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Lanceiros de Santa Cruz: Homenagem às mulheres gaúchas

VARIEDADES - 15/11/2019

Grupo apresentou seus trajes em sua pré-estreia no início de novembroGrupo apresentou seus trajes em sua pré-estreia no início de novembro Crédito: Divulgação

Com a temática sobre a pioneira da luta pela emancipação da mulher no Rio Grande do Sul, a poetisa Luciana de Abreu, que foi a primeira mulher a entrar, no Brasil, para uma sociedade literária, bem como a primeira mulher que subiu à tribuna para expor suas ideias, o CTG Lanceiros de Santa Cruz chega a 34ª edição do Enart para homenagear não somente Luciana, mas todas as mulheres do Rio Grande do Sul. O grupo representa Santa Cruz do Sul e a 5ª Região Tradicionalista na Força A das Danças Tradicionais e será o quinto a se apresentar na manhã de sábado, 16, no grande palco do Poliesportivo. 
Conforme a instrutora, Priscila Almeida o objetivo deste ano é figurar entre os melhores novamente classificando para o domingo. “A expectativa desse ano é que a gente consiga mostrar mais uma vez a força que o Lanceiros tem no festival. Que o pessoal que vai nos prestigiar goste do trabalho que preparamos em 2019, que mais uma vez é um trabalho bonito, de elegância e para nós é uma grande satisfação representar mais um ano a entidade e também por sermos o único grupo na Força A representando não somente a nossa entidade, mas também a cidade e a 5ª RT. Pra nós já é uma vitória mais um ano a gente se manter presente no festival, ainda mais levando uma temática de força que fala da mulher gaúcha, mais uma representante importante no cenário feminino dentro da tradição gaúcha”, finalizou Priscila. A invernada conta com os instrutores Toni Sidi Pereira e Priscila Almeida e o apoio de Vinicius Flint. As coreografias de entrada e saída foram feitas por Gilmar Rocha e Gabriel Paez e as músicas por João Lucas Cirne, o Joca.
A entidade que participa desde o antigo Fegart, tem uma trajetória de classificação para o domingo desde 2007, ficando de fora apenas em 2013 e 2015. No ano de 2010 o CTG conquistou o terceiro lugar no concurso, ficando atrás do CTG Rancho da Saudade de Cachoeirinha que ficou em segundo e do DTG Clube Juventude, de Alegrete que foi o grande campeão. E em sete anos o grupo esteve entre os dez melhores do Estado: 2009, 2010, 2011, 2012, 2014, 2017, 2018. 

A instrutora Priscila Almeida garante que o principal objetivo é classificar para o domingoA instrutora Priscila Almeida garante que o principal objetivo é classificar para o domingo Crédito: Divulgação

A TEMÁTICA
Pioneira da luta pela emancipação da mulher no Rio Grande do Sul, a poetisa Luciana de Abreu foi a primeira mulher a entrar, no Brasil, para uma sociedade literária, bem como a primeira mulher que subiu à tribuna para expor suas ideias. O Rio Grande do Sul foi berço de muitas mulheres que foram importantes para a história, porém grande parte destas mulheres são desconhecidas atualmente e Luciana de Abreu é um destes casos. 
Luciana de Abreu foi uma mulher gaúcha visionária, em um tempo onde ainda havia escravidão, ela já defendia e lutava pelos direitos iguais para as mulheres, luta que existe até hoje. A professora, de bons modos, mãe, típica mulher do século XIX, era um retrato das mulheres de sua época e ao mesmo tempo o oposto, pois se transformava ao falar, enfrentava Porto Alegre sem constrangimento, encantando quem a ouvia.
A história de Luciana de Abreu começou na Roda dos Expostos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Alguém a deixou na Roda que recebia crianças rejeitadas em 1847 e nunca se soube quem foram seus pais. A família de um guarda-livros a adotou e desde pequena foi incentivada aos estudos e falava em ser escritora, sendo logo apelidada de “a romancista”.
Conforme registros, Luciana casou em 1867 e continuou frequentando aulas, mesmo grávida, e depois de formada queria ajudar a pagar as contas da casa, diferente do costumeiro papel das mulheres na sociedade da época, foi então que abriu sua escola atrás do Theatro São Pedro.
Ficou conhecida nos meios intelectuais graças a um dia de dezembro de 1873, quando falou na tribuna do Partenon Literário sobre a importância da educação e emancipação da mulher. Embora já existissem textos sobre o assunto, nenhuma mulher até então, segundo os historiadores, havia subido os degraus de uma tribuna para falar publicamente sobre estes direitos
Benedito Saldanha, único biógrafo de Luciana de Abreu, explica que “ela é uma personagem muito intrigante. O papel dela de vanguarda foi justamente em abordar a questão que era um tabu na época, que era a igualdade de direitos entre homem e mulher. Em uma época em que a mulher só poderia ir da igreja pra casa e da casa para a igreja”
Assim começou a oratória de Luciana de Abreu, “minhas senhoras, nós temos sido vítimas dos prejuízos das preocupações do século, nós temos sido olhadas como seres à parte na grande obra de regeneração social, quando sem nós impossível seria à humanidade aperfeiçoar-se e progredir; porque nós somos mais”
A memória e lembranças de Luciana de Abreu, assim como de tantas outras mulheres desconhecidas, enfraqueceu-se com o passar do tempo e diversos acontecimentos históricos.
Assim, a temática do CTG Lanceiros de Santa Cruz busca relembrar e homenagear não somente Luciana, mas todas as mulheres do nosso amado Rio Grande do Sul, sendo indubitável que o tema histórico abordado permanece com traços extremamente atuais, pois muitas mulheres ainda são ignoradas e vivem à sombra de um nome masculino, o tema abordado está apoiando a ideia trazida pelo MTG, o qual sabiamente homenageia as mulheres gaúchas, referindo a inclusão no meio tradicionalista, sendo de extrema relevância e impacto ao desenvolvimento e conservação da nossa cultura.