Edição do dia 15/11/2019

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Da Colômbia ao Brasil, de moto!

Conheça o casal de motociclistas colombianos que viaja o país e se apaixonou por Santa Cruz

GERAL - 05/11/2019

Casal já conheceu diversos países, mas não saem do Brasil antes de acharem um lugar para morarCasal já conheceu diversos países, mas não saem do Brasil antes de acharem um lugar para morar Crédito: Grasiel Grasel

Grasiel Grasel
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Viver uma vida sob duas rodas pode parecer difícil, mas o jovem casal colombiano da cidade de Bogotá, Sebastian Castellanos Joya, 25 anos, e Karen Julieth Castro, 18 anos, faz com que sua realidade seja fácil. A empolgação em contar sua história, dando ênfase aos mais ricos detalhes, não esconde a felicidade que o casal sente em estar vivendo um sonho. Os dois “caíram de paraquedas” em Santa Cruz ao descobrirem que, no fim de semana do dia 26 de outubro, acontecia na cidade o Oktobermoto, evento com toda a temática que envolve a cultura motociclística de quem, assim como eles, adora estar na estrada. Depois de conhecer a cultura e o povo santa-cruzense, o casal considera a possibilidade de morar na região.
Em Bogotá, capital colombiana, Sebastian era auxiliar de cirurgião, o que lhe obrigava a lidar com uma pressão psicológica gigantesca todos os dias. Cansado da vida que o aprisionava em consultórios, ele resolveu largar tudo e partir para uma aventura que mudaria completamente sua vida para sempre.
Sebastian começou a viajar há um ano e cinco meses, quando deixou a namorada Karen, na época menor de idade, para viajar até a Argentina. Naquele tempo, o jovem bem apresentável pegou a estrada com outra companheira, que acabou lhe roubando o capacete e todo o dinheiro que guardava. Frustrado, o motociclista voltou para casa e só voltou a se aventurar depois que o verdadeiro amor de sua vida completou seus 18 anos. Hoje os dois estão há cinco meses cortando asfalto com sua moto de poucas cilindradas, mas de muito apreço.

PAIXÃO BRASILEIRA
Depois de conhecerem as estradas amazônicas e toda a natureza única do Brasil, o casal decidiu voltar para cá, agora com o objetivo de só voltar para a Colômbia depois de encontrarem um lugar para morar em solo brasileiro. Viajando até Porto Alegre, chegaram em um posto de combustíveis de Santa Cruz para abastecer, onde foram perguntados se estavam a caminho do Oktobermoto, um evento conhecido na cidade pela temática sobre motos e rock’n roll, os quais, claro, muito agradam o casal colombiano, que de pronto resolveu aproveitar a oportunidade para ganhar algum dinheiro vendendo seu artesanato.
No Oktobermoto, conheceram Daniel Eick, o “Vassora”, organizador do evento, a quem pediram permissão para montar sua loja itinerante. Sebastian explica que sempre que chega em algum lugar para vender, tocar ou oferecer ajuda, leva como premissa básica de sua apresentação o respeito: “Não posso vender sem ter autorização. Mesmo que seja um evento aberto ou fechado, não posso impor coisas que não correspondem a mim, mas com permissão tudo se consegue”, diz. Vassora não apenas permitiu que o casal ficasse, mas também o introduziu a Antelmo Paulo Stoelbenn, que se disponibilizou a recebê-los em sua casa, em Linha Santa Cruz. 
Antelmo é técnico administrativo da UERGS, membro do grupo Parceiros do Asfalto e costumeiramente recebe motociclistas e cicloturistas em sua casa. “Eu sempre recebo pessoas e me encanto com as histórias deles. Como eu viajo muito, preciso retribuir essa recepção que as pessoas me dão”, explica. Sua esposa, Neusa Stoelbenn, é professora de Geografia e História do 8º ano na Escola Affonso Pedro Rabuske e, de pronto, aproveitou a oportunidade para convidar o casal a dar uma aula sobre a América Latina, falando sobre como os países foram divididos e a história de seus povos nativos. A simplicidade que carregam engana quem possa pensar que o casal é de baixa instrução, são poucos os capazes de manterem uma conversa intelectual por tanto tempo com os dois colombianos.

Karen e Sebastian estão na estrada juntos há 5 mesesKaren e Sebastian estão na estrada juntos há 5 meses Crédito: Grasiel Grasel

UM TOUR POR SANTA CRUZ
Com toda sua hospitalidade, Antelmo não deixou de levar Sebastian e Karen para conhecerem diversos locais famosos da cidade, com a Catedral São João Batista, o centro, onde tomaram “un helado” (sorvete, em espanhol), o Morro da Cruz e outros pontos turísticos. O casal conta que ficou encantado com o túnel verde e com a vegetação que cerca Santa Cruz: “você se apaixona pela cidade porque tem muita cor verde, nós não temos isso na Colômbia, não temos esse prazer, onde nós moramos a cidade é mais urbana”, explica Sebastian.
Karen não pensa duas vezes em afirmar que a cultura e a arquitetura dos prédios da cidade são o que mais lhe chamaram a atenção. “Não conhecemos essa arquitetura de catedrais neogóticas no resto da América Latina. No Equador, Venezuela e Colômbia fica muito marcada a descendência espanhola e inca”, explica Sebastian, demonstrando seu profundo conhecimento sobre história e geografia na América do Sul.
Os colombianos acham graça de quando são perguntados sobre os perigos de viverem na estrada, pois, para eles, a única coisa que bota medo são os animais. “Se você é uma pessoa boa, as pessoas são boas com você”, diz Sebastian. De acordo com eles, nunca encontraram em seu caminho alguém que quisesse lhes fazer mal, mas sim muitas pessoas dispostas a ajudar, como a família Stoelbenn. O casal conta que, inclusive, muitos dão um suporte financeiro oferecendo pequenos bicos, como em uma granja de frango em que passaram ou em restaurantes.

QUASE SANTA-CRUZENSES
Sobre o plano de morar no Brasil, os dois ainda não têm muita certeza de seu destino, pois ainda querem conhecer novas regiões, no entanto, ambos afirmam com certeza que Santa Cruz do Sul foi de longe a cidade que mais gostaram de conhecer e não descartam a possibilidade de morar na região. “Gostei muito daqui, talvez volte para tentar morar aqui perto. Até o momento foi a cidade que mais gostamos”, afirma Sebastian, encarando Antelmo com um sorrido de agradecimento.
Depois que estiverem um bom lugar para ficarem, Karen voltar para a Colômbia e Sebastian vai procurar um trabalho, morando sozinho até conseguir uma boa estabilidade financeira para que ela volte. O objetivo, a partir de então, vai ser aproveitar o tempo livre que o casal tiver para conhecer o resto do Brasil. A pretensão dos dois era ficar até ontem, dia 4, mas o tempo ruim adiou a saída por tempo indeterminado o que, para eles, não parece algo tão ruim.