Edição do dia 12/11/2019

EDIÇÕES ANTERIORES FOTOS VIDEOS FALE CONOSCO HISTÓRICO - Primeira Edição SANTA CRUZ EM NÚMEROS TELEFONE ÚTEIS

Últimas Notícias

Mudanças são anunciadas nas secretarias
GERAL
Dia de visitações, experiências e expectativas no Viva Unisc 2019
GERAL
Solenidade marca aniversário do General Gomes Carneiro
GERAL - Na ocasião também foi comemorada a chegada do III Batalhão ao município
Pequenas atitudes
OPINIÃO
Verrugas Estelares
OPINIÃO
Em defesa da vida
OPINIÃO
CDL aponta 800 vagas temporárias
ECONOMIA - Expectativa é de boas oportunidades de emprego para o período
ACI: Eleição ocorre hoje
GERAL
Vigilância Colaborativa: Lançamento do Programa acontece hoje
GERAL
GREVE: Polícia Civil paralisa nesta quarta-feira
POLÍCIA
Campeonato Municipal inicia no próximo dia 22
ESPORTES
AMO/Unimed VTRP: Atletas brilham pelo estado
ESPORTES
Dois times largam com vitória na estreia da Copa Lisaruth
ESPORTES
Estadual sub 19: Santa Cruz vence fora e fica perto da final
ESPORTES
Regional: São José larga na frente nas semifinais
ESPORTES
Universidade aguarda mais de cinco mil estudantes
GERAL
Bate papo: Doações por incentivos fiscais
ECONOMIA
Comdica realiza 4ª Noite Cultural na Unisc
VARIEDADES - O evento que tem entrada franca visa enaltecer projetos sociais realizados por diversas entidades

Bolsonaro na ONU: ruptura ou continuidade?

OPINIÃO - 01/10/2019

Desde a criação do sistema ONU, em 1945, o Estado brasileiro realiza o discurso de abertura da Assembleia Geral. Esse direito foi conquistado pela capacidade mediadora do chefe da delegação brasileira na organização: Osvaldo Euclides de Souza Aranha. Como presidente da primeira sessão, Aranha costurou a votação em torno da criação do Estado de Israel. Desde então, a diplomacia brasileira emprega um perfil argumentativo, notadamente, direcionado para os demais países membros da organização, fundamentado em um mínimo denominador comum: a defesa da autodeterminação, dos direitos humanos, da solução pacífica dos conflitos, da não intervenção.
Nesses quase 75 anos de existência das Nações Unidas, um número vasto de discursos foi realizado pelo Brasil, reafirmando esses quatro valores políticos e estruturando as linhas de força da política externa brasileira. Entretanto, a diplomacia brasileira nunca foi monolítica ou imutável. Duas versões disputaram o engajamento na inserção internacional do Brasil: a americanista ou a globalista. A primeira é herança da aliança estratégica com os EUA, desde a demarcação das fronteiras nacionais e do início da republicanização no Brasil. Houve fases de pragmatismo nessa relação, mas também houve fases de subserviência. Subserviência pelo Brasil ter aderido, sem contrapartidas, a posições norte-americanas e a acordos sem resultados diretos. Já a fase globalista representou maior flexibilidade na formação de alianças, acordos e votações em relação a qualquer país. O que importava nessa agenda era apenas o interesse nacional. Este sim, o objetivo fim da política externa.  
Em 24 de setembro de 2019, ao fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral, o presidente brasileiro apresentou suas credenciais aos demais estados-membros. De um lado, mantendo certas linhas de força da política externa, como a soberania, a autodeterminação e a não-intervenção, ainda que assumindo uma posição americanista, em termos conjunturais. De outro lado, as opções do presidente demarcaram, sobretudo, ruptura, com a tradição e o estilo da diplomática brasileira. A política externa do “Novo Brasil” possui a marca da ruptura. Da desconstrução. Para além de uma mudança no estilo tradicional da política externa brasileira, a ênfase do presidente e, portanto, a racionalidade pela qual ele ganha destaque, é a da antidiplomacia. Pautada no combate ao socialismo, no combate ao globalismo, no combate à ideologia, no combate ao colonialismo, no combate à corrupção. A origem dessa agenda é derivada da ascensão das pautas domésticas e do perfil de enfrentamento eleitoral na corrida presidencial do Brasil ao cenário externo. É dessa amálgama, entre o estilo combativo e de desconstrução forjado no plano doméstico, com a necessária assimilação de parcela das linhas de força da diplomacia, que a política externa bolsonarista é formada.
Em suma, entre continuidade e ruptura, a política externa de Bolsonaro contém um paradoxo em sua composição. Assimilar, de um lado, a tradição pacifista e negociadora da diplomacia brasileira com a estratégia combativa derivada da arena política nacional.   

André Frota
Professor dos cursos de Relações Internacionais e Ciência Política e membro do Observatório de Conjuntura do Centro Universitário Internacional Uninter.