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141 anos Santa Cruz do Sul: Eles vieram de longe para morar em Santa Cruz

ESPECIAIS - 27/09/2019

Andreas e sua família em visita à Gruta dos ÍndiosAndreas e sua família em visita à Gruta dos Índios Crédito: Arquivo Pessoal

Grasiel Grasel
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Não é de hoje que o santa-cruzense vê pessoas das mais diversas culturas e das mais variadas línguas caminhando pela cidade. Desde a chegada e a consolidação de empresas multinacionais trazidas para cá ou nascidas aqui, tornou-se cada vez mais comum identificar sotaques diferentes sendo falados nas ruas, em restaurantes e supermercados. O que traz gente de longe pra cá? Conhecer estes desbravadores é uma boa forma de descobrir a resposta dessa pergunta.
Andreas Köhler, 48 anos, nasceu próximo da cidade de Hanôver, no norte da Alemanha, e hoje é professor de Biologia na Unisc. Ele veio ao Brasil em 1997 para estudar em Porto Alegre e se tornar um pesquisador na área de zoologia e ecologia em regiões tropicais. A oportunidade de se mudar, logo no ano de 2000, para trabalhar na universidade santa-cruzense e contar com um ambiente tão propício para suas pesquisas como nossa fauna foi o que criou um vínculo quase inseparável do professor com Santa Cruz.
Embora tenha deixado sua família na Alemanha, Köhler conta que sente menos saudade hoje pois os meios de comunicação permitem um contato muito maior, isto sem contar que também já formou uma família brasileira. Como biólogo e pesquisador, o alemão diz se sentir muito acolhido aqui e adora o ambiente interiorano. “Temos muita natureza, muitas árvores, muita beleza na cidade. Comparada com Porto Alegre, onde eu morei antes, esta parte ambiental me é bem mais agradável”, diz.
Flavio Goulart, 51 anos, pode não ter atravessado o mundo para se tornar um cidadão santa-cruzense, mas atravessou o Brasil. Nascido em Recife, capital pernambucana, se mudou para Santa Cruz em 1997, após passar em um processo seletivo da JTI, chegando ao cargo que hoje ocupa como Diretor de Assuntos Corporativos e Comunicação. 
O recifense conta que a qualidade de vida, a segurança e o acesso à saúde de qualidade foram fatores que ajudaram a consolidar o seu apreço por Santa Cruz. Outro fato que pra ele é relevante é a proximidade da capital gaúcha, a qual ele gosta de visitar “caso a gente fique chateado de ter tanta coisa boa só por aqui”, diz aos risos. Segundo Goulart, alguns amigos diziam que vir para a cidade teria seus problemas devido ao temperamento forte do imigrante alemão, mas na prática ele acabou descobrindo que não existe discussão que não possa ser resolvida e, com elas, novos horizontes descobertos.

Flavio Goulart recebeu uma homenagem do Rotary como Cidadão EméritoFlavio Goulart recebeu uma homenagem do Rotary como Cidadão Emérito Crédito: Arquivo Pessoal

CHOQUE CULTURAL
Embora seja de origem alemã, este não é o principal fator da ligação de Köhler com a cidade. De acordo com ele, a verdade é que quase nada da cultura germânica local tem a ver com a que vivia na Alemanha. “A cultura daqui é a alemã do século XIX, quando as pessoas vieram pra cá. Na Alemanha a cultura mudou muito” diz o professor, que conclui que sequer sabia da existência do afamado prato da culinária tradicional daqui: “eu nunca comi cuca com linguiça na Alemanha, não conhecia isso”, afirma bem-humorado.
Já Goulart explica que, em sua visão, o senso comum que gira em torno das diferenças climáticas entre o sul e o norte do país não procede. “Quando a gente sai do Nordeste e vem pra cá, todo mundo pergunta se a gente se acostumou com o frio. O frio não foi problema nenhum, porque é só colocar o casaco e ele passa, o que eu estranhei mesmo foi o calor”, conta ele, dizendo não saber que aqui também fazia tantos dias de altas temperaturas. O que mais chamou a atenção de Goulart, na verdade, foi o intenso granizo que presenciou em sua chegada na cidade, em janeiro de 97, algo que nunca tinha visto na vida.

SAIR É UMA OPÇÃO?
Em breve Flavio estará se mudando para São Paulo em decorrência de seu trabalho, mas ele diz que voltará com frequência para a unidade da JTI em que passou tantos anos. De acordo com ele, a saudade vai ser grande, de todos os aspectos que gostava daqui, inclusive do trânsito “que as vezes xingo na saída do Distrito Industrial, mas comparado com São Paulo ainda vou sentir saudade. Eu brinco que aqui a gente sai atrasado e consegue chegar na hora, em São Paulo você sai na hora e certamente vai chegar atrasado”, comenta em meio a risadas.
Já Andreas diz não ter pretensão de sair de Santa Cruz no momento, mas não descarta a possibilidade caso uma boa oportunidade apareça. O alemão considera estar muito bem acolhido na cidade e feliz com a família formada aqui, assim como se vê satisfeito com as oportunidades que a região oferece à área de atuação. “No momento o lugar é bem atrativo para o meu campo de atuação e é o lugar mais adequado para a minha situação”, explica.