LUANA CIECELSKI
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Enquanto algumas pessoas sonham com a aposentadoria, viagens, tempo livre e descanso depois tantos anos de trabalho, outras pessoas encontram no próprio trabalho, mesmo após décadas de dedicação, uma forma de continuar a viver bem e felizes, satisfeitas consigo mesmas. Em Santa Cruz do Sul, entre tantos profissionais que atuam na mais variadas áreas, pelo menos duas pessoas se destacam por seu tempo de dedicação.
Uma delas é Maria Mercedes Weber. De seus 62 anos de vida, 44 foram dedicados ao trabalho no Hospital Santa Cruz. Natural do município de Concórdia, em Santa Catarina, ela veio à cidade em 1973 para estudar, por intermédio de uma tia que era freira. Foi essa mesma tia que lhe conseguiu o emprego no Hospital, que na época era administrado pelas Irmãs. Ela tinha 18 anos e o emprego foi o primeiro de sua vida. Foi também o único.
Suas primeiras atividades dentro da casa de saúde foram no Bloco Cirúrgico. Auxiliava aqui e ali, até que começou a atuar comoinstrumentista – profissional que auxilia médicos durante cirurgias, alcançando os instrumentos necessários ao cirurgião. Há cerca de 10 anos, porém, sua tarefa é a de manter esses equipamentos e instrumentos bem esterilizados. Ela atua dentro da Central de Materiais Esterilizados (CME). Seu trabalho evita contaminações, disseminação de doenças, entre outros problemas relacionados à saúde dos pacientes.
A outra pessoa que se destaca é Renato Theisen. Ele não passou por duas, três, ou mesmo cinco administrações municipais, mas por pelo menos uma dezena delas. Está há 47 anos trabalhando na Prefeitura de Santa Cruz. É o mais antigo funcionário em atuação hoje.
Natural de Vera Cruz e formado em Direito, ele entrou no serviço público municipal em março de 1970. Iniciou suas atividades como auxiliar de cadastro imobiliário. Desde entãoforam várias as funções que exerceu. Desde chefe do Setor de Cadastro Imobiliário, até Secretário Municipal de Fazenda – entre julho de 1987 e dezembro de 1988, Procurador Geral do Município – entre janeiro de 1989 e dezembro de 1996 -, além de Secretário de Planejamento e Coordenação – entre abril de 1999 e dezembro de 2000. Em 2003 passou a atuar como técnico de Controle Interno, e desde 2007 é o Coordenador da Unidade Central de Controle Interno.
Viram o mundo mudar
Ambos os trabalhos, apesar de muito diferentes, tiveram suas mudanças. Maria Mercedes lembra, por exemplo, que quando começou a trabalhar o hospital não tinha a estrutura que tem hoje. “Não existiam tantos equipamentos como existem hoje, nem tecnologias também”, ela diz.
Theisen, por sua vez, atuou nos mais diferentes setores e secretarias, de forma que hoje ele pode dizer que sabe de tudo um pouco. Essa experiência, em parte, também se deve ao fato de ter visto vários prefeitos atuarem. Ele também lembra que há algumas décadas a Prefeitura tinha mais dinheiro à disposição do que hoje em dia, porque vinham mais impostos do Estado e da União. “Quando eu fui o secretário da Fazenda, na década de 80, a gente recebia o dobro de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal], por exemplo. Era um pouco mais fácil”.
Ponto em comum
No meio disso tudo, apesar dos mundos diferentes em que os dois profissionais vivem, ambos possuem dois pontos em comum. Um deles é que nenhum pensa em parar de trabalhar agora, mesmo depois de tantos anos.
Maria diz que não acha bom ficar apenas em casa. “Acho que eu entraria em depressão”, diz ela. Theisen diz quase o mesmo. “Trabalhando aqui eu tenho um compromisso todos os dias. Chego às 7h45 e tenho minhas atividades. Ficando só em casa, acho que a gente começa a achar doenças que nem tem”, ele fala em tom brincalhão.
Por isso são categóricos. “Eu quero ver se consigo chegar aos 50 anos de trabalho aqui no hospital”, diz Maria. “Não é uma obrigação, claro, mas enquanto eu me sentir bem, vou continuar”, aponta ela. Theisen também quer isso. “A aposentadoria compulsória por idade é aos 75 anos. Então eu vou trabalhar enquanto der”, assegura.
Mas qual sua motivação? Porque e como continuam a trabalhar com tanta disposição? Aí é que entra o outro ponto em comum entre ambos: gostam do que fazem. “É evidente que eu gosto do que eu faço, até porque se não gostasse eu não estaria aqui”, diz Renato. “Eu gosto, e gosto muito. Por isso continuei aqui”, garante também Maria Mercedes. O segredo, descobre-se então, é gostar do que se faz. É fazer com amor.














