Cristiano Silva
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Rolf Steinhaus
Banda visita cidade, bate papo, e entrega show mágico ao público
“Pra lembrar quem eu sou. Pra salvar o que ainda restou do nosso tempo”. Nem Duca, nem Luciano Leindecker pensaram, em meados de 2007 quando lançaram o disco “7”, que a canção “Do Nosso Tempo” – incluída no registro – faria tanto sentido agora, em 2014, quando a Cidadão Quem voltou, depois de uma parada de seis anos, para revitalizar tantas músicas que embalaram o pensamento de muitas pessoas nos anos 90 até 2008, quando foi decretada a parada nas atividades da banda.
Com o pensamento de levar para aquelas pessoas que não viram a Cidadão ao vivo, e também para aquelas que viram e queriam ver de novo, a banda voltou à atividade e de quebra, mesmo com um repertório repleto de grandes canções, lançou o single “Nosso Próprio Mar”, música esta que, segundo Duca, não significa um novo álbum de inéditas, mas sim um registro do momento fraternal vivido pela Cidadão Quem atualmente.
“A gente tem projetos paralelos que hoje são nossos projetos principais. Eu tive o Pouca Vocal, hoje tenho o ‘Voz Violão e Batucada’ e o Luciano tem a banda ManiMani. São projetos que entendemos que dialoga mais com a contemporaneidade da arte. A Cidadão Quem começou no início dos anos 90 e foi até 2008, e é uma banda que representa aquela época”, enfatizou Duca Leindecker, em entrevista coletiva na tarde da última quinta-feira, 13 de março, em Santa Cruz do Sul, onde a banda, mais tarde ira à Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) tocar para a comunidade santa-cruzense no tradicional Show de Volta às Aulas.
“Tem muita gente que não viu e tem gente que viu e queria rever a Cidadão Quem. Fizemos essa volta, mais com a intuição de reviver aquela época, pois tem muita gente que nos ouviu em rádio ou em vídeos, e nunca teve a oportunidade de ver um show ao vivo”, destacou Luciano Leindecker. “Criar uma nova coisa agora com a Cidadão não representaria o novo; o novo tem nome: Duca Leindecker ‘Voz Violão e Batucada’ e ManiMani”, completou Duca, referindo-se aos projetos atuais dos músicos.
IDENTIDADE
As letras produzidas por Duca Leindecker com a Cidadão Quem dialoga muito com a sociedade urbana. Problemas, virtudes, amores e desejos do ser humano, sentimentos que, segundo o próprio, fez a Cidadão levantar uma legião de fãs por onde passou.
“Acho que a música foi o fator principal, bem como nossa sinceridade. Isso nos fez ter um público fiel, além da imensa dedicação que a gente tem com a música. Nunca fomos outra coisa. Entramos de cabeça na música, nunca tive um plano B na minha vida. A gente se jogou e se jogou 100% de coração. Isso cria um elo com o público”, ressaltou Duca, que em reflexão às letras, pensa criar uma espécie de referência aos momentos vividos pelas pessoas.
“Todo mundo tem um parcão. Todo mundo tem um Pinhal na sua vida, só não se chamam parcão e Pinhal”, destacou Duca, referindo-se às canções Girassóis e Pinhal, que retratam momentos cotidianos da vida em cada letra.
Elogiado por Bob Dylan, quando este esteve em Porto Alegre, Duca Leindecker espera este reconhecimento sendo visto por aqui. “O Rio Grande do Sul é o nosso celeiro. As pessoas tendem a não levar a sério as coisas quando estão próximas. Quando o Bob Dylan veio e falou que eu era ‘massa’, aí todo mundo achou que eu era ‘massa’. Não precisaria do Bob Dylan para as pessoas reconhecerem isso. É óbvio que a gente entende que as pessoas são inseguras, mas todos deveriam ter mais autoestima e ter a sua opinião”, enfatizou o vocalista da Cidadão Quem.
SHOW
Rolf Steinhaus
Show na Unisc contou com todas as clássicas canções da banda gaúcha
Para fãs novos, antigos, que já tinham visto um show da Cidadão Quem ou que não tinham visto, não importa. Todo esse público lotou o estacionamento do bloco 8 da Unisc para conferir um show repleto de clássicos, além do som novo “Nosso Próprio Mar”.
Canções como “Dia Especial”, “Os Segundos”, “Girassóis”, “Um Dia”, “Ao Fim de Tudo, “Música Inédita”, “Pinhal” e “Carona”, embalaram os fãs da banda. Músicas do último disco de estúdio como “Do Nosso Tempo”, Boa Noite Cinderela”, “O Amanhã Colorido” e “Do Outro Lado da Rua”, também fizeram parte do repertório e foram cantadas em coro pelo público.
Ao final do show o bis inevitável veio com as já tocadas “Nosso Próprio Mar” e “Ao Fim de Tudo”, que encerrou o grande show que a Cidadão Quem entregou ao público santa-cruzense.
Pra encerrar a carreira dessa banda, parafraseando a mesma com sua própria música, o sentimento de todo fã, que ao final de 2014 irá se contentar apenas com a música nas rádios, vídeos e CDs, irá pra sempre ter na mente a ideia que a própria Cidadão plantou na cabeças dos seus fãs: “Foi pouco tempo, mas valeu”.














