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Safra 2026/27 | Aberta a colheita do tabaco, com foco na união e fortalecimento da cadeia produtiva

Ato realizado em Vera Cruz, reuniu lideranças do setor e autoridades na lavoura dos produtores Alceu e Eliane Tornquist

Ato simbólico oficial da abertura da colheita na tarde desta sexta-feira, em Vera Cruz
Fotos: Junio Nunes

A união da cadeia produtiva e a valorização das famílias produtoras marcaram a Abertura Oficial da Colheita do Tabaco da safra 2026/2027, realizada na tarde desta sexta-feira, 6 de novembro, na propriedade de Alceu e Eliane Tornquist, em Vera Cruz/RS. Autoridades, lideranças do setor, agricultores e representantes da imprensa participaram da solenidade, que destacou os desafios e a importância de uma atividade que envolve 132 mil famílias produtoras.

O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcilio Drescher, relacionou os 70 anos do Sistema Mutualista às perdas causadas pelo granizo e pelo excesso de chuvas nesta safra. “Foram as dificuldades enfrentadas pelos produtores que levaram à constituição da nossa entidade e à criação de um sistema baseado no princípio de um por todos e todos por um. A realidade que estamos vivendo nos faz lembrar os motivos que levaram os agricultores a se unir”, afirmou.

Ao abordar o papel do tabaco na manutenção das pequenas propriedades, Drescher deixou uma mensagem de perseverança. “O tabaco proporciona renda, dignidade e qualidade de vida às famílias, permitindo que permaneçam no campo e também continuem produzindo alimentos. Não podemos desanimar diante das dificuldades. Vamos em frente, como os produtores fazem ano após ano, plantando novamente a esperança de colher bem e dar continuidade ao sustento de suas famílias”, ressaltou.

O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, destacou os resultados da integração entre produtores e indústria. “O Sistema Integrado de Produção levou o Brasil à liderança mundial nas exportações de tabaco, posição que mantém há mais de 33 anos. Essa cadeia reúne milhares de pequenos produtores familiares, gera 44 mil empregos na indústria e divisas para o país”, afirmou.

Thesing agradeceu o apoio dos parlamentares e defendeu a atuação conjunta diante dos desafios do setor e do crescimento da produção em outros países. “A nossa cadeia tem uma resiliência muito grande, e sua trajetória centenária demonstra isso. Precisamos renovar esse alinhamento entre produtores, trabalhadores, entidades, parlamentares e empresas. Temos que trabalhar unidos, comprometidos e com muita atitude para não perder mais espaço no mercado global. Que a abertura da colheita seja um momento de renovação dessa força, tão importante para a nossa região e para o Sul do país”, ressaltou.

Apoio e demandas do setor
Representando a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o deputado estadual Marcus Vinícius reafirmou o apoio à fumicultura. “Nosso compromisso é com quem trabalha, com quem produz e com as famílias que vivem da fumicultura”, afirmou.

O deputado federal Heitor Schuch disse ter preparado uma emenda para reduzir a cobrança prevista em medida provisória e defendeu a instalação de uma indústria de extração de nicotina no Sul do país. Segundo ele, a iniciativa representa “uma nova alternativa de trabalho, de oportunidades e de mais receita para os municípios”.

O secretário-adjunto de Desenvolvimento Rural, Alexandre Scheifler, abordou a sucessão familiar e o interesse dos jovens em investir no campo. “Quando uma propriedade tem renda, consegue olhar para o futuro e oferecer segurança para que os filhos continuem a atividade”, destacou.

O senador Luis Carlos Heinze chamou a atenção para os custos de produção e os riscos climáticos. Também defendeu medidas para evitar que novos tributos sejam repassados aos fumicultores e apontou os créditos de carbono como uma possibilidade de renda adicional. “Precisamos valorizar e dar segurança a quem produz”, afirmou.

Representando o Governo do Estado, o secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, reafirmou o compromisso com políticas públicas e com a defesa da atividade. “É na produção de tabaco que encontramos grandes produtores em pequenas áreas rurais”, ressaltou, ao destacar a capacidade do setor de gerar renda e manter as famílias no campo.

O prefeito de Vera Cruz e presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (AmproTabaco), Gilson Becker, defendeu maior divulgação dos investimentos em tecnologia e das iniciativas ambientais e sociais da cadeia produtiva. “Precisamos levar esse conhecimento também às regiões que não produzem tabaco”, afirmou.

70 anos do Sistema Mutualista
Durante a solenidade, a Afubra apresentou seu Relatório Institucional, cujo projeto gráfico destaca os 70 anos do Sistema Mutualista, completados em 5 de novembro de 2026. Criado em 1956, o sistema nasceu da união dos produtores em busca de proteção contra os prejuízos causados pelo granizo. A publicação reúne a trajetória da Associação, suas ações, atividades e áreas de atuação e está disponível em português e inglês no site da Afubra.

Evento oficial
A Abertura da Colheita do Tabaco integra o calendário do Governo do Rio Grande do Sul. Esta edição foi realizada pelas secretarias estaduais de Agricultura e de Desenvolvimento Rural, pelo SindiTabaco, pela Afubra e pelo município de Vera Cruz. Promovido pela primeira vez em 2017, em Venâncio Aires, o evento passou por Canguçu (2018), Arroio do Tigre (2019), Vale do Sol (2021), São Lourenço do Sul (2022), Rio Pardo (2024) e Santa Cruz do Sul (2025).

Diversificação e sucessão familiar
Produtores há quase 30 anos, Alceu e Eliane Tornquist dão continuidade ao trabalho dos pais de Alceu em uma propriedade de 7,5 hectares. Nesta safra, cultivam 90 mil pés de tabaco e mantêm a diversificação, com produção de grãos na resteva, criação de galinhas poedeiras, suínos e bovinos, além de uma horta. Entre as tecnologias utilizadas estão estufas de ar forçado para folha solta, energia solar, secador de milho, trator e outros implementos agrícolas. O casal tem três filhas: Francieli Melyza, de 26 anos; Fabrícia Milena, de 21; e Flávia Manuela, de 6. A primogênita e seu marido, Gabriel Wink, foram aprendizes rurais do Instituto Crescer Legal.

Família Tornquist