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Santa Cruz no roteiro mundial da dança

Cristiano Silva
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Divulgação / Juste Debout

Juste Debout terá eliminatória brasileira hoje, 14 de dezembro,
e amanhã 15 de dezembro, no Open Extreme Brasil

Santa Cruz do Sul foi conhecida como capital do fumo, já foi a capital do basquete e tem na Oktoberfest uma visibilidade nacional. Esses aspectos, em meio a diversos outros, fazem da nossa cidade um pólo de entretenimento e trabalho no estado e país. Há um bom tempo, outro segmento vem tornando a nossa cidade conhecida nacionalmente: a dança.
Eventos nacionais colocaram o município no segmento dentro do país, atraindo dançarinos, bailarinos e personalidades de diversas cidades e estados para Santa Cruz do Sul. Agora, chegou o momento de ser conhecida mundialmente em se tratando da dança.
Partindo do Open Extreme Brasil, coordenado por Junior Soares, o evento Juste Debout chegou à cidade, e tornou Santa Cruz do Sul – junto com Nova Iorque nos Estados Unidos, Londres na Inglaterra, Roma na Itália, Paris na França, Amsterdã na Holanda, Tóquio no Japão, Seul na Coréia do Sul, Düsseldorf na Alemanha, São Petersburgo na Rússia, Estocolmo na Suécia, Genebra na Suíca, Taipei no Taiwan e Almaty no Cazaquistão – uma das 14 capitais mundiais que irão receber as eliminatórias da competição anual de dança.
O francês Bruce Ykanji, criador do evento, veio acompanhar a eliminatória brasileira e pode contar um pouco sobre como o evento, que em 2014 irá completar 12 anos de existência. Tudo começou na humildade e se tornou um evento mundial da dança.

SURGIMENTO

Rolf Steinhaus

O francês Bruce Ykanji, criador do Juste Debout, está em Santa Cruz do Sul
para acompanhar a eliminatória brasileira do evento mundial

“Para criar o Juste Debout, quando começamos em 2002, eu quis pegar diversos estilos de dança e juntar em um evento só. O nome Juste Debout significa mostrar que outros gêneros de dança, não somente no chão, mas em pé, podem ser apreciados e difundidos”, revela o francês, nascido em Paris, que começou a dançar hip hop no Camarões quando tinha oito anos. “No início era um evento muito pequeno e lá na França fui desenvolvendo aos poucos. Em 2006 pensei em fazê-lo ao redor do mundo, se tornando um evento de dança mundial”, acrescentou.
Bruce fez a sua real estreia na dança para o famoso rapper francês, MC Solar, em 1997. A partir daí uma série de eventos o levou a, em 2002, criar o Juste Debout. Para Santa Cruz, Bruce trouxe quatro juízes: um americano, um japonês e dois franceses, que o acompanham por todos os países nas eliminatórias.
Hoje em dia, além do trabalho com o evento mundial, Bruce coordena workshops de dança na França, Itália, Japão e Alemanha. Em Santa Cruz do Sul, o experiente dançarino reconhece o potencial da cidade como sendo um dos motivos de sua escolha.
“Escolhi Santa Cruz do Sul por conta dos organizadores Junior e (Edson) Guiú, por serem bastante interessados, amigos e mantermos esse contato. É pela paixão da dança, é por isso que fiz questão que fosse aqui. Santa Cruz do Sul é uma cidade muito importante para a dança” destaca o francês.
No evento mundial, todos os oito vencedores de todos os países vão à final em Paris, França, no dia 2 de março, onde as danças dos estilos hip hop new style, house, locking e popping serão apresentadas. Lá, olheiros, pessoas do cinema e personalidades, tornam o evento propício para criar oportunidades para todos os dançarinos. “Lá é o começo de uma nova história” finaliza Bruce.
A eliminatória brasileira será hoje e amanhã, 14 e 15 de dezembro, no Open Extreme Brasil (Marechal Floriano, 106).A programação de hoje contará com workshops de professores nacionais e internacionais, já amanhã, o público poderá conferir as seletivas que vão definir as oito vagas para a final. Nos dois dias a programação tem início às 9h30.

ABRINDO AS PORTAS

Divulgação / Juste Debout

Santa Cruz do Sul foi escolhida para ser a eliminatória brasileira do Juste Debout

Da agora capital nacional da dança, Bruce vai para o Japão, para a eliminatória do Juste Debout no país, não sem antes dar uma parada para as festas de final de ano. Júnior Soares segue em Santa Cruz do Sul, tentando cada vez mais elevar o nome da cidade no mundo da dança. “Quem me conhece de verdade sabe que nunca coloquei dinheiro na frente da arte, sempre amei demais o que fiz e faço e tento lutar por isso, mesmo que muitas vezes tentar sozinho se torna cansativo demais”, comenta o proprietário do Open Extreme Brasil.
Ele aproveita o momento para fazer um pedido aos empresários e ao governo “Só quero que valorize a arte de verdade, não olhe como uma coisa pequena ou que ela só é bela quando precisam da gente. Veja a importância da arte para muitos. Conheço tantas pessoas que não seguiram a arte por que os pais não apoiaram ou por que sempre foi vista com maus olhos, mas veja bem, quantas pessoas hoje são infelizes por que não seguiram o que o coração pedia”.
“Peço de coração que apóiem a arte, não só o Open Extreme Brasil, mas tem muita gente boa, muito espaço bom e verdadeiro na região. Que as pessoas percebam o quanto é importante a arte na vida. Arte sem vaidade, arte por amor e com amor” finaliza Junior.
Com esse sentimento esperamos que a cultura siga abrindo portas para as pessoas em Santa Cruz do Sul, e que a cidade se torne não só a capital nacional da dança, mas da arte.