrir o jogo sobre o que está sentindo. Após ele deve ser orientado a procurar ajuda médica. Além de psicólogos e psiquiatras, existe ainda o Centro de Valorização da Vida (CVV) que pode ser acionado pelo telefone 188 sem custos, em que a pessoa pode ligar e conversar com alguém, o que ajuda bastante.

R.J.- O tema suicídio ainda é tabu na sociedade?
F.N. -
O suicídio é sim um tabu, assim como a depressão. Mas com o passar dos anos, percebe-se que houve melhora neste contexto, embora que muitas pessoas ainda sentem que não devem falar sobre isso, ou que o problema é culpa delas, ou que são um estorvo ou um peso para a sociedade e suas famílias. As pessoas têm que falar e procurar ajuda.

R.J. - A campanha Setembro Amarelo e o trabalho de prevenção têm obtido sucesso no debate? 
F.N. -
Sim, pois a campanha do Setembro Amarelo permite que a gente fale sobre isso, dando entrevistas e passando esta ideia para as pessoas de que é possível conversar sobre o assunto, que a gente pode buscar ajuda e de que eles vão melhorar sim. Ajuda bastante no sentido de conscientizar as pessoas a procurar ajuda.