Alyne Motta
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Há cerca de 20 anos, seu Paulo e dona Silvia Farsen estavam começando a vida. Casados há pouco mais de um ano, adquiriram uma propriedade situada entre Linha Santa Cruz, Linha Travessa e Rio Pardinho. Um local onde o acesso era difícil, a água era precária e a energia elétrica não existia.
Embora com condições difíceis de vida, decidiram que viveriam da terra. Filhos de agricultores, já tinham experiências com plantações e criação de animais. E assim deram o primeiro passo, plantando e colhendo fumo e verduras para a subsistência. A chegada do filho, Henrique, deu um grande ânimo para o casal.
O tempo passou e desde pequeno Henrique está ligado ao campo. Enquanto os pais trabalhavam, ele brincava em meio às plantações. E o gosto pela terra foi crescendo cada vez mais. Sempre que podia, contribuía na lavoura, no cuidado com os bichos e em outras tarefas, tudo sem deixar o estudo.
Antes mesmo de terminar o ensino fundamental, já sabia que estudaria na Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc), uma instituição localizada em Linha Santa Cruz, que atua com a política de alternância, onde passa uma semana aprendendo a teoria e na outra aplica na prática os ensinamentos recebidos.
Dura realidade
Mais de 20 anos se passaram desde que o casal Paulo e Silvia adquiriram sua propriedade de 2,7 hectares. Depois disso, outros tantos hectares foram adicionados ao terreno, que hoje tem 9 hectares e espaço para o tabaco, hortaliças, verduras, amendoim, sem falar dos animais, que também tem espaço reservado.
A diversificação garante sustento para o ano todo, mas também contribui para a renda mensal da família. Há quase um ano Henrique tem uma banca na feira rural da Avenida Independência, junto com o ex-colega Diego Hauth. Pelo menos duas vezes por semana, juntam os produtos para comercializar no centro.
Quem olha os produtos, não tem ideia de todo trabalho que a família tem. Duas décadas se passaram desde a aquisição da propriedade e, de lá para cá, pouca coisa mudou. O acesso ainda é precário, com um caminho estreito, cheio de pedras soltas e britas, a energia elétrica não é das melhores e a água ainda não é encanada e dividida com o vizinho.
“Quem fica aqui é porque gosta, porque condições não recebemos”, revela Henrique, que se mantém no local por opção e por incentivos que recebeu da Efasc. “Tudo que aprendi lá foi fundamental para continuar. Todo auxílio que recebi me deu uma grande base para ir adiante”, acrescenta o jovem.
O pai, seu Paulo, se sente orgulhoso do filho. “Sei que a vida aqui não é fácil, mas também sei que tudo que ele faz é com carinho e dedicação”, revela. “Eu comecei cedo na lida, estudei até a 5ª série e não tive muitas oportunidades, mas tudo que eu conquistei foi com o meu trabalho, e hoje posso dividir com meu filho”.
Sabendo dos prós e contras, Henrique não tem pretensão de sair do campo. “Não dependemos do relógio, porém trabalhamos mais. Viver da agricultura nos garante um bom sustento e traz retornos maiores, porém é necessário um planejamento maior e saber administrar”, finaliza.














