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A tradição da festa junina no Brasil

Divulgação/RJ

A quadrilha é um dos símbolos da festa de São João

 

Vagner Cerentini

A festa junina já é tradição no Brasil, não só aqui como também em países cristãos europeus, que prestam homenagem a São João no dia 24 de junho. Originalmente, o evento era uma festa pagã que comemorava a chegada do solstício de verão no Hemisfério Norte. Transportada para o Hemisfério Sul, a data foi associada ao solstício de inverno. 

Um dos grandes símbolos das festas juninas é a fogueira de São João. Segundo a tradição católica, ela surgiu na noite do nascimento do santo, quando sua mãe, Isabel, teria mandado acender uma fogueira nas montanhas da Judeia para anunciar a chegada do filho ao mundo. Outros vão dizer que o costume foi introduzido pelos primeiros cristãos, que acendiam fogueiras na festa de São João para lembrar que foi ele quem anunciou a vinda de Cristo, o símbolo da luz divina. Reza a tradição que a fogueira de São João deve ter a forma de uma pirâmide com a base arredondada.

Divulgação/RJ

Segundo a tradição católica, a fogueira surgiu na noite do nascimento do santo

Os padres jesuítas trouxeram a tradição de São João para o Nordeste brasileiro, e os índios, que já adoravam dançar ao pé do fogo, aprovaram. As brasas da fogueira são um exemplo dessas tradições: assim que se apagam, devem ser guardadas. Conserva desse modo, um poder de talismã que garante uma vida longa a quem segue o ritual. Talvez por isso algumas superstições digam que faz mal brincar com fogo, urinar ou cuspir nas brasas ou arrumar a fogueira com os pés.
Outra tradição ligada às festas juninas são as adivinhações feitas em nome dos santos. As mais populares são as associadas a Santo Antônio, que ajudam na escolha do futuro pretendente, como enterrar uma faca virgem na bananeira para que o instrumento forme a letra inicial do nome do futuro noivo; colocar papeizinhos enrolados com nomes masculinos dentro da água e esperar que o primeiro se abra para apontar o nome do prometido.

A dança da quadrilha, que acompanha a encenação do casamento caipira, também é associada ao santo casamenteiro. O pão do santo é distribuído logo depois do Dia dos Namorados, que no Brasil é celebrado em 12 de junho. Segundo a tradição, as mulheres que querem se casar devem comê-lo e armazená-lo ao lado de outros mantimentos, para que nunca falte alimento na casa. 

A música que embala as quadrilhas é o forró e a partir da década de 1950, quando milhões de nordestinos migraram para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, atraídos pelas oportunidades de emprego geradas pela construção de Brasília e pela instalação de empresas automobilísticas em São Paulo e no Rio de Janeiro, o estilo se espalhou pelo país. Logo começaram a surgir nessas capitais as primeiras casas dedicadas ao gênero, que passaram a ser frequentadas por parte da juventude local.