LUANA CIECELSKI
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Dados divulgados recentemente pela pesquisa Sinaleira 2020, que está analisando os índices de desenvolvimento sócio-econômico dos 50 maiores municípios do estado, apontaram um dado preocupante: parte do ensino do Rio Grande do Sul está com o sinal vermelho acesso, ou seja, precisa de atenção imediatamente.O que levou a esse resultado foram os dados estaduais do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Segundo ele, enquanto as séries iniciais atingiram a meta estipulada pelo Ministério da Educação, as séries finais estão com médias ainda preocupantes.
Sendo o melhor medidor educacional do país, o Idebé calculado a partir de avaliações realizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) como a Prova Brasil, um exame aplicado aos alunos. A partir dos resultados dessas avaliações é calculada uma média de cada escola, cidade, estado e também do país. E os cálculos do RS apontam que, enquanto as turmas de 1º a 4º ano atingiram uma média de 5,5 pontos (ultrapassando a meta que era de 5,3), as séries finais, nos últimos oito anos, vêm atingindo médias de 3 e 4 pontos, quando a meta é 4,4.
O problema é grande. Mas é pior ainda quando a realidade mais próxima se encontra em situação parecida. E é justamente isso que a Sinaleira 2020 apontou. Em Santa Cruz do Sul, a situação é exatamente a mesma. O Ideb das séries iniciais ficou com o sinal verde na pesquisa, porque o município atingiu a meta prevista pelo MEC nas escolas estaduais e nas municipais, e alcançou um desempenho superiores às médias estadual e federal, inclusive.
Mas quando se trata de séries finais, o sinal ficou vermelho. A cidade não atingiu a meta nem nas escolas municipais, nem nas estaduais, e o Riovale Jornal foi conversar com a Secretaria Municipal de Educação e com a Coordenadoria Regional de Educação para entender o que está acontecendo.
Escolas do Município
De acordo com a Secretária Jaqueline Marques de Souza, esses resultados do Ideb lhe chamaram a atenção desde que assumiu, em fevereiro de 2016, e desde então esse tem sido justamente um de seus maiores focos de trabalho. Segundo ela, existem algumas justificativas para esse resultado negativo nas séries finais, e a secretaria já vem trabalhando para mudar essa realidade.
Jaqueline esclarece que uma das justificativas para esse resultado são os próprios critérios de realização da prova. “Eles exigem que as turmas participantes tenham pelo menos 20 alunos. Mas na nossa realidade, muitas das nossas turmas têm 15, 16 alunos. Então nem todos os nossos estudantes estão participando dessa avaliação e isso causa uma distorção dos resultados. O que temos é uma amostragem e não a realidade de fato”, observa. Para mudar isso, a secretária esclarece que já fez uma solicitação de mudança de critérios junto à União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). “Queremos ver se eles conseguem, pelo menos, baixar o número de alunos exigidos por turma”.
Porém a secretária compreende que há a necessidade de se fazer também um trabalho pedagógico. “Compreendemos que a obtenção de resultados melhores passa pela formação continuada dos professores, pelo envolvimento dos pais, pelo estímulo aos estudos, pelo acompanhamento mais próximo do trabalho dos professores e do aprendizado dos alunos”, afirmou.
Por isso, segundo Jaqueline, a secretaria já está trabalhando com uma agenda de ações que incluem visitas às escolas para uma avaliação diagnóstica da situação de cada uma, o chamamento para uma gestão escolar comprometida, as formações continuadas dos professores e capacitações, o acompanhamento dos professores e do aprendizado dos alunos, a troca de informações dentro da rede de ensino, projetos de estímulo, entre outros.
“Dessa forma, apesar de sabermos que o trabalho na educação é sempre o de uma semente plantada que precisa germinar, ou seja, um trabalho a longo prazo, já esperamos resultados melhores na próxima edição da prova, que acontece no ano que vem”, conclui.
Escolas do Estado
De acordo com a coordenadora pedagogica da 6ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Joice Battisti Gassen, os professores e coordenadores das escolas do Estado também estão conscientes do resultado negativo no Ideb nas séries finais.Para os colégios estaduais, assim como para os colégios do município, a forma como é feita a avaliação também é criticada. “Nemtodos os alunos são avaliados”disse Joice, assim como disse Jaqueline. E para alguns estudiosos da educação, um pequeno número de alunos não representa a totalidade.
Porém, ainda assim, também há consciência da necessidade de melhorar o ensino das séries finais. “É urgente a Reestruturação Curricular dessa etapa de ensino”, Joice concorda. Segundo ela, há uma desatualização no currículo e uma mudança como a que é necessária exige diálogo de toda a comunidade escolar. Ela garante que, aos poucos, é o que está sendo feito.
“A Base Nacional Comum Curricular traz uma proposta de currículo pra toda a educação Básica, sendo que a discussão dessa proposta iniciou em setembro de 2015 e está em fase de conclusão, seguindo para aprovação no Conselho Nacional de Educação. Durante a elaboração, a 6ª CRE oportunizou encontros com todas as escolas para a discussão das propostas. As escolas puderam fazer contribuições individuais, assim como os professores”, ela relata. Através desse tipo de trabalho, a coordenadoria também pretende alcançar médias melhores no próximo levantamento.














