LUANA CIECELSKI
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Aproveitando o momento de ampla divulgação midiática sobre a morte da vereadora fluminense Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes – ambos assassinados no Rio de Janeiro no dia 14 de março -, além das manifestações e debates que surgiram em torno do assunto, a Escola Educar-se de Santa Cruz do Sul promoveu na manhã da última quarta-feira, dia 21, seu próprio painel a respeito do tema Direitos Humanos. O evento foi voltado para os estudantes de 8º ano à 3ª série do Ensino Médio e participaram do bate-papo a Juíza de Direito na 1ª Vara Cível de Santa Cruz do Sul, Josiane Estivalet, e a socióloga e professora no Departamento de Ciências Humanas da Unisc, Josiane Abrunhosa. A mediação foi feita pelo professor Mateus Skolaude.
O painel iniciou destacando a representatividade de Marielle na sociedade. Feminista, negra, bissexual e de origem humilde do complexo de favelas da Maré, ela se tornou Socióloga pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, mestre em Administração Pública e a quinta vereadora mais votada da cidade (mais de 46 mil votos). Era de um partido de esquerda (PSOL), militava pelos Direitos Humanos e costumava fazer denúncias de irregularidades e exageros policiais – mas também os defendias quando eram vítimas de violência.
Em seguida, foi abordada a questão dos Direitos Humanos, e a relação com o caso, incitando os alunos presentes a reflexão. Se Marielle representava não um, mas vários grupos sociais, seu silencio não representa uma violação de direitos humanos também? “Mariele entrou para as estatísticas de violência do país. Estatísticas que são históricas”, comentou Abrunhosa. “E a vida dela não valia mais do que a ninguém, de fato. Porém, sua representatividade, sim. A execução de Marielle, ao meu ver, é um recado. Alguém quis dizer que ela mulher, ela negra, ela favelada, ela bissexual, não teria voz nem vez na sociedade”, complementou Estivalet.
Respondendo questionamentos feitos pelos alunos e professores, as painelistas buscaram chamar fortemente a atenção para a questão das mudanças que a sociedade precisa, que o futuro precisa. Como transformar essa realidade de exclusão, de preconceito? Que tipo de sociedade queremos? Qual a solução? Quantos ainda terão que morrer para que algo mude? A solução, apontaram elas, está em políticas públicas, em educação e no voto consciente, claro. Mas também está no “cada um fazer sua parte”, no “olhar para o outro como ser humano”, no “mostrar que não estamos apáticos diante de situações de violência como essa”, elas destacaram.
Também está no respeito ao próximo e sobretudo no respeito à diferença. “Marielle morreu porque subverteu a ordem. Não se contentou em servir cafezinho ou limpar o chão como manda o estereótipo para seu grupo étnico-racial. Ela entrou em um espaço tipicamente masculino e branco. Desafiou. Não ficou no papel de determinismo histórico”, declarou Abrunhosa. E isso não pode mais acontecer.














