
VAGNER CERENTINI
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Vencedor do Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cinema de Veneza, “Trem da Vida” foi aclamado pela crítica como um dos melhores filmes já feitos sobre o covarde Holocausto. A história começa em 1941, em um vilarejo na Europa Ocidental que recebe o alerta de que os nazistas estão chegando para deportar e separar todos os judeus.
Schlomo, o bobo da aldeia, é quem dá a notícia e também cria um plano de fuga onde os próprios habitantes forjam um trem nazista, interpretando os alemães, os maquinistas e os deportados.
O trem parte com destino à Terra Prometida, antes mesmo da chegada dos verdadeiros nazistas, e os judeus viajam rumo à Palestina, mas para isso, terão de ir primeiro à Rússia. Tudo segue o planejado, exceto pelo fato de que as encenações começam a ficar cada vez mais realistas. Os “nazistas” se tornam mais autoritários, os “deportados” começam a tramar uma rebelião contra seus falsos algozes, e outros se declaram “comunistas”, querendo lutar contra os fascistas, os burgueses e os imperialistas.
“Trem da Vida” toca nos horrores do Holocausto com um enfoque bem diferente do conhecido, de maneira leve e humorada, os personagens embarcam nesta aventura, praticando os papéis destinados e atendendo a seus personagens de maneira emocionante e tocante.
A paródia sobre a fuga disfarça os verdadeiros pesadelos de cada personagem. A maneira com que a produção é filmada evidencia os personagens em sua integridade, antes de serem devorados e abafados pelos nazistas.
Tudo em um espetáculo de perda de lógica que vai além do fantasioso, além do disfarce, que só se justifica por ser um discurso de louco, afinal, a ideia de produzir um falso trem de deportação foi do insano Schlomo, aquele que é louco porque “alguém tinha que ser o louco”. A inevitável crítica que o filme faz à humanidade, ao mostrar a fragilidade das máscaras que a história e a demarcação política impõem se fecha perfeitamente em uma questão existencial.
É na cena de sua colocação, aliás, que o filme mais fortemente dá uma pista a respeito de si mesmo: o rapaz sem juízo, no meio de uma briga entre os materialistas e os religiosos, a respeito da existência de Deus, lança a crucial questão sobre quem inventou quem, Deus ou o homem.
A grande pergunta, para ele, não é se Deus existe, mas se o próprio homem existe. Mais que uma questão metafísica, é uma questão narrativa: ele, Schlomo, Deus daquilo tudo, autor da ideia do trem, criador de toda aquela saga, pergunta a suas criaturas (aqueles que seguem sua história, sua ideia de louco) se elas existem de fato.
Este é o segundo longa na carreira de Radu Mihaileanu. O diretor iniciou sua carreira no teatro, trabalhando como ator, diretor e dramaturgo. No Brasil, venceu os prêmios de Melhor Filme eleito pela crítica e pelo público na 22ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O filme será exibido nesta terça-feira na sede do Sindibancários, Rua Sete de Setembro, 489, a sessão inicia às 20h e tem o valioso apoio de Sindibancários e Escritório Fuerstenau. (Fonte: www.terra.com.br).














