Início Geral Ocorrência | Inquérito policial irá apurar caso ocorrido no Bairro Belvedere

Ocorrência | Inquérito policial irá apurar caso ocorrido no Bairro Belvedere

Durante ação de patrulhamento, PM da Força Tática disparou contra dois homens

Familiares realizaram manifestação em frente ao Fórum pedindo por justiça
Ana Souza

Ana Souza
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Um caso policial, ocorrido na noite de sexta-feira passada, dia 8, está repercutindo em Santa Cruz do Sul. Em ação de patrulhamento da Brigada Militar (BM), no Bairro Belvedere, em Santa Cruz do Sul, dois homens foram baleados. Ambos foram encaminhados para atendimento no Hospital Santa Cruz (HSC). João Omar Lenz, 44 anos, foi atingido por quatro tiros no umbigo, lateral do corpo e também nas costas. Ele acabou falecendo. Já Anderson Micael Pereira Padilha, 26 anos, também foi atingido por disparos nas costas. Encaminhado para o hospital, está na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do HSC.
Conforme informações da BM, o patrulhamento estava no local por volta das 20h30min, na Rua Guilherme Kuhn. Os policiais militares da Força Tática (FT) estavam em frente a um local conhecido como ponto de tráfico de drogas e comércio de armas de fogo, na residência estaria morando o homem identificado pelo apelido de Armeiro. Foi neste momento que um PM teria avistado um homem adentrando o local apressadamente. Na tentativa de abordagem, este saiu em fuga, mas foi capturado. Este após a abordagem foi identificado e liberado em seguida.
Na sequência da ação policial, uma dupla foi vista no interior da residência e foi então que houve o confronto com a FT. Armeiro teria sido visto dentro da residência, acompanhado por outro homem. Ambos com armas de fogo em punho. O PM deu voz de abordagem aos suspeitos e estes teriam feito menção de atirar contra o policial, que reagiu ao confronto e, para tentar conter a ação, efetuou os disparos.
João Lenz, conhecido como Armeiro e também pelo apelido Zé, foi baleado. Chegou a ser levado com vida pelo Samu para atendimento no Hospital Santa Cruz (HSC) e internado na UTI mas, conforme notícias da assessoria de imprensa da casa de saúde, a morte do indivíduo foi confirmada na manhã de sábado, 9. Além dos ferimentos pelos disparos, também foi verificado que ele estava com o braço quebrado. O outro homem, identificado como Anderson Padilha, também atingido por disparados, seguiu internado na UTI. Conforme relatado de um familiar, ele teria sido atingido por um disparo de raspão na mão, um no quadril e dois nas costas.

Material apreendido

Na residência foram encontrados materiais bélicos. Foram apreendidos um revólver da marca Rossi, calibre 38, com numeração raspada e cinco munições; uma pistola artesanal, parcialmente destruída, atingida por um dos disparos efetuados pelo PM; um carregador de pistola, também avariado; um ferrolho de arma; uma munição de pistola calibre 9 milímetros; um cabo de pistola, além de um telefone celular.

Material bélico apreendido na casa do Armeiro
Divulgação/BM

“A conduta do policial será analisada e tudo será pelo inquérito”

Na tarde de quinta-feira, 14, na sede do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Vale do Rio Pardo (CRPO/VRP), o comandante regional, Coronel Giovani Paim Moresco, realizou uma coletiva com a imprensa regional para falar sobre o ocorrido. A identidade do policial militar da Força Tática, que efetuou os disparos, é mantida em absoluto sigilo pela BM. Ele não está afastado. Anderson que também foi baleado, será chamado para ser testemunha, inclusive o que estava no local na hora da ação e que teria empreendido fuga.
“A BM oferta os devidos sentimentos à família pela pessoa falecida. Tudo está sob inquérito. A arma utilizada pelo PM, uma pistola padrão da BM, 9 milímetros foi apreendida e as demais armas estão com a Polícia Civil. Enfatizo que o material menos utilizado pela Brigada é a arma de fogo. Em momento algum a BM debateria sobre as manifestações dos familiares, por isso existe o inquérito que irá elucidar os fatos. As pessoas têm a plena convicção do que dizem e a opinião deles é encarada com naturalidade pela BM. É um direito de todos. A conduta do policial será analisada. O inquérito levará em torno de 40 dias. A pergunta que se faz é: ‘o que um cidadão estaria fazendo com arma de numeração suprimida e outra raspada com parte da numeração apenas?”, finalizou o comandante.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Santa Cruz do Sul. Um inquérito foi instaurado pelo CRPO e pela 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP). As provas foram averiguadas pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).

Familiares pedem por justiça

Na tarde de quarta-feira, 13, os familiares de João Lenz e de Anderson Padilha, que até aquele momento ainda estava na UTI, se reuniram em frente ao Fórum com cartazes pedindo por justiça. Conforme os familiares, João e Anderson, foram atingidos por disparos pelas costas, sem mostrar qualquer menção de utilizar arma de fogo.
Vanira de Olina Lenz, 63 anos, mãe de João, muito emocionada falou do ocorrido. “Tentei entrar para socorrer meu filho, não deixaram. Ouvia os gritos dele pedindo socorro. Gritava dizendo: ‘mãe estão me ‘furando’. Foi horrível! Queremos que venha à tona toda a verdade, para que mais casos não aconteçam. Disseram que não tinha ninguém baleado. Quero justiça! Meu filho era trabalhador e pai de família. Era meu braço direito!”
Larissa Pereira Kuppe, 19 anos, irmã de Anderson também fez menção. “Meu irmão levou quatro tiros, sendo dois nas costas, um na mão e outro na bacia. Não havia motivo para isso. Ele trabalha desde os 17 anos na mesma empresa. Uma ótima pessoa que só foi chamar o Zé para colocar uma TV na parede da casa da minha mãe. Tememos pela vida dele quando sair do hospital!”

Vanira: “Tiraram meu filho de mim”
Ana Souza
Larissa: “Não teria motivo para isso!
Ana Souza