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Mafalda Minnozzi: sinônimo de carisma e talento

Everson Boeck
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Uma emocionante viagem no tempo através dos grandes sucessos dos anos 50 e 60 na voz de uma das mais famosas cantoras italianas. Esta frase resume o show “Spritz a Teatro” da cantora Mafalda Minnozzi, realizado sábado, 9 de novembro, no Teatro Mauá, em Santa Cruz do Sul. Pela segunda vez na cidade –a primeira foi em abril de 2011, na Aliança Centro –, Mafalda encantou a platéia durante 1h20 de espetáculo. Acompanhada de um trio jazz de músicos afinados, a cantora, apresentando um figurino a caráter, permitiu que o público vivenciasse momentos de épocas onde sequer tinham nascido.
Simpática e carismática, nas pausas entre as músicas Mafalda conversou com o público em português e foi aplaudida de pé ao improvisar, cantando emocionada, “Mérica, Mérica”. Com microfone vintage, apresentação intimista e de muito sentimento, a cantora deu vida a um tempo passado que ficou marcado na historia: os Anos Dourados. Durante o show as projeções e as locuções levavam o espectador de “Spritz a Teatro” para a atmosfera dos anos dourados, época que faz parte do imaginário de Mafalda Minnozzi, a partir das historias contadas por seus avós sobre a Itália do pós-guerra. “Io Che Non Vivo”, “Al Di Lá”, “Dio Come Ti Amo” e compositores como Carosone, Armando Trovayoli, Umberto Bindi, EnnioMorricone e Paolo Conte.

Fotos: Everson Boeck

Mafalda foi aplaudida de pé ao improvisar, cantando emocionada, “Mérica, Mérica”

ENTREVISTA

Após o show, Mafalda Minnozzi fez sessão de autógrafos com pausas para fotos com os fãs e concedeu entrevista exclusiva ao Riovale Jornal. Acompanhe:

RJ – “Spritz a Teatro” é um espetáculo para pessoas com gosto musical mais apurado. Embora com canções famosas, você afirma que o show remete a um tempo em que você mesma não viveu. Então, o que lhe inspirou a fazer este trabalho tão inusitado?
Mafalda
– A morte de Amy Winehouse. Ela não era da minha geração, mas não há geração para a música. Quando ela surgiu, eu senti que havia nascido uma nova voz para a música. Ela era muito mais que uma estrela. Acompanhei seu trabalho, mesmo porque tínhamos amigos em comum nos estúdios de Nova Iorque, onde ela e eu gravávamos com frequência. Quando ela morreu foi um choque para mim e, neste momento, quis saber mais sobre a Amy. Quis descobrir quais eram as fontes dela, suas inspirações, por que ela cantava aquele estilo (jazz) se não era do seu tempo. Isso foi fantástico, isto é, o fato de juntar a inspiração que ela desperta em mim com o som que a inspirou! Eu queria muito colocar essas músicas do estilo jazz na voz italiana. Foi assim que surgiu “Spritz a Teatro”.

RJ – Esta “mistura”não lhe causou receio de o público não gostar?
Mafalda –
Não. São músicas que as pessoas conhecem em outras vozes, ritmos e até mesmo idiomas. Além disso, o jazz faz parte da minha carreira. A música permite a integração cultural entre povos. Ninguém fica mais pobre com isso, são experiências compartilhadas e adquiridas. A aceitação deste trabalho está sendo maravilhosa e isso me deixa muito feliz, realizada.

RJ – Você se tornou mais conhecida no Brasil em 1996 após o lançamento do seu primeiro álbum. A partir daí suas músicas sempre fizeram parte de trilhas sonoras de novelas (mais de dez até hoje). Em 1999, você lançou um disco com metade das faixas em português. O que a influenciou a cantar em nosso idioma?
Mafalda
– Sempre fui muito cuidadosa em não cantar em português. É um idioma muito bonito, sensual, romântico e tem palavras muito nasaladas que outros idiomas, como o italiano, não possuem. É muito difícil cantar em português e, quando eu fosse cantar, queria apresentar algo de qualidade. Assim, comecei a me aproximar mais da música brasileira, suas origens, seus maiores artistas. Para isso, primeiro comecei fazendo músicas brasileiras em versões italianas e depois o contrário. Se você pegar meus discos, perceberá que estão cheios de estrelas brasileiras, tanto cantores como compositores, seja nas composições ou em duetos.

RJ – No seu show, é perceptível o ritmo da bossa nova em suas canções. Por quê?
Mafalda
– A Bossa Nova é um ritmo quente, harmônico, realmente muito especial, que me acompanha desde meus primeiros passos no mundo da música. Sempre fui inspirada por João Gilberto, Caetano Veloso obviamente, mesmo que ele represente o tropicalismo, no entanto, em todas as expressões da Bossa Nova, como Tom Jobim e Vinícius, sempre me senti bem cada vez que me aproximei a ela. Tanto que chegou a hora que o Brasil entrou na minha vida e eu coloquei a música italiana a serviço da bossa nova.

RJ – O que fez você improvisar a canção “MéricaMérica” em um show com estilo totalmente diferente?
Mafalda
– Esta é uma canção que fala sobre a imigração italiana, mas que não é cantada na Itália. Quase não é conhecida lá. O povo aqui gosta muito desta canção e já me pediram diversas vezes para cantá-la. Sempre me emociono ao interpretá-la, então, porque não fazê-lo esta noite?

RJ – O que é Spritz e qual a relação com o seu show?
Mafalda
– O Spritz é um aperitivo italiano antiquíssimo que tem três características principais: é leve, colorido e frisante. É vinho, um licor italiano e água gaseificada. Uma delícia! Exatamente da mesma forma que este aperitivo é divertido, de moda, elegante e colorido, assim é meu show.

Fotos: Everson Boeck

Com microfone vintage, a cantora deu vida a um tempo
passado que ficou marcado na historia: os Anos Dourados


Simpática, Mafalda foi incansável na sessão de autógrafos e fotos


Riovale Jornal entrevistou a cantora com exclusividade após o Show