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Resgate cultural em forma de tema

LUANA CIECELSKI
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Na noite do último domingo, 18 de outubro, após falar sobre dados referentes à 31ª Oktoberfest de Santa Cruz que se encerrava, a presidência da Festa da Alegria anunciou que o tema da edição de 2016 será “Saberes e sabores da tradição alemã”. Ao ouvir isso, os presentes logo associaram sabores da tradição alemã à culinária típica, é claro, mas e os saberes? O que se busca retratar com esse tema? Por que ele foi escolhido?

De acordo com Nestor Raschen, que é diretor do Colégio Mauá e Assessor da Presidência da Festa, mas acima de tudo um apaixonado pela cultura alemã, o objetivo da organização ao escolher essa temática foi fazer um resgate de duas questões culturais fundamentais: a culinária, bastante famosa, mas também da cultura voltada para a educação que os alemães trouxeram.

O principal foco da questão culinária são adaptações que elas sofreram ao chegarem aqui. “Hoje temos ainda o chucrute, a batata a vapor, a salsicha, as conservas e o joelho de porco “eisbein”, além das saborosas cucas, originalmente, em alemão, kuchen”, comenta Nestor, no entanto, deverá se buscar as tradições originais além das “abrasileiradas”.

As cucas são um exemplo de herança culinária da cultura alemã

Já, no legado dos saberes, o professor destaca “a cooperação, a ajuda mútua e valor dado à educação, com a criação de escolas comunitárias”. Além disso, pretende-se trazer à tona, a partir desse tema, também uma discussão sobre a fé em Deus que os alemães trouxeram consigo e que fez com que vencessem dificuldades na nova terra.

Para o professor Nestor, a importância de fazer esse tipo de resgate está no fato de que entender mais das tradições, ajuda a entender melhor também quem são os santa-cruzenses atualmente. “Esta herança constitui, em grande parte, o que somos hoje e o grau de desenvolvimento que Santa Cruz alcançou”, comenta.

A temática será tratada dentro da festa através dos desfiles, da decoração, da programação voltada para essa temática, também através de ações culturais que serão promovidas e, claro, através de uma gastronomia farta.

Pesquisa feita e apresentada
Confira trechos do texto feito pelo professores Nestor Raschen e Mártin Brackmann Goldmeyer para apresentar a pesquisa que deu origem ao tema da 32ª Oktoberfest:
“…aqueles saberes já difundidos na Europa, serviriam de base para a construção de uma nova sociedade que iniciavam no Brasil. Sem dúvida alguma, aqui em terras brasileiras, a primeira e maior dificuldade nesse sentido era justamente a da difusão e construção do saber; escolas não havia. Sem elas, não haveria a alfabetização e, por consequência, a leitura e a interpretação de textos religiosos era inviável. Da mesma maneira, como falavam dialetos diferentes, até a comunicação entre os conterrâneos era difícil. Isso sem falar na matemática, tão importante no seu comércio como nas suas novas construções e que precisaria ser ensinada. Antes até mesmo de igrejas, escolas foram criadas. A primeira, em nossa Santa Cruz do Sul, já em 1852, muito pouco tempo após a vinda dos primeiros colonizadores para esta terra. E a educação de qualidade se tornou característica de destaque entre as colônias germânicas.”
“Outros saberes também são ainda hoje percebidos nos sabores da gastronomia típica de nossos antepassados. Aquelas famílias, vivendo em pequenas colônias, plantavam de tudo e compartilhavam com os vizinhos e amigos as eventuais sobras. A terra aqui também, embora ainda devendo ser desbravada, era normalmente maior do que as da terra-mãe e também produzia mais e durante o ano inteiro. Dessa maneira, o trabalho árduo e duro precisava ser sustentado com uma alimentação simples, mas farta. Era em torno de uma mesa grande que a família tradicional alemã se reunia para as saborosas refeições com pratos coloniais variados – os hoje assim conhecidos cafés coloniais. Da Alemanha, vieram as receitas para a produção das tradicionais linguiças. Produzidas a partir de carne de porco, gado, ou com carne mista e das mais variadas maneiras, eram essenciais na dieta dos imigrantes.”