Ana Souza – [email protected]
Santa Cruz do Sul foi palco para a residência artística da Tribo de Atuadores do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz que realizou na cidade uma residência artística, através do projeto “Teatro e Memória – 50 anos do Golpe Militar”. Durante quatro dias o grupo compartilhou com os santa-cruzenses uma variada programação cultural contando com workshop, palestra, desmontagem, performance, filme e apresentação do premiado espetáculo de teatro de rua “O Amargo Santo da Purificação”.
O projeto “Teatro e Memória – 50 anos do Golpe Militar”, foi contemplado pelo edital “Desenvolvimento da Economia da Cultura Pró-cultura RS – FAC” da Secretaria de Estado da Cultura, e ao todo percorrerá oito cidades de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Toda a programação tem entrada franca. A residência artística do grupo em Santa Cruz do Sul contou com o apoio do Espaço Camarim, da Escola de Samba Acadêmicos do União e do Ponto de Cultura Águia Agito.
Dentro da programação foi realizado, no Espaço Camarim, nos dias 30 e 31 um workshop; no dia 30, palestra sobre a “Censura do Teatro Brasileiro durante a Ditadura Militar”, no dia 31, Desmontagem sobre “Evocação dos Mortos – Poética da Existência”; dia 1º, exibição do filme “Performance Sobre a Ausência” e espetáculo teatral de rua “Onde? Ação Nº 2” na Praça Getúlio Vargas e dia 2, no campo do Bom Jesus.
A PERFORMANCE
“Onde? Ação Nº2” é uma performance que de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.
A iniciativa surgiu após a experiência de apresentar o espetáculo “Viúvas – Performance Sobre a Ausência” nas ruínas da Ilha do Presídio (uma ilha no rio Guaíba que serviu como presídio político no período da ditadura). Para a encenação foi usado o texto “Viúvas” de Ariel Dorfman. Havia a necessidade de levar para a rua a experiência vivida na Ilha, por isso a denominação “Onde? Ação Nº2”. No espetáculo e na performance é trabalhada a relação das mulheres com as cadeiras vazias, cadeiras de pessoas ausentes, que foram desaparecidas. No final da ação, durante alguns minutos, as mulheres lembram os nomes dos desaparecidos políticos do Brasil.
Ana Souza

Apresentação do teatro de rua “Onde? Ação Nº2” despertou a curiosidade do público no dia 1º de novembro, na Praça Getúlio Vargas
Um caminho de ousadia e ruptura
A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em Porto Alegre, em 1978, com uma proposta centrada no contato direto entre atores e espectadores, transcendendo a clássica divisão palco-plateia. Desde então, o grupo desenvolve um trabalho contínuo de pesquisa em relação à linguagem cênica e ao processo criativo do ator. A história da Tribo sempre se pautou pela afirmação da diferença, da independência em relação ao mercado e às estruturas de poder, com encenações caracterizadas pela ousadia e liberdade criativa. As suas três principais vertentes são: o Teatro de Rua, nascido das manifestações políticas, com uma linguagem popular e de intervenção direta no cotidiano da cidade; o Teatro de Vivência no sentido de experiência partilhada, em que o espectador torna-se participante de cena; e o trabalho Artístico-Pedagógico, desenvolvido na sua sede, a Terreira da Tribo, e em outros bairros populares junto à comunidade local.














