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Turmas de surdos não serão unidas

LUANA CIECELSKI
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Após reunião entre a direção da Escola Estadual Nossa Senhora do Rosário e a Coordenadoria Regional de Educação (CRE) foi decidido, ainda no fim da tarde de segunda-feira, 4 de maio, que não serão unidas as turmas de surdos como havia sido proposto na semana passada. O impasse surgiu depois que a 6ª CRE chamou a direção da escola para apresentar uma proposta de gerenciamento. A ideia seria diminuir o número de professores que atuam também como intérpretes, unindo uma classe de 6º ano com uma classe de 7º ano, ambas de surdos.
A comunidade escolar, no entanto, após reuniões realizadas no fim da semana passada e também na manhã dessa segunda-feira havia decidido que não apoiaria a ideia e se mostrou disposta a lutar pela permanência das duas turmas. A direção da Escola Rosário reuniu documentos e junto com um representante da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) que esteve em Santa Cruz no início da semana, estudou a legislação existente antes de se reunir novamente com a CRE.
No fim da tarde de segunda-feira, o coordenador regional de Educação, Luiz Ricardo Pinho de Moura, anunciou que a coordenadoria não vai unir as duas turmas. Ele explicou também que a intenção nunca foi tomar uma decisão sem a aprovação da escola e que as possíveis mudanças que foram discutidas fazem parte de um diálogo que a CRE está tendo com todas as escolas de sua abrangência. “Estamos fazendo apenas um gerenciamento. Jamais vamos fazer algo para ferir a legislação”, explicou ele.
A diretora da Escola Rosário, Glauce Maria Etges, se disse feliz com o retorno dado pela CRE durante a reunião. “A escola Rosário vai permanecer com a mesma estrutura. O secretário disse também que um gerenciamento terá que ser feito de qualquer forma, mas que antes de qualquer coisa a escola será consultada”, explicou. Uma das formas de diálogo encontradas, segundo Glauce, foi a criação de um grupo de estudos para pesquisar mais a fundo a legislação relacionada à comunidade surda e à educação dos surdos. “A proposta partiu da coordenadoria e isso mostra um interesse da parte deles”, afirmou. Luiz Ricardo confirmou a intenção. “Sim, vamos pegar o plano nacional de educação e juntos vamos elaborar algo seja bom para todos”, afirmou.
Luiz afirmou ainda que nas próximas semanas as discussões continuarão acontecendo em todas as escolas, inclusive na Escola Rosário, mas que num primeiro momento, vai deixar que os ânimos se acalmem. “Vamos deixar a poeira baixar”, disse. Além disso, ele enfatizou que todas as ações da CRE levam sempre em consideração o que é melhor para o aluno.

Saiba mais

– Atualmente a Escola Nossa Senhora do Rosário atende a 56 alunos surdos e para isso disponibiliza de 18 professores especializados.
– A legislação vigente diz que as turmas especiais de surdos devem ter no mínimo 4 alunos e no máximo 10.
– Atualmente, a turma de 6º ano possui quatro alunos e a turma de 7º ano possui seis alunos. A união delas totalizaria 10 alunos, o que ainda estaria dentro das normas.
– Um dos argumentos da CRE ao apresentar a proposta de gerenciamento, é de que para atender 56 alunos, 10 professores seriam suficientes. Na atual composição há cerca de 3,1 alunos para cada professor.
– Os professores, no entanto, destacaram que a educação dos surdos é diferenciada e que precisa de um contato mais próximo. Além disso, o mesmo professor, no caso da união de turmas de anos diferentes, teria que ensinar simultaneamente dois conteúdos diferentes, o que prejudicaria o aprendizado.