LUANA CIECELSKI
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Alguns dias após o MEC anunciar que os R$ 2,5 bilhões reservados para novos contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) já haviam sido esgotados e que mesmo que o prazo para aquisição de novos contratos, encerrado no último dia 30 de abril, fosse prorrogado, o governo não teria como arcar com mais financiamentos, universidades de todo o Brasil contabilizam agora o número de alunos que saíram prejudicados. Na Universidade de Santa Cruz do Sul, a situação não é diferente.
De acordo com o pró-reitor de administração, Jaime Laufer, a Unisc registrou até ontem, cerca de 380 contratos, e espera-se que esse número chegue a 400 pois alguns dos financiamentos ainda não tiveram todas as etapas do processo de contratação concluídas. Ainda assim, segundo Laufer, um bom número de alunos que procurou o financiamento não conseguiu fazê-lo, já que a estimativa era de fechar pelo menos 600 contratos novos no primeiro semestre de 2015.
Pelo Brasil, a situação é ainda pior. Cerca de 1600 instituições registraram problemas com alunos que não conseguiram realizar o financiamento. Ao todo, 500 mil pedidos de contratos foram registrados, no entanto, apenas 252 mil inscrições foram aceitas, ou seja, a metade, e não há uma explicação formal para justificar o porquê de alguns terem conseguido e outros não.
Na última semana, a Justiça Federal do Mato Grosso chegou a determinar a prorrogação do prazo para os estudantes continuarem tentando o serviço, no entanto, o secretário executivo do MEC, Luiz Claudio Costa, afirmou que a prorrogação, mesmo que aconteça, será inútil por causa da falta de verba. Ainda assim, a Ordem dos Advogados do Brasil, informou nessa semana, que se o MEC não atender a ordem judicial, o Supremo Tribunal Federal (STF) será acionado.
Uma das principais preocupações da Unisc, segundo Laufer, é de que um grande número de alunos se veja obrigado a parar de estudar. “O que pode ocorrer é que alguns alunos venham a trancar suas matrículas por não conseguir o Fies ou reduzir o número de disciplinas cursadas”, comenta ele.
Além disso, a universidade também vem contabilizando atrasos relacionados aos financiamentos já existentes. Segundo Laufer, apenas nos últimos quatro meses foram R$ 18 milhões que o governo não repassou à Unisc. No entanto, as renovações dos financiamentos não foram afetadas. Laufer lembra que nas primeiras semanas de aula, houve alguns problemas com relação ao reajuste de 6,7% da mensalidade, no entanto, depois o governo teria compreendido a posição das universidades e o direito delas de reajustar os valores. Por isso, quem já tem o financiamento há mais tempo está conseguindo fazer o aditamento. O prazo para aqueles que porventura ainda não fizeram, vai até o dia 29 de maio.














