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Órgãos têm planos para melhorar índices

LUANA CIECELSKI
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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou no início dessa semana os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referentes a 2017. Os dados são considerados o principal parâmetro de qualidade da educação nacional já que avaliam o ensino fundamental e médio no país, com base em dados sobre aprovação nas escolas e desempenho dos estudantes no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que conta com exames de língua portuguesa e matemática. As notícias, entretanto, não são muito boas. 
Desde a criação do indicador, em 2007, foram estabelecidas diferentes metas (nacional, estadual, municipal e por escola), que devem ser atingidas a cada dois anos, quando o Ideb é calculado. O índice vai de 0 a 10 e em 2017 o país cumpriu a meta apenas nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), onde a meta era 5,5 e foi alcançada a média de 5,8. A meta geral para o país é alcançar a média 6 até 2021, patamar educacional correspondente ao de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
No que se refere ao Rio Grande do Sul, a situação é ainda pior. A rede melhorou suas médias em relação a 2015, mas o Estado não atingiu a meta em nenhuma das categorias, nem mesmo nos anos iniciais do ensino fundamental, que vinham com bons índices desde 2007. Mas crítica mesmo é a situação do ensino médio gaúcho. A meta era de 5,1, mas o IDEB observado foi de apenas 3,7, ainda mais baixo do que em 2013, quando a média alcançada foi de 3,9. Aliás, a média alcançada em 2017 é mais baixa do que a meta que se tinha para 2007 (3,8). Com esses dados, o Rio Grande do Sul está em 15º lugar no ranking dos Estados. 
Em meio a esse cenário de caos na Educação, Santa Cruz do Sul se destaca como um município de médias razoáveis, pelo menos em comparação com o Estado e com a União, pois está acima da média deles. Muita coisa, porém, ainda precisa ser feita. No caso dos anos iniciais, a meta 6,0 foi ultrapassada tanto pelas escolas estaduais quanto municipais, atingindo uma média de 6,2. Nos anos finais, entretanto, a meta de 5,3 já não foi atingida – as escolas municipais e estaduais juntas alcançaram 4,7. E nos ensinos médios, também não foi atingida uma média alta (3,8), mas no caso deles, não havia uma meta estipulada para 2017. Há, apenas uma meta para 2019 (4,0) e para 2021 (4,2). 

O QUE FAZER PARA MELHORAR?

Município

A Secretária Municipal de Educação, Jaqueline Marques disse que o Município tem consciência de que há trabalho a ser feito, mas também disse estar orgulhosa porque em comparação com os índices divulgados anteriormente, as escolas municipais tiveram uma importante melhora. “Em 2015, nos anos iniciais, 10 escolas municipais atingiram a meta projetada pelo MEC, em 2017, já somos 12 escolas com o Índice projetado alcançado. É muito nos orgulha dizer que dentre estas, 4 escolas tem média superior a 7. A Emef Luiz Schroeder, a Dona Leopoldina, a Rio Branco e a Leonel de Moura Brizola”. Nos anos finais a situação foi semelhante.  Em 2015 apenas duas escolas atingiram a meta projetada, já em 2017, 6 escolas atingiram o índice. “Avançamos e isso muito nos honra”, comentou. 
Mas a secretaria de Educação também já está pensando em 2019, quando será feita nova avaliação. Jaqueline percebe que um dos desafios é a melhora dos anos finais. “Eles continuam inferiores. Isso se deve a soma de fatores do resultado das provas do SAEB e da maior taxa de reprovação e abandono desta faixa etária”, avalia.  E aponta que uma estratégia já está sendo pensada. “Estamos elaborando um Plano de Ação de Capacitação Continuada por área de conhecimento para nossos professores, em 2019. Estamos planejando tambpem uma avaliação anual para que nosso município possa acompanhar de forma mais efetiva a sua realidade”, comentou. 
Para alcançar melhorias na área de Língua Portuguesa pretende-se instrumentalizar mais os professores. “A Secretaria Municipal de Educação, lançará uma licitação inédita de compras de livros de literatura cada escola municipal, para que os professores tenham mais recursos para o desempenho de sua atividade”. Jaqueline também citou as revitalizações de escolas como forma de proporcionar uma ambiente mais favorável ao aprendizado. “Temos muito a fazer, mas está trajetória será feita com alegria, compromisso, seriedade e atentos às necessidades e cada escolas”, comentou. 

Estado

Em relação à rede estadual, o sentimento é semelhante. “Tendo como base as médias gerais, nós achamos que estamos no caminho”, apontou o Coordenador Regional de Educação, Luiz Ricardo Pinho de Moura, avaliando que as escolas da região se encontram em um padrão de ensino que vai de básico à bom. Além disso, ele apontou que algumas escolas superaram as expectativas da CRE e se saíram realmente muito bem, como é o caso da Escola Bruno Agnes e da Ernesto Alves. “Mas sabemos que precisamos melhorar”, complementou. 
Com base nisso, ele diz que o próximo passo agora será chamar os diretores e professores para fazer uma avaliação em conjunto e para elaborar também em conjunto um plano de ação. “Vamos avaliar juntos o que pode estar acontecendo e o que pode ser feito para melhorarmos ainda mais nossos índices”, diz Moura. Ele já adianta também que entre os aspetos que serão avaliados, em especial no que se refere às escolas abaixo da meta, estão a frequência dos estudantes, seu histórico escolas (se vieram de outras escolas, por exemplo), a participação dos pais na vida escolar dos filhos e os professores que estão ensinando aquelas turmas (se estão participando de capacitações, por exemplo). 
Assim como a Secretária de Educação, o Coordenador da 6ª CRE, também considera um desafio o aumento dos índices dos anos finais, e avalia as baixas médias da mesma forma que Jaqueline: “nessa fase as famílias estão menos presentes, diferentemente dos anos iniciais onde há apenas um professor em sala de aula agora são vários, o estudante também já tem mais autonomia, ele falta mais, e em alguns casos até desiste de ir à aula”, comentou. 
E por fim, Luiz Ricardo também comentou que os baixos índices do Estado na avaliação do Ideb podem ter relação com a nacionalidade do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). “Esse sistema avalia com base em um programa de conteúdos nacional, que é um pouco diferente do programa estadual”, comentou. Ele apontou ainda que o Estado tem o Sistema de Avaliação do Estado do Rio Grande do Sul (SAERS), e que esse sistema pode apontar com mais precisão a situação do ensino estadual.