Edição do dia 12/11/2019

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Caspary conta a sua história (parte II)

OPINIÃO - 15/10/2019

No livro “Caspary”, de Hildo Caspary, publicado em 2003, falando das vivências e informações obtidas pelo autor, uma das curiosidades é o consumo de carne de macaco nos primeiros tempos de colonização teutônica em Santa Cruz do Sul. Menciona que os da família Gressler a consideravam “excelente”. “Há aqui duas espécies de macacos, pequenos pretos [pregos?] e grandes vermelhos [bugios?]”, conforme registrado em cartas reproduzidas na obra. A caça é abundante e a proteína animal parece não ser um problema.
O problema se verá décadas depois, com uma larga destruição do ecossistema, causada pelas centenas de assentamentos agrícolas das gentes de origem teuta abruptamente introduzidos em uma floresta luxuriante, que, na época, antes de 1849, já era esparsamente povoada por negros aquilombados, caboclos arranchados em rincões e os candidatos a sesmeiros estrategicamente posicionados com agregados, além, evidente, de povos indígenas - já na região há séculos, muito antes de brancos e negros, mas “espantados” cada vez mais pelos machados ecoando cada vez com mais volume pelos vales, seguindo-se os incêndios, que devastam árvores, plantas, animais etc. Algo nada bonito para se lembrar; na verdade, algo não mencionado nas crônicas apologéticas sobre a colonização alemã.
Na mesma carta, também salta o alerta dos Gressler em relações a certos “elementos perniciosos”, patrícios alemães, “pessoas inúteis, receosas do trabalho”, com que não se devia estabelecer relações e sofrer influência. Outra situação trazida pelo livros e que fere a determinadas narrativas onde se dá a ideia de que a virtude é completamente generalizada entre colonos.
Sobre o desuso das línguas germânicas nas comunidades locais, evidencia-se que não se trata de um subproduto da pontual repressão a “língua alemã” nos tempos de guerra, onde a Alemanha (aí, sim, depois de 1871, já estruturada como país) se pôs em conflito mundial: Rudolf e Anna registram na carta que, embora a valorização do lote colonial, pela produção rural obtida, seria bem grande em apenas 10 anos, valendo “uma enorme quantia de dinheiro”, alertam que se alguém pensar em se estabelecer “com comércio (negócio) sem conhecimento da língua [portuguesa], não há nada a fazer”; pressupõe-se a necessidade do aprendizado do português para que tais empreendimentos possam prosperar, deixando-se de lado os dialetos teuto-brasileiros, já que negociam nas bases convencionais e documentais – com outros comerciantes, atacadistas, transportadores, consumidores – na língua oficial do Brasil. Ou seja, o português se impõe paulatinamente por razões pragmáticas, e não unicamente por alguma imposição de fundo ideológico ou repressão “germanofóbica” perene.
Assim é que, nos relatos pessoais, de memorialistas e historiadores diletantes, há boa matéria para aprofundamentos via a pesquisa acadêmica – que, aliás, acho eu, jamais será isenta de posicionamentos, “neutralidade”; sempre será uma narração a partir de um posicionamento e uma visão de mundo contextual.
Mais uma vez fica ressaltado que o processo históricos da colonização ocorrida na região envolveu a vinda e a integração entre diversos povos e pessoas de diferentes procedências, em torno de um projeto governamental de loteamentos rurais e núcleos urbanos, com investimento de recursos públicos, inclusive um estafe de administradores e outros servidores e contratados. Na continuidade, até os dias de hoje, uma dinâmica complexa, onde há personalismos e grupos não vivem em uma “perfeita harmonia”, já que há cisões, disputas e interesses divergentes, mas em vários pontos convergindo e constituindo o que é a Santa Cruz do Sul de hoje. 

Iuri J. Azeredo - Professor